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Troque sua dívida por uma menor e economize

Negociar é sempre o melhor remédio e renegociar também. Conheça a portabilidade de crédito e outras soluções disponíveis para você que quer ‘respirar mais aliviado’. 09/08/2015 às 15:35
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A portabilidade de crédito, o crédito consignado e o cheque especial são algumas das soluções para quem está endividado
Juliana Geraldo Manaus (AM)

Seja qual for a classe social a que pertença – da mais baixa à mais alta – ninguém gosta de estar endividado. Em tempos de economia desacelerada, inflação em alta e um orçamento doméstico mais apertado, qualquer estratégia para ‘afrouxar o cinto’ e diminuir o impacto da crise nas finanças pessoais e nos gastos do dia a dia é bem vinda.

Uma das alternativas que pode facilitar a vida tanto de pessoas físicas quanto de pessoas jurídicas é a portabilidade de crédito, também conhecida como portabilidade de dívidas.

Desde 2014, quando foram regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), as regras permitem ao usuário de serviços bancários transferirem empréstimos de uma instituição financeira para outra, em busca de juros bancários menores.

“O objetivo da portabilidade é estimular a livre concorrência entre os bancos. Ganha aquele que oferecer ao cliente a melhor condição de pagamento do empréstimo ou financiamento”, explica o economista Martinho Azevedo.

Segundo Azevedo, em períodos de instabilidade econômica, é uma dica muito preciosa para os clientes de bancos saberem que têm à disposição um serviço como este. Para ele, tudo o que venha a reduzir o serviço da dívida – reduzir a taxa (no caso da portabilidade) ou aumentar o prazo de pagamento (em outros tipos de renegociação) – gerando um novo fluxo de caixa, é útil ao consumidor endividado.

“Se um cliente tem uma dívida de R$ 20 mil, por exemplo, para pagar em cinco anos com juros de 10% ao ano, ele tem a possibilidade de identificar em outra instituição bancária, uma taxa de juros menor para pagar. É neste sentido que deve ser usado essa modalidade”, ensina.

Como funciona

A portabilidade pode e deve ser solicitada junto à instituição financeira para onde o devedor quer migrar sua dívida, mas apenas após todas as tentativas de negociação com o banco de origem terem sido consideradas insatisfatórias pelo cliente. O cálculo (composição da dívida) também deve ser feito no banco de origem e o cliente é isento de taxas caso se decida pela transferência do financiamento.

Escolhendo esta ou outra modalidade de renegociação, o importante, segundo o economista, é quitar o débito o quanto antes. “É importante que o consumidor, ao verificar que não consegue honrar o compromisso, renegocie. O momento é positivo para isso. Os bancos estão querendo reaver esse dinheiro e ninguém quer perder com a inadimplência”, aponta.

Outras opções

Apesar de a portabilidade ser uma boa opção, especialistas ouvidos por DINHEIRO ressaltam que ela tem aspectos importantes a serem observados. Por exemplo: o cliente passa por uma ‘peneira’ onde será avaliada sua dívida e o seu perfil, uma vez que o banco ‘B’ estará adquirindo a dívida do banco ‘A’. Outra restrição é que a dívida só poderá ser transferida, segundo regras do Banco Central, sob as mesmas condições do banco original. Ou seja, não é possível, nesta modalidade alterar o número de parcelas.

Para os especialistas, outras opções devem ser analisadas pelo cliente para resolver uma situação de dívida. O cliente pode escolher tomar um empréstimo com taxa de juros inferior e quitar uma dívida em um outro banco. Se bem avaliada, a ‘troca de dívidas’ pode trazer ótimas vantagens.

Em situações emergenciais onde a dívida é pequena e será paga em pouco tempo, o cheque especial é indicado. Já quando a dívida for maior e o cliente note que não terá como quitá-la em pouco tempo é sugerida a tomada de um empréstimo pessoal parcelado. Para empréstimos de maior valor, a garantia de uma taxa de juros menor pode ser obtida por meio de um empréstimo consignado, uma vez que o vínculo empregatício funciona para os bancos como uma garantia de pagamento.

Seja qual for a modalidade escolhida, segundo os profissionais, o tomador do empréstimo deve observar atentamente a taxa anual de juros a ser paga e sobretudo o Custo Efetivo Total (CET) da dívida, que é a soma da taxa anual de juros com outras taxas cobradas no decorrer do contrato.

Outra solução, para os que possuem muitas dívidas em um mesmo banco - como cheque especial e cartão de crédito, por exemplo - é solicitar ao gerente uma composição da dívida para se chegar a um valor total dos débitos. Com essa somatória a instituição consegue elaborar uma proposta com juros menores e maior número de parcelas.

Conciliação é o caminho

Para a juíza Alvarina de Almeida Tiant, a renegociação é essencial no atual momento econômico. “Há um ano, ninguém queria renegociar. Agora, instituições e pessoas físicas perceberam que levar situações à Justiça é mais demorado e dispendioso. É na crise que as pessoas exercitam seus conhecimentos de negociação”, afirma.

A juíza, que comanda a Câmara de Mediação e Arbitragem do Amazonas (Camam), conta que apenas este ano, as reuniões de conciliação, principalmente entre micro e pequenos empresários para resolver questões de inadimplência e dívida entre as partes já resultaram em pelo menos 180 acordos.

Com um prazo máximo de seis meses para resolver os casos, os mediadores e árbitros apresentam soluções às partes envolvidas que incluem, além de descontos, a possibilidade de se pagar com mercadorias em alguns casos e a redução de impostos como o IPTU, por meio de acordos com a iniciativa pública.

Blog: Joe Santos, Empresário

“Acredito que fiz um bom negócio. Estava pagando o financiamento de um veículo. Ainda faltavam 27 parcelas de R$ 1.448,07, totalizando R$ 39.097,89. Um banco me ofereceu a possibilidade de contratar um crédito consignado no valor de R$ 30 mil. Com esse valor, e acrescentando algumas economias, foi possível quitar o financiamento pagando R$ 31.555,48 à vista. Com o empréstimo consignado, a taxa de juros é uma das menores do mercado: 2%. No final das contas, não há uma grande diferença entre o que eu pagaria no financiamento e novo valor que vou pagar no consignado, mas o importante é que a dívida ficou menor, e em tempos de aperto financeiro, qualquer economia é importante. Além do mais, a parcela de R$ 1.448,07 que eu pagava no financiamento comprometia uma parte importante do orçamento. Com a quitação da dívida por meio do empréstimo consignado, esta despesa mensal caiu para pouco mais de R$ 1 mil, liberando recursos para outras aplicações”.


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