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Cotidiano
Empreendedores

Unidos pelo amor, casais falam sobre desafio de comandar um negócio 'a dois'

Parceiros afirmam que paciência, diálogo e muito amor são dicas essenciais para o sucesso de uma ideia. Na capital, três exemplos mostram que o 'empreendedorismo de casal' pode dar certo 12/06/2016 às 15:57 - Atualizado em 12/06/2016 às 17:06
Show wtf
Flávia Ribeiro tinha o sonho de ter um food truck. Além de realizá-lo, trouxe o marido, Fábio Barreto, para o negócio (Foto: Clóvis Miranda)
Juliana Geraldo

Paciência, perseverança, compreensão, diálogo e muito amor. Esses são alguns ingredientes fundamentais para uma ‘receita’ que resulte em uma relação a dois que seja feliz e duradoura. Agora, se além de manter uma relação amorosa, o casal resolver construir a vida profissional em parceria e abrir um negócio, é preciso dobrar a receita e acrescentar ainda mais paciência e respeito à fórmula, uma vez que empreender sempre traz riscos, inclusive para a relação.

Na semana em que se comemora o dia dos Namorados, +DINHEIRO conversou com casais que partilham a vida conjugal e o comando dos negócios. Eles lembram como tomaram a decisão de seguir ainda mais unidos, falam sobre o desafio do ‘empreendedorismo de casal’ e ensinam o que não pode faltar nesta receita de sucesso e equilíbrio.

“Mão na massa”

Par a publicitária Flávia Ribeiro, de 37 anos, e Fábio Barreto, de 36 anos, que juntos - além do casamento -, administram o food truck WTF Burguer (localizado na rua Itananna, bairro Vieiralves), o principal componente da receita foi a vontade de mudar.

Flávia que havia morado por 12 anos nos Estados Unidos com a família, observava com interesse o surgimento dos food trucks - caminhões de comida-. De volta a Manaus, ela seguiu carreira na publicidade, mas nunca esqueceu o desejo de ter o seu próprio truck. Há alguns anos, em uma agência de publicidade, ela conheceu Fábio. Eles namoraram, casaram e um belo dia ela encontrou um foodtruck para vender. Foi quando tudo mudou.

“Eu já estava com vontade de ter meu próprio negócio e quando achei o truck passei a tentar convencer o Fábio a entrar no negócio comigo porque eu não poderia fazer tudo sozinha. No início ele não queria, mas depois abraçou a ideia”, relembra.

Em janeiro de 2015, eles abriram as portas do caminhão no Conjunto Déborah, no bairro Dom Pedro I. Com o cardápio descolado e foco no público jovem, em pouco tempo o negócio ‘decolou’ e lado a lado eles foram conhecendo as dores e as delícias de se trabalhar a dois.

Inicialmente, o casal pagou uma consultoria para definir o cardápio e, enquanto Flávia colocou a “mão na massa”, indo para a cozinha, Fábio ficou com a parte burocrática e de organização de eventos. Mesmo assim nem tudo foi fácil.

“É preciso muita paciência, porque nem sempre conseguimos separar uma frustração na vida particular da vida profissional. Isso é um grande aprendizado. Também tentamos evitar que o assunto de nossa relação vire apenas o trabalho. Por outro lado, a experiência faz com que a nossa relação se fortaleça ainda mais e ganhe em cumplicidade. Vale muito a pena”, comemora Flávia.

A união faz a força

No caso de Wendell Neves e Karen Menezes, também havia uma vontade mudar de profissão e de administrar o próprio negócio. O ponto de partida, neste caso, foi o casamento. “Eu sempre quis empreender e quando e ela (Karen) nos casamos, eu senti que nós não podíamos mais continuar trabalhando para outras pessoas. Foi um marco para que alcançássemos nossa independência também no campo profissional”, recorda Wendell.

Depois de pesquisar diversos negócios, o casal decidiu por montar uma academia “do zero”, no bairro Santo Antônio. Em 2014, a Physical Wellness (localizada na rua Padre Agostinho Martin, bairro Santo Antônio) foi inaugurada.

“O início foi bem desafiador, porque compramos o terreno e acompanhamos desde a contrução e ao mesmo tempo tínhamos que ir saindo dos nossos antigos trabalhos devagar e ir administrando as emoções. Ele (Wendell) tem as opiniões dele e eu as minhas e tivemos que aprender a equilibrar isso”, detalha Karen.

Segundo ela, com o tempo, os dois foram adotando estratégias para facilitar a convivência dentro e fora do ambiente de trabalho. “Exercitar a paciência, dialogar e aprender a ouvir é o principal.Tentamos deixar qualquer estresse passar para só então conversar A rotina exige que os dois sejam maleáveis e mais uma coisa: depois de sair da academia, “tchau” trabalho. Precisamos de vida pessoal”, brinca.

Boas lições para uma parceria de sucesso

Com um casamento que já dura dez anos e o comando de três negócios simultâneos (A Clínica de Psicologia do Amazonas, o instituto Ter+ e o Espaço Vida Saudável do Parque 10), Shyrlene Soares e André Yamashita, já aprenderam algumas boas lições de como tocar os negócios com firmeza sem abalar as estruturas da relação amorosa.

Um bom início, diz André, é avaliar se a relação já tem um bom nível de maturidade. “Não adianta namorar por seis meses e já querer abrir um negócio. É fundamental que o casal se conheça muito bem se quiser enfrentar essa jornada porque são muitas horas trabalhando lado a lado”, aconselha.

Outro ponto importante, diz ele, é que o casal tenha ritmo de trabalho parecido e mesma visão de futuro. “Não é preciso pensar igual nem trabalhar igual, mas ter um ritmo alinhado, uma rotina organizada e caminhar na mesma direção em busca de um objetivo em comum é essencial”, continua André.

Para Shyrlene, investir no desenvolvimento pessoal é outro item que merece atenção. “Se os dois apostam e técnicas para se aperfeiçoarem individualmente é mais fácil que a relação flua com suavidade e os negócios prosperem. É preciso uma boa dose de dedicação mas o resultado compensa”, garante.

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