Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
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'Uma agressão contra a autonomia universitária’ afirma vice-presidente da Adua sobre liminar

Em contrapartida, Edson Andrade, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas ressalta que o movimento grevista está tentando impor aos que são contra a greve



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Lino João de Oliveira, vice-presidente da Adua condena a liminar expedida, classificando a atitude como uma intervenção do pensamento crítico
08/07/2015 às 18:39

Na última sexta-feira (03) uma reunião sobre o debate da suspensão do calendário acadêmico solicitada pela Associação de Docentes da Ufam, ADUA, foi suspensa após o Consuni (Conselho Universitário) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) receber uma ordem da Justiça Federal impedindo a suspensão do calendário.

Por conta disso, a Adua alega que o direito de autonomia universitária foi infringido, uma vez que a Constituição Federal (1998), no Artigo 207, defende o poder da instituição de decidir sobre qualquer assunto que diga a respeito ao seu funcionamento interno, como é o caso da suspensão do calendário, invalidando as atividades realizadas neste período de greve.

Lino João de Oliveira, vice-presidente da Adua condena a liminar expedida, classificando a atitude como uma intervenção do pensamento crítico.

“No dia 3 que haveria o Conselho Universitário houve uma ação judicial, um mandato de segurança impedindo que o Consuni apreciasse o pedido de suspensão do calendário universitário e a anulação das atividades. Em função disso, é uma agressão frontal contra a autonomia universitária e essa liminar extrapola os direitos judiciais, é uma interpretação bastante infeliz da juíza que concedeu fez com que o Consuni estivesse impedido de se manifestar contra a suspensão do calendário. A universidade sofreu uma intervenção judicial por conta dessa liminar que a impede de fazer aquilo que é próprio: pensar criticamente”, afirma.

Sobre a atual situação que a Universidade Federal do Amazonas, o vice-presidente desaprova as atitudes de alguns professores que estão ministrando as aulas.

“Atualmente a universidade está vivendo uma situação de anormalidade, paralisação de greve, e um grupo de professores está dando aula, e nessas aulas ministradas, podemos dizer com muita clareza que a maior parte dos alunos estão coagidos, intimidados, pois se eles faltarem a disciplina ministrada estão ameaçados de serem reprovados. Os professores estão dando aula, estão fazendo provas e com isso ameaçam os alunos que não comparecerem”.

Em contrapartida, Edson Andrade, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas ressalta que o movimento grevista está tentando impor aos que são contra a greve.

“Existe hoje na Ufam dois direitos sendo executados. O primeiro é o de fazer greve, onde temos alguns colegas que assim decidiram. E tem um número de colegas também representativo, principalmente na capital, que decidiram que não é conveniente nesse momento fazer greve. Não somos contrários a greve, acontece que os grevistas decidiram usar de um artifício de impor a greve a quem não quer fazer”, comenta.

Sobre a liminar que impede a suspensão do calendário acadêmico, Edson defende o direito do trabalho.

“A mesma lei que regulamenta o direito de greve é a mesma que regulamenta o direito de trabalhar. O que foi concedido pela justiça é que o Consumi não suspensa o calendário que está funcionando para não tirar o nosso direito de trabalhar”, encerra.


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