Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
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Três pessoas são ouvidas no AM sobre os ataques racistas à jornalista Maria Júlia Coutinho

Promotor de Justiça do Amazonas Daniel Leite afirma que perfil fake não é sinal de impunidade e os donos podem ser rastreados



1.jpg Operação foi desencadeada após o perfil nas redes sociais da jornalista Maria Júlia Coutinho ser invadido por ofensas racistas
12/12/2015 às 09:50

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) irá encaminhar, na próxima terça-feira, o relatório das testemunhas ouvidas em Manaus e do material periciado para o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MP de São Paulo (SP), onde teve origem as investigações aos ataques racistas à jornalista Maria Júlia Coutinho.

O promotor de justiça que atua no Gaeco do Amazonas, Daniel Leite, confirmou que o grupo conhecido como “QLC - Que Loucura Cara”, que tem mais de 20 mil seguidores, responsável pelos atos de racismos via Internet foi criado por uma pessoa em Manaus.



Na última sexta-feira (11), o promotor chegou a ouvir três pessoas que podem ser responsáveis pelo grupo que tem o objetivo de fazer ataques virtuais e ofensivos via rede de computadores. Leite aguardava ouvir mais uma testemunha.

De acordo com o promotor, os organizadores do grupo utilizam perfis e nomes falsos, mas garante que isso não prejudica as investigações.

Na última quinta-feira foi desencadeado a operação “Tempo Fechado” simultaneamente em oito Estados entre eles o Amazonas, com o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão. Em Manaus, foi apreendido um computador, supostamente utilizado para a criação do grupo. No momento do cumprimento do mandado, o promotor informou que mais dois celulares foram periciados e um tablet, mas como não havia envolvimento ao crime, não foi preciso ser levado para sede do MP.

“O Ministério Público no Brasil inteiro tem se unido para tentar combater de forma mais eficaz todo tipo de criminalidade, não só os cibercrime, mas como também todos os tipos de delitos. Estamos unidos para cada vez mais debelar esse tipo de crime organizado que principalmente faz uso das novas tecnologias”, explicou.

Leite também orientou que as pessoas evitem criar e utilizar perfis fakes, pois também é considerado como um crime de falsidade ideológica. “Embora seja uma forma utilizada pelos criminosos para dificultar a identificação, porém não é uma garantia de impunidade, pois nós vamos com certeza conseguir chegar a cada um dos envolvidos desses crimes, para conseguir responsabilizá-los e puni-los pelo que fizeram”, disse.

Além de Manaus, a operação ocorreu simultaneamente nos estados de Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Grupos disputam entre si

No dia 3 de julho de 2015, começaram os registros dos ataques do grupo na página do “Jornal Nacional” no Facebook, com vários comentários de racismo e de injúrias à jornalista Maria Júlia dos Santos Coutinho Moura - conhecida como Maju. Entre os crimes previsto ao caso estão o caso de racismo, injúria qualificada, organização criminosa, corrupção de menores e outros.

De acordo com o Ministério Público (MP), além do grupo do Amazonas, outros grupos virtuais são conhecidos para a criação de práticas e ataques racistas. Alguns casos, os grupos marcam até encontro nas ruas para cometer o ato de racismo para quem passar pela via. Todos os casos estão sendo investigados.

As páginas disputam entre si para ver o que consegue promover ações de maior impacto e com mais visibilidade.

E mais

Além da jornalista Maria Júlia Coutinho Moura (conhecida também como Maju), a atriz Taís Araújo também passou por sérios ataques de racismo via Internet. Os casos também estão relacionados aos mesmos grupos já conhecidos pelos investigadores e pelo Ministério Público.


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