Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
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Universitários protestam pela segunda vez em Manaus contra Prefeitura de Tapauá

Estudantes de Tapauá invadiram a sede da Associação Amazonense de Municípios e exigem pagamento de bolsas-auxílio, que estariam atrasadas há três meses. Valor ajuda nas despesas dos universitários em Manaus



1.jpg Os universitários promovem a manifestação pacífica exigindo do prefeito Almino os pagamentos atrasados da bolsa de auxílio no valor de R$ 1,2 mil
23/08/2013 às 14:16

Em protesto contra o prefeito de Tapauá (distante 448,5 quilômetros da capital), Almino Albuquerque (PSD), um grupo de 25 universitários tapauenses passou a noite acampado na sede representativa do município em Manaus, no bairro Parque 10, Zona Centro-Sul. Eles estão no local desde às 13h de quarta-feira (21) e reivindicam o repasse da bolsa-auxílio que os mantém estudando na capital.

É a segunda vez esta semana que os universitários promovem a manifestação pacífica exigindo do prefeito Almino os pagamentos atrasados da bolsa de auxílio no valor de R$ 1,2 mil, que é concedida a jovens tapauenses que estudam foram de Tapauá, conforme a Lei Municipal 138/1997. Cerca de 200 universitários são beneficiados com a bolsa, a maioria deles residentes em Manaus.

Segundo os manifestantes, os pagamentos de dezembro de 2012, junho e julho desse ano estão em atraso. “A maioria das pessoas aqui está prejudicada, sem dinheiro pra pagar aluguel das casas onde moram em Manaus”, disse o finalista do curso de medicina na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Maron Abílio, 29, beneficiado pela bolsa e um dos líderes do movimento.

O estudante do 3° período de enfermagem também na UEA, Ronilson Costa, 30, diz que não tem como trabalhar porque o curso dele é diurno. “No meu caso, ou você se dedica à faculdade ou trabalha. Esse auxílio é o único meio do jovem tapauense mudar de vida”, diz. Devido a falta de dinheiro, Ronilson conta que pode ser despejado da casa que aluda e divide com sua esposa e filhos.

Falta de pagamento

Os estudantes tapauenses mostraram à reportagem do ACRITICA.COM comprovantes de que a bolsa-auxílio foi paga apenas à uma minoria de universitários, supostamente “amigos do Prefeito”. Segundo Maron Abílio, isso ocorre em represálias àqueles que promoveram protestos no último dia 19 de julho em Tapauá, quando cerca quatro mil tapauenses foram às ruas exigir melhorias para o município.

“O irmão do Prefeito (José Daniel Albuquerque) veio aqui e disse que o Prefeito não pagará aos estudantes que fizeram manifestação”, disse Maron. “Estamos aqui para discutir sobre o atraso da bolsa e também sobre questões a médio e longo prazo, como saúde, educação, construção de obras inacabas em Tapauá”, acrescenta.

Abílio afirma que no Portal de Transparência do Amazonas e no site da Secretaria de Fazenda (Sefaz-AM) há informações sobre repasses de R$ 92 mil e R$ 644 mil para Tapauá, respectivamente, referentes aos dias 8 e 20 de agosto. Para ele, esse dinheiro poderia ter sido utilizado para pagar as bolsas de auxílio e não sabe ao que foi destinado.

Maron Abílio também fez outra denúncia ao ACRITICA.COM: “Estou recebendo ligações com ameaças. Alguém dizendo que vai acontecer comigo o que ocorreu com o Paulo Vitório”, disse, se referindo ao antigo secretário de esportes de Tapauá, morto em 2012 em um possível crime político.

Resposta

O representante do município de Tapauá em Manaus, Rodrigo Albuquerque, foi procurado pela equipe de reportagem e informou, via telefone, que a invasão dos manifestantes na sede da gestão municipal ocorreu de forma irregular e os serviços da comarca estão paralisados após o fato.

“Não foi correto como eles decidiram entrar na sede, fizeram pressão e invadiram o local. Todo mundo sabe que para entrar em um órgão público é preciso ter um mandado judicial e não invadir. Estamos com os trabalhos paralisados e vamos entrar com um pedido judicial de reintegração de posse”, afirma o representante.

Questionado sobre o pagamento privilegiado de alguns alunos, Rodrigo negou inicialmente que o valor tenha sido concedido e justificou que o município vem passando por uma dificuldade financeira e não possui recursos para arcar com a dívida. Após a reportagem falar sobre a existência da imagem do boleto bancário que comprova o depósito no valor de R$ 1,2 mil – efetuados no último dia 20 de agosto, em nome de Prefeitura Municipal de Tapauá a um dos beneficiários - Rodrigo destacou que desconhece o pagamento e disse ainda que não tinha como confirmar se houve ou não o embolso da bolsa. Ele acredita que o valor possa ser referente há algum mês que estava em atraso.

Sobre as acusações e demais denúncias, o representante disse que não tem conhecimento sobre a situação e pediu para entrarmos em contato com o assessor do prefeito Almino Albuquerque, que está em uma ação na Zona Rural do município e sem comunicação. A reportagem ainda tentou entrar em contato pelo telefone (97) 33XX-XX92, mas ninguém atendeu a ligação.

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