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Trotes para o Samu apenas em janeiro e fevereiro deste ano passam dos 20,2 mil

Sem punição, brincadeiras de mau gosto por telefone  preocupa: prática criminosa já ocasionou o deslocamento de quatro viaturas para atendimento falso. São mais de 14 trotes a cada hora 28/03/2015 às 10:16
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Dentre os trotes recebidos pelo Samu estão os casos de acidentes envolvendo vários veículos e de mulheres dando à luz. Gerente-geral do serviço diz que muitas ligações são de telefones públicos ou pré-pagos
oswaldo neto Manaus (AM)

A tecnologia possui suas falhas. Por conta do desrespeito e ação considerada criminosa, a Central de Atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registrou somente este ano 20.268 trotes, delito que vem prejudicando o atendimento de pessoas que necessitam verdadeiramente de socorro. As informações são da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), que coordena o sistema. Segundo o órgão, em nove anos de atuação, o Samu recebeu mais de 2,9 milhões de ligações, porém 750 mil delas foram “brincadeiras de mau gosto” pelo telefone.

O dado é alarmante e vem preocupando o órgão nos últimos anos. Apesar da Central de Atendimento possuir um grupo de profissionais que avaliam o conteúdo das informações, o gerente geral do serviço, Ruy Abrahim, afirma que  não existe um mecanismo que detecte se o que está sendo dito no outro lado da linha procede. “Grande parte desses trotes são feitos por crianças. Estamos vivendo um período em que as pessoas perderam a noção de que para atender a casos que não existem estaremos, fatalmente, deixando de deslocar ambulâncias para pessoas que realmente precisam do atendimento”.

Ainda segundo Abrahim, os “pedidos de socorro” se tornaram cada vez mais criativos. “As pessoas ligam dizendo que a vizinha está dando à luz, ou até mesmo um acidente com várias vítimas. É necessário evoluir bastante nas ações punitivas”, declarou.

Sem punições

Em meio ao problema, a falta de punição  para quem comete trote em Manaus é outro ponto levantado pelo gerente. E os números, ou a falta deles, provam isso. De acordo com Abrahim, em quase uma década, nenhum infrator foi punido pela prática na capital. “Há algum tempo registrávamos boletim de ocorrência, mas do ponto de vista legal, nos dias de hoje, nada foi feito e ninguém foi preso. Isso acontece com o Corpo de Bombeiros, Polícia e é complicado”, disse.

Ele ainda destaca as dificuldades para localizar boa parte dos infratores. “Todos os números ficam cadastrados aqui, mas é difícil saber quem ligou. Muitos trotes vem de orelhões, celulares pré-pagos que as operadores não fornecem os dados. É um problema geral que tentamos diminuir por meio da conscientização em escolas, por meio da mídia”, ponderou.

Apesar da ausência de punições relatada pelo gerente do Samu, o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leitão, afirma que o crime é combatido. “Essa é uma prática criminosa e que combatemos com firmeza. Existem formas de detectar um trote, porém a melhor prática tem sido o convencimento da população para atuar ao nosso lado, consciente de que essa prática é criminosa”, frisou.

30% das ligações para o Samu neste ano foram trotes

As estatísticas mais recentes mostram que a prática criminosa é crescente na capital. Em 2013, das 402.457 ligações recebidas pelo Samu, 94.855 foram trotes. No ano passado foram 311.984 ligações, sendo 63.360  de pessoas que passaram trotes com o serviço. Este ano, até fevereiro, das 62.473 ligações, 20.268 foram trotes, o que equivale a 30%.

“Já tivemos situações em que quatro ambulâncias foram acionadas para atender um chamado e não aconteceu nada. É claro que temos total empenho em diferenciar essas chamadas, mas infelizmente ainda é possível que aconteçam situações como essa”, lamentou o gerente-geral do Samu, Ruy Jorge. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o Samu  está distribuído em Manaus com nove bases terrestres, uma base fluvial e uma Central de Atendimento que concentra a regulação médica e o setor administrativo.

O serviço também conta com um posto de atendimento no Complexo Turístico da Ponta Negra, Zona Oeste, e com a Central de Remoção,  onde existem três ambulâncias de Suporte Avançado (USAs), com médicos anestesistas. No total são 56 Unidades Móveis para atendimento da população, sendo 34 USBs, oito USAs, 12 motolâncias e duas ambulanchas. A Semsa também afirma que os números atendem as recomendações do Ministério da Saúde (MS), que recomenda uma USA para cada grupo de 450 mil habitantes e uma USB para cada grupo de 250 mil.


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