Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
SAÚDE

Universidade Aberta da Terceira Idade faz alerta sobre AVC no Amazonas

Estudo mostra que uma a cada quatro pessoas vai ter um derrame, que é principal causa de mortes no País



foto_782C93D9-25C5-4833-984F-F2E08152BA31.JPG Foto: Divulgação
30/10/2019 às 07:44

Estudo divulgado pela revista britânica Lancet Neurology revelou que uma em cada quatro pessoas vai sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ao longo da vida. A pesquisa traz informações alarmantes: a cada seis segundos uma pessoa morre devido ao problema, que é a segunda maior causa de óbitos em pessoas com mais de quarenta anos e o principal fator de incapacidade no mundo.

É a principal causa de mortalidade no Brasil, onde os maiores índices concentram-se na região Nordeste. “No Sul, apesar de maior população, eles estão mais bem orientados e se previnem com mais facilidade”, avalia o médico Euler Ribeiro, reitor da Universidade Aberta da Terceira Idade do Amazonas (UnaTI). A instituição sediou, na manhã de ontem, a abertura da “Campanha Nacional de Combate ao AVC”.



Com palestras gratuitas sobre os riscos e prevenção, a atividade, promovida pela universidade em parceria com neurologistas do Hospital Santa Júlia, marcou o “Dia Nacional do AVC”, celebrado em 29 de outubro. O popular derrame ocorre quando há paralisia da área cerebral causada pelo entupimento dos vasos que levam sangue ao órgão. Há dois tipos de AVC: hemorrágico e obstrutivo (sem vestígio de sangue).

Ainda faltam dados sobre o número de mortes no Amazonas, pois o Sistema Único de Saúde (SUS) não dispõe de centro de notificações sobre a doença. Atualmente, Ribeiro coordena uma pesquisa sobre a incidência do AVC na região Norte a partir da análise de hábitos e rotinas durante o envelhecimento dessas populações. 

“Em Maués a longevidade é maior. Eles se exercitam e dormem mais, sofrem menos por causa do estresse e se alimentam melhor”, resume o médico. “Eles consomem mandioca, cará e batata doce e frutos da floresta com grande capacidade nutricional, como tucumã e guaraná. O jaraqui, por exemplo, tem mais concentração de Ômega 3 do que o salmão”, complementa.

Além alimentação adequada e prática de atividades físicas, é preciso observar fatores que podem ocasionar um Acidente Vascular Cerebral, independente da predisposição do indivíduo. Alterações na circulação sanguínea, hipertensão arterial, diabetes mellitus e qualquer doença inflamatória que possa alterar o vaso cerebral interno servem como sinais de alerta. A apneia do sono, ainda não diagnosticada por 30% da população que sofre desse problema, também pode provocar derrame. “O ronco aumenta a pressão e a arritmia cardíaca”, explica a neurologista Drielle Sales.

‘Não tive sequelas’, diz paciente

Há três anos, enquanto visitava a irmã, a aposentada Maria de Fátima Sales, 65, começou a sentir dores na perna direita. Ela foi conduzida ao Hospital e Pronto Socorro (HPS) 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul de Manaus, onde passou três noites internada. Lá, ela foi diagnosticada com Acidente Vascular Cerebral.

Hipertensa e diabética, Maria de Fátima toma oito remédios de uso contínuo e faz consultas periódicas com uma médica da Universidade Aberta da Terceira Idade. Ela também mudou de hábitos após o AVC. “Também pratico caminhada orientada e equilíbrio corporal”, conta. “Não sinto mais nada e não tive sequelas”, relata.

Sintomas incluem dores, tontura, desmaio e confusão

Já os sintomas do Acidente Vascular Cerebral incluem tontura, escotomas cintilantes (“estrelinhas” no campo de visão), dor de cabeça incomum desmaios, dor no peito e confusão mental.  “São sintomas previsíveis, e deve-se procurar o médico tão logo sejam detectados”, lembra o médico Euler Ribeiro, reitor da UnaTI.

“Quando falamos em tratamento, estamos nos referindo à agilidade. Ao identificar o sintoma e receber o tratamento precocemente, o paciente pode ficar livre de sequelas e voltar ao convívio familiar e laboral”, diz a neurologista Drielle Sales.

Durante a abertura da campanha, ontem pela manhã, foi lançado um aplicativo para smartphones chamado “Riscômetro do AVC”, no qual o usuário registra hábitos relacionados aos fatores de risco e avalia as possibilidades de desenvolver derrame. O aplicativo foi criado pela Rede AVC Brasil, organização que promove campanhas de orientação sobre a doença.

Além de palestras, foram oferecidos gratuitamente serviços de aferição de pressão e testes de glicemia, além de orientações de como lidar com a doença, prevenções e tratamento.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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