Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
CLIQUES QUE SALVAM

Universitária encontra na fotografia 'válvula de escape' contra ansiedade

Cerca de 9,3% da população brasileira manifesta algum quadro de ansiedade que engloba outras disfunções como ataques de pânico



okofokdfokpdokf_14C1F158-6036-432A-8130-1EF4440686E2.JPG Foto: Divulgação
19/09/2019 às 14:40

Aproximadamente 9,3% da população brasileira manifesta algum quadro de ansiedade que engloba outras disfunções como ataques de pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, fobias e estresse pós-traumático. As mulheres são as que mais sentem as consequências: 7,7% delas são ansiosas e 5,1% são depressivas. Quando se trata dos homens, a porcentagem cai para 3,6% em ambos os casos.

No Amazonas, a jornalista Ennas Barreto, 36, e a filha, a estudante de Educação física, Milly Barreto, 18, ambas diagnosticadas com transtorno de ansiedade, engrossam essa estatística divulgada ano passado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Se mudar de São Sebastião do Uatumã, a 247 quilômetros de Manaus, para a capital foi um dos fatores que agravaram o quadro depressivo de Ennas Barreto. “Eu estava doente de hipertireoidismo [quando há uma disparada na produção dos hormônios da tireoide, provocando uma aceleração de todo o organismo]. Achava que a minha vontade de ficar na cama, de não dormir, não comer e tomar banho, era só desesperança. Eu sentia palpitações, choros frequentes, sono, muito sono”, recorda.



Foi só quando um amigo a visitou e a encontrou na cama, com duas semanas sem tomar banho, que Ennas se deu conta de que precisava de ajuda médica. “Ele que me levou ao hospital. Eu ficava preocupada em morrer o tempo todo. A cada consulta, eu entrava em desespero", disse.

"O medo da 'cidade grande' também me deixava apavorada. Tinha medo até de tomar banho", conta ela, que passou por essas turbulências entre 2004 e 2008, e até hoje faz tratamento.

Já a filha, Milly, descobriu sofrer dos mesmos sintomas ano passando, enquanto prestava vestibular. “Eu já sentia as palpitações desde outubro do ano passado, mas pioraram em fevereiro desse ano. Na prova do Enem tive uma crise de choro na hora de escrever a redação. Mas, pra mim, era só um nervoso. Depois que comecei a ler sobre a ansiedade foi que percebi que havia tido uma crise de ansiedade”, diz.

Depois de idas e vindas em hospitais e o agravamento das palpitações, Milly foi encaminhada a um psicólogo e começou a fazer terapia. Nesse meio tempo, ela fortaleceu a sua paixão pela fotografia esportiva e fez da atividade uma aliada no seu tratamento contra a ansiedade. “Conheci um dos fotógrafos da CBF, o Lucas Figueiredo, e comecei a acompanhar ele no Instagram. Ano passado, a minha mãe [assessora do Nacional-AM) precisou que eu fosse cobrir os treinos do Naça. Me encantei muito mais pela fotografia quando eu fiz uma foto do goleiro Marcelo Valverde fazendo um gol de bicicleta”, conta.

Aliás, foi durante o Campeonato Amazonense desse ano que Milly foi diagnosticada com o transtorno de ansiedade. “Passei a ir em quase todos os treinos e fui me apaixonando cada vez mais. Me aproximei de alguns jogadores e expliquei a minha situação pra eles. Desde então, quando eles percebiam que eu estava mal, eles sentavam comigo pra conversar, me distraiam, me pediam pra não desistir deles, porque eu fazia bem a eles e que eu seria campeã com eles”, disse ela, que divulga os seus cliques à beira do campo no Instagram, na conta @ _barretomilly.

Em miúdos, essas crises de ansiedade relatadas por mãe e filha são uma reação emocional extrema de alarme que podem atrapalhar a vida de uma pessoa. Embora a ansiedade esteja relacionada a momentos de estresse ou acontecimentos traumáticos, em um contexto de “ataque de ansiedade” também podem ocorrer em situações de calmaria (em que esse “alarme extremo” é desnecessário), explica o psicólogo Alexandre Cavalcante.

‘’A ansiedade é um estado de inquietação. Por vezes age como um sistema de alerta pela antecipação de uma situação que pode ocorrer ou não. Nesse sentido, a crise de ansiedade, segundo o Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais, envolve preocupação persistente e excessiva acompanhada de sintomas físicos (tremores, dores de cabeça, dor de barriga, cólica, sofrer insônia, perda de apetite, dentre outros)’’, explicou.

Interferências

Segundo Cavalcante, as crises de ansiedade podem interferir no desempenho profissional, nas atividades acadêmicas e até nas atividades cotidianas mais simples. ‘’A ansiedade é um fator de risco para desencadear a depressão e pode levar ao suicídio através da soma de fatores predisponentes e precipitantes do comportamento do indivíduo. Nesses casos, a terapia é bem-vinda para a elaboração de conflitos internos que podem levar o paciente a esse estado de ansiedade’’, recomendou.

Muitos são os fatores que podem desencadear um transtorno de ansiedade. Os pacientes mais vulneráveis a desenvolverem transtorno de ansiedade são aqueles que apresentam desesperança, sofreram abuso sexual ou emocional, pertencem a uma minoria étnica/sexual, enfrentaram graves perturbações familiares, sofrem com o término de uma relação amorosa, perda de emprego ou rejeição social.

 O psicólogo Alexandre Cavalcante reforça que a depressão é uma doença que necessita de intervenção profissional, até mesmo para esclarecer melhor o que pode estar acontecendo com seu corpo e mente. ‘’Outra sugestão é refletir sobre os fatores que podem proteger a pessoa de uma crise de ansiedade, como realizar tarefas que goste [como a Milly fez], ver maneiras de melhorar o convívio familiar e até mesmo se os locais que frequenta (faculdade, trabalho) favorecem a sua saúde mental’’, orientou.

Sintomas para identificar um ataque de ansiedade

1. Aumento brusco da sensação de ansiedade e medo;

2. Taquicardia;

3. Fortes palpitações;

4. Aumento da temperatura corporal;

5. Sudorese;

6. Tremores;

7. Sensação de irrealidade;

8. Despersonalização (sentir-se fora de si mesmo) ou desrealização (sensação de que o que está acontecendo não é real);

9. Medo de morrer ou perder o controle;

10. Sensação de entorpecimento ou formigamento

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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