Sábado, 19 de Junho de 2021
CAMPUS SINALIZADO

UFAM se antecipa a possível retorno presencial e conclui sinalização sanitária do campus

Enquanto estudantes divergem sobre um retorno às aulas presenciais, a universidade investiu R$ 1,4 milhão na sinalização de todo o campus universitário, orientando alunos e funcionários para diminuir chances de contágio



1897522_C1279F84-F0FF-4903-A6C1-738BE7020AF8.jpg Foto: Gilson Mello
25/04/2021 às 06:00

Apesar de não ter previsão para retorno híbrido e muito menos presencial de atividades, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) já realizou a sinalização de orientação para distanciamento social em todas as unidades do campus localizado na avenida General Rodrigo Octávio, bairro Coroado, Zona Leste de Manaus.

A ação, coordenada pela Prefeitura do Campus (PCU), atende às medidas sanitárias previstas no Plano de Biossegurança da universidade. Ao todo, foram investidos cerca de R$1,4 milhão no processo de sinalização.

De acordo com a prefeita do campus, arquiteta Carmem Silva, a sinalização abrange todas as edificações, incluindo administrativo, laboratórios, salas de aula, copas, banheiros, auditórios, áreas de lazer, cantinas, quadras, paradas de ônibus, entre outras.

“Estamos seguindo o Plano de Biossegurança aprovado pelo Consuni [Conselho Universitário]. Ainda não há previsão de retorno, mas a PCU está deixando a universidade preparada para quando estiver autorizada a voltar. Temos que agir antecipadamente, antes de uma possibilidade de volta às atividades mesmo que em menor escala”, enfatizou Silva.

Além das placas de sinalização, a Prefeitura do Campus realizou de instalação de aproximadamente 300 totens para álcool em gel que foram colocados em diversos pontos do setor Norte ao Sul do campus.


Totens com álcool em gel estão posicionados no campus universitário. Foto: Gilson Mello

Sistema digital

Para o coordenador administrativo da Faculdade de Artes da Ufam (FAARTES-Ufam), Marco Antônio Viana, ainda que a universidade não retorne, já é possível ver grandes frutos da adoção ao sistema do remoto durante a pandemia. Segundo Viana, a Ufam conseguiu se adaptar bem, ainda que no começo enfrentasse dificuldades.

"Hoje, tudo é feito pelo sistema próprio da faculdade. Tudo é digital. Antes da pandemia, a universidade já estava automatizando os serviços acadêmicos. Nós conseguimos resolver as pendências e realizar os serviços estando em casa. Sem precisar vir aqui para Ufam correndo o risco de se contaminar", contou Viana.

Marco Antônio ainda ressalta que durante a pandemia da Covid-19 no Amazonas, precisou se isolar até mesmo dos familiares para não correr o risco de infectá-los.

"Eu acabei pegando Covid-19. Houve um tempo que eu precisei ficar na minha casa isolado, enquanto minha esposa precisou ficar na casa de outro parente para não ser infectada. Graças a Deus, não tivemos perdas na nossa família. Já tomei a primeira dose, pois sou diabético. Agora estou no aguardo da segunda dose", declarou o técnico-administrativo.

Estudantes divergem

Ao todo, a Ufam possui 3.479 colaboradores, dentre docentes e técnicos-administrativos. Só em Manaus, 19.522 estão matriculados. Enquanto no interior do Amazonas (nos campus em Benjamin Constant, Coari, Parintins, Humaitá e Itacoatiara), 7.413 estão com a matrícula ativa. A universidade possui mais de 100 cursos de graduação e mais de 60 cursos de pós-graduação, dentre os níveis: residência, especialização, mestrado e doutorado.

Para a estudante de Biotecnologia, Rebeca Leal, o ensino remoto trouxe mais dinamismo para as aulas teóricas, com a ajuda de recursos e ferramentas virtuais. Porém, ainda assim, é impossível substituir o "estar no laboratório" nas aulas práticas que, segundo ela, são essenciais para a formação.

"Estou satisfeita com as aulas de ensino remoto da Ufam, visto que os professores se esforçam para ter aulas mais dinâmicas, de modo síncrono e assíncrono, além de que buscam ferramentas virtuais para preencher a falta de aulas práticas. Por exemplo, em Citogenética o uso do microscópio é imprescindível para a visualização e estudo dos cromossomos, minha professora utilizou um site que simula todo o processo de produção das lâminas até a visualização dos cromossomos. Mas as 'aulas práticas virtuais' não rendem tanto quanto as presenciais, porque é totalmente diferente quando nós manuseamos os equipamentos, é isso nos faz adquirir experiência e habilidades para nossa formação", destacou Leal.

Entretanto, para outro estudante que não quis se identificar, o ensino remoto não está rendendo tanto quanto o presencial. Segundo ele, o fato de a universidade não estabelecer um padrão no uso de uma plataforma de ensino dificulta a aprendizagem em vários estudantes.

"A aula remota da Ufam não está funcionando como a presencial, está muito longe disso. Em primeiro lugar, os professores claramente não têm um consenso sobre uso de plataforma. Tem professor que usa Discord, tem professor que usa Telegram, tem um que usa WhatsApp, outro que usa o Classroom. É complicado porque uma pessoa que tem um telefone de baixa capacidade não tem recurso para ter acesso a tantos apps de uma vez. O problema já começa daí. Porque se houvesse um consenso, todos os professores usariam uma única plataforma", contou o estudante.

Aglomeração

Este mesmo estudante que teve a identidade preservada, ressalta ainda administrar o retorno às aulas presenciais pode ser bem complicado se não houver uma adequação da universidade a realidade da pandemia. Tendo em vista as aglomerações no transporte coletivo, bibliotecas e restaurante universitário.

"O coronavírus a gente sabe que passa pelo ar. A gente sabe também que qualquer descuido é suficiente para nos contaminar. Isso é muito problemático pois quem sabe a realidade universitária da Ufam, não adianta passar álcool em gel, lavar a mão, distanciamento social, porque quando começarmos a pegar o ônibus integração, a gente começa a ficar que nem sardinha enlatada. Então com a retomada do ensino, seja ele híbrido ou presencial, a Ufam precisa começar a buscar soluções para o transporte. Também tem a questão das filas no R.U. [Restaurante Universitário]. É bem complicado administrar isso", declarou o estudante.


Placas sinalizam perigo da aglomeração. Foto: Gilson Mello

Retomada híbrida

A estudante Rebeca Leal acredita que, após os índices do coronavírus reduzirem para níveis ainda mais baixos que observados nas últimas semanas, a melhor solução é o ensino híbrido primeiramente, deixando o ensino presencial apenas para quando todos da Ufam estiverem imunizados.

"Nesse assunto, a saúde é algo que deve ser considerado mais importante. Porém se os casos de Covid-19 forem controlados, acredito que seria possível continuar com as aulas teóricas remotamente e realizar somente as aulas práticas presenciais com todas as medidas de prevenção da universidade. E após isso, com todos vacinados, aí sim, retomar o ensino 100% presencial", ressaltou a estudante.




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