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Universitários se unem em busca de donos para cães abandonados no campus da Ufam

Cerca de 20 animais que vivem nos corredores da Faculdade de Direito da Ufam tem gerado opiniões divergentes de alunos e professores sobre a permanência deles 24/11/2014 às 10:57
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As estudantes Maruska Soares, 18 (à esq.), e Lúcia Durães, nos corredores da Faculdade de Direito da Ufam, onde vivem, pelo menos, 20 animais. Elas fazem parte do grupo que busca donos para eles
Jéssica Vasconcelos Manaus (AM)

O abandono de animais domésticos é um problema antigo e que está longe de ser resolvido, apesar da grande quantidade de projetos e leis que buscam promover a proteção e bem estar dos animais. Em Manaus, a população de cães e gatos abandonados passa de 200 mil animais, segundo estimativa da secretária de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Kamila Amaral.

Na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), os cães e gatos que foram abandonados próximo à Faculdade de Direito tem gerado opiniões divergentes de alunos e professores sobre a permanência dos animais no local. Na semana passada, um aluno do curso foi mordido por um dos cachorros que circula pelo campus. Além dele, outras três pessoas foram atacadas pelos cães. Os acidentes reforçam os argumentos de quem se diz contrário à permanência dos animais no campus.

Polêmica à parte, um grupo de 15 alunos do curso de Direito, todos apaixonados por animais e motivados pela situação dos cachorros do campus, decidiu angariar recursos para cuidar dos animais e comprar alimentos e produtos de higiene, além de regularizar a vacinação e castrar a “bicharada”, por meio do projeto S.O.S. Animais Ufam.

De acordo com levantamento feito pelos estudantes, 20 cachorros circulam pela Ufam e alunos de vários cursos participam de atividades para cuidar desses animais. Lúcia Durães, 25, é uma delas. Segundo ela, os cachorros não atacaram os alunos por serem violentos, mas por instinto. “Eles estavam tentando proteger uma fêmea no cio”, explicou. Para resolver o problema, essa fêmea foi adotada por um aluno, contou ela. “Eles são bastante carinhosos e a maioria das pessoas gosta deles, mas claro que sempre vai haver pessoas contra”, disse Lúcia.

Com doação dos próprios alunos e de algumas empresas privadas, os cachorros foram vermifugados, vacinados e serão castrados. Uma dificuldade, de acordo com a estudante Maruska Soares, 18, é que, depois de castrados, os animais precisam, pelo menos, de um lar temporário para que se recuperem do procedimento cirúrgico.

A intenção do grupo é que, depois de castrados, os animais sejam adotados por alunos ou por pessoas que se interessem em cuidar deles.

Portaria

Outra luta do grupo de estudantes é reverter uma portaria, publicada em agosto, que determina a retirada dos cães dos campus. Por enquanto, segundo Lúcia, a decisão foi suspensa e os animais poderão permanecer no campus. “Nós explicamos que estamos procurando um lar para cada um deles. Claro que nós sabemos que não deveria ter cachorros na universidade, mas há animais abandonados em toda a cidade e esse problema não é resolvido. Temos que fazer algo”, acrescentou Lúcia.

‘Ação conjunta’

Brincalhões, espertos e muito carinhosos, os cães da universidade conquistaram os alunos, que realizaram um “multirão” para dar banho nos animais. Os alunos se dividem na hora de dar comida e criaram uma página no Facebook: /SOS Animais Ufam, por meio da qual buscam doações para os animais. De acordo com Lúcia Durães, quem quiser doar ração, medicamentos e produtos de higiene pode entrar em contato por meio das redes sociais ou pelos telefones 98191-7403, 99462-8993 e 98139-4410.

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