Terça-feira, 25 de Junho de 2019
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União de PSB e PPS causará mudanças nas eleições municipais de 2016 em Manaus

As fusões em nível nacional terão reflexos das fusões na política amazonense. PTB e DEM também devem fundidos



1.jpg Presidente do PPS, Roberto Freire (centro) com seus futuros correligionários, deputado estadual Serafim Corrêa (esq) e deputado federal Hissa Abrahão, ambos do PSB, que manterá nomenclatura
02/05/2015 às 13:29

O processo de fusão entre o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido Popular Socialista (PPS), iniciado na última quarta-feira (29 de abril), vai refletir diretamente na política do Estado do Amazonas e causar mudanças nas eleições municipais de 2016.

Além da reunião de lideranças como os deputados estaduais Serafim Correa e Luiz Castro, o deputado federal Hissa Abrahão e o vereador Marcelo Serafim, haverá outras fusões.

É o caso do Democratas (DEM), do deputado federal Pauderney Avelino, e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do ex-deputado federal Sabino Castelo Branco, do vereador Reizo Castelo Branco e da ex-deputada Vera Lúcia.

Embora os atores principais dessas uniões não queiram falar em eleições, é indiscutível a força que as fusões partidárias terão daqui para frente e os reflexos na correlação de forças políticas.

“Não vamos atropelar o processo. Agora, é o momento de construir a fusão, pois, o anúncio foi somente o start. Temos que aprová-la no Congresso Nacional do PSB e depois seguir com as negociações. Essa fusão e as demais que ocorrerão, vai organizar o Estado e o sistema político brasileiro. Antes da ditadura, havia quatro ou cinco partidos. Com o golpe militar de 1964, foram reduzidos a dois (Arena e MDB). Hoje, são 32 partidos inscritos no TSE e 28 com representação no Congresso Nacional. Isso é um caos. A tendência é que as fusões reduzam significativamente os partidos no Brasil”, declarou o deputado estadual Serafim Correa, membro da Executiva Nacional do PSB.

O deputado federal Hissa Abrahão (PPS-AM), disse que a fusão dos dois partidos é um ato que resgata alguns princípios mais sólidos da democracia. “O pluripartidarismos do jeito que está vem fazer com que os partidos sejam vistos pela sociedade com muito descrédito. O PPS junto com o PSB são vanguardas em um processo de reorganização programática de reestruturação de um partido para que em um futuro breve, nós tenhamos poucos partidos no Brasil, fortes que tenham representatividade”.

Ao falar da fusão entre os dois partidos e o reflexo na política do Amazonas, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), disse que vê com muita alegria este encontro porque, segundo ele, mesmo que em alguns momentos PSB e PPS estiveram em palanques distintos, nunca estiveram com posições políticas diferentes, sempre no campo democrático e progressista.

“Nos momentos decisivos desse País, estivemos na mesma trincheira. Agora, que estamos construindo um novo partido não deixa de ser um desafio, mas diria que com essa nossa história em comum que temos juntos com os companheiros do Amazonas, como o Serafim Correa, posso dizer que nós vamos ter sucesso e esse novo partido no Amazonas vai dar muito bom exemplo para o Brasil”, disse Roberto Freire.

Saiba mais: Representatividade

O novo PSB (fusão com o PPS), que manterá o nome de Partido Socialista Brasileiro e mesmo número 40, chega uma boa representatividade: 45 deputados federais e sete senadores em Brasília. Na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), haverá dois parlamentares (Serafim e Luiz Castro).

Nas eleições de 2012, PPS e PSB elegeram dois vereadores para a Câmara Municipal de Manaus, mas três foram expulsos (dois do PPS e um do PSB) por terem votado em Wilker Barreto para presidente da Casa. Resta saber se o partido vai mesmo requerer os mandatos dos parlamentares expulsos.

Democratas e trabalhistas juntos

Com fusão entre DEM e PTB – a nova sigla terá o nome do Partido Trabalhista Brasileiro e o número 25, do Democratas – a ocorrer até junho deste ano, o futuro presidente da legenda no Amazonas, deputado Pauderney Avelino, diz que o partido será a quarta força no Congresso Nacional, com 46 deputados federais e oito senadores. A união entre os dois partidos será presidida pela deputada Cristiane Brasil (RJ), filha de Roberto Jefferson. Na ALE-AM, não há deputado estadual e na Câmara Municipal conta com dois vereadores.

Há informações de bastidores, que no segundo momento haverá a fusão deste novo PTB com o PMDB, resultando em um partido que teria 150 deputados, tornando-se a maior força partidária na Câmara desde a Constituinte.


“A fusão vai contribuir para a redução dos partidos no Brasil. Na Câmara, por exemplo, são 28 legendas cujas lideranças se amontoam na sala da Presidência. Também vai acabar com a farra do fundo partidário onde as sublegendas e seus donos se aproveitam desses recursos”, declarou.

Pauderney Avelino informou que logo depois da fusão entre DEM e PTB ele convocará uma reunião entre todos os filiados para definir e traçar as estratégias da nova sigla no Estado do Amazonas e os rumos para as eleições de 2016.

Veto da janela de filiação será derrubado

As conversas sobre a fusão do PSB e PPS tiveram início em 2014, entre Eduardo Campos, que era do PSB, e Roberto Freire. O processo de aproximação ficou claro quando o PPS participou da coligação que lançou a candidatura de Eduardo Campos à Presidência e apoiou a candidatura de Marina Silva. Em outra frente, prospera a fusão do PSD com o recriado PL, que pode fortalecer a sigla do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, e do senador Omar Aziz (AM).


E o PROS também busca um casamento, agora que os irmãos Gomes estão praticamente excluídos do comando da sigla. E, por fim, Marina Silva segue batalhando pela Rede, que agregará deputados hoje no PV e no PSB.

No entanto, para que todas as fusões ocorram, o Congresso terá que derrubar um veto parcial da presidente Dilma a um dispositivo legal que impede a filiação de deputados sem incorrer em punição por infidelidade a siglas decorrentes de fusões partidárias. Mas mesmo sem a derrubada do veto, os “criadores” de siglas acreditam que podem se basear em regulamentação do próprio TSE para prosseguir com as uniões. “Vamos derrubar o veto para permitir que novos deputados entrem nas siglas que serão criadas”, declarou o deputado federal Pauderney Avelino (DEM-AM).

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