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Cotidiano
INTERIOR

TVs, frigobar e até mesa de pingue-pongue são levados de prefeitura por ex-prefeito

Hoje, a Polícia Civil tomou de volta os bens públicos da Prefeitura de Maués, sob autorização da Justiça. Foi preciso acionar um caminhão para recuperar os objetos 12/01/2017 às 13:56 - Atualizado em 12/01/2017 às 17:39
André Alves

A Polícia Civil do Amazonas apreendeu nesta quinta-feira (12) na casa do ex-prefeito de Maués (a 258 quilômetros de Manaus), Carlos Goes, bens tombados pela prefeitura e itens do gabinete do chefe do executivo municipal. Entre eles estão televisores, computadores, frigobar e aparelhos de ar condicionado. A diligência foi autorizada pela Justiça. Até uma mesa de pingue-pongue do Centro de Convenção do Idoso (CCI), ligado à Secretaria de Ação Social, estava em posse do ex-prefeito.

Segundo o delegado o Rafael Schimidt, titular da 48ª Delegacia de Polícia Interativa do município de Maués, “a prefeitura foi literalmente saqueada”. O pedido de investigação partiu da Procuradoria-Geral do município. De acordo com o procurador-geral da Prefeitura de Maués, Sérgio Vital Leite de Oliveira, uma consultoria contratada pela atual administração municipal, que assumiu em 1º de janeiro deste ano, constatou o “extravio” de bens do poder público pela antiga gestão. A partir de então, a procuradoria levou o caso à Polícia Civil.

Autorizados pelo juiz Rafael Almeida, da 1ª Comarca de Maués, policiais foram a duas casas do ex-prefeito da cidade - uma na sede municipal, na avenida Antarctica, bairro Santa Tereza, e outra localizada em um sítio, na estrada “Maués-Miri”,  a cerca de 3 km do centro do município. No primeiro endereço nada foi retirado.  Ao todo, 36 bens foram recuperados do sítio. Um caminhão foi usado para devolver à prefeitura móveis, eletrodomésticos e colchões comprados pelo poder público. A diligência iniciou às 9h30 e terminou às 11h30.

Inúmeros bens foram recuperados, como geladeira, computadores, frigobar, televisores, inúmeros aparelhos de ar-condicionado”, disse o procurador Sérgio de Oliveira. “Parte dos bens pertencia ao gabinete do prefeito”, sustentou ele. “Mas há bens de grande valor que não foram recuperados ainda, como grupos geradores e inúmeros motores de botes e alguns botes”, acrescentou.

De acordo com Sérgio Vital de Oliveira, a população “testemunhou” o saque da prefeitura de Maués nos últimos dias da administração de Carlos Goes e por isso colaborou para apontar onde os bens estavam escondidos. “Os munícipes presenciaram alguns extravios e sabiam onde esses bens estavam alocados. Hoje, em diligência, esses indícios foram confirmados”, comentou.

Uma mesa de pingue-pongue que pertence ao Centro de Convenção do Idoso (CCI), administrado pela Secretaria de Ação Social, também foi encontrada na casa do ex-prefeito. Ruth Goes, irmã de Carlos Goes, era a secretária de Ação Social até o final do ano passado.

Material apreendido
Foram apreendidos três camas de madeira para solteiro, um fogão quatro bocas, uma geladeira, oito colchões, uma esteira elétrica, uma mesa redonda pequena, uma mesa oito cadeiras, uma mesa seis cadeira, duas mesas MDF, um aparelho de ginástica, um sofá três lugares, dois condicionadores de ar split, quatro garrafões de água, duas caixas de isopor, um armário de escritório MDF, um armário de escritório, quatro cadeiras de madeira espreguiçadeira, uma botija de gás vazia, dois frigobares, conjuntos de cadeiras, cadeira de escritório, cadeira executiva giratória, um depurador, quatro ventiladores, duas TVs LCD, uma mesa de tênis e uma impressora multifuncional.

 

Investigação
A investigação comandada pelo delegado Rafael Schimidt concluiu que os bens foram retirados das repartições públicas nas duas últimas semanas de dezembro de 2016, às vésperas do final do mandato do ex-prefeito de Maués. Conforme o relatório policial enviado à Justiça, o pedido de instauração de inquérito foi feito no dia 10 de janeiro último, pela Procuradoria-Geral do município, em virtude do sumiço de computadores, impressoras, aparelhos de ar-condicionado e máquinas da prefeitura.

“Só o prejuízo com a subtração de 43 aparelhos de ar condicionado segundo a empresa de refrigeração que fez o levantamento seria em torno de R$ 69.066,00. Além de dois grupos geradores furtados extremamente caros”, diz trecho do pedido de busca e apreensão feito à justiça pelo delegado Rafael Schimidt.

No pedido, ele justificou que “a medida cautelar de busca e apreensão se faz necessária para recuperar e amenizar os prejuízos ao erário público causados pela administração passada neste município”. Os 36 bens apreendidos foram depositados na Secretaria de Produção Rural do município de Maués. 

Outro lado

A reportagem de A CRÍTICA tentou contato com o ex-prefeito Carlos Goes pelos telefones 99229-71XX e 99129-96XX, mas os celulares estavam fora da área de serviço. 

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