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Cotidiano
Sustentabilidade

Universitários tem aula de sustentabilidade em flutuante no Tarumã-Mirim

Alunos do curso de arquitetura da Faculdade Devry|Martha Falcão conhecem flutuante sustentável no rio Negro 05/10/2016 às 11:08
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Olga mostra aos estudantes da Devry|Martha Falcão como funciona o flutuante (Foto: Divulgação)
acritica.com

Em cima de um flutuante, sem energia elétrica e com tratamento natural de resíduos sólidos, que inclusive são usados como adubo, é possível ter mais qualidade de vida, conforto e por que não, sofisticação. A prova disso é a funcionária pública aposentada Olga D’Arc Pimentel que vive há 10 anos sobre as águas do rio Negro, na comunidade Nossa Senhora do Livramento, à margem esquerda do baixo rio Negro, no igarapé do Tarumã-Mirim.

Além da experiência de vida, Olga tem muito a ensinar: é constantemente procurada por professores, universitários, pesquisadores e também amigos que buscam no seu lar um refúgio do modo de vida alucinante da “cidade grande”. “Eu não cobro por isso porque não acredito que o dinheiro gere algum ganho. O grande lucro aqui é a troca de conhecimento”, afirma. “Quando recebo essas visitas, eles me trazem coisas que preciso como pilha e querosene e, em troca, cozinho pra eles, que passam o dia aqui”.

O descarte de pilha é feito para uma instituição que reaproveita o material, uma vez ao mês, quando Olga vai a Manaus. No entanto, ela planeja a compra de uma placa solar para o ano que vem, a fim de eliminar esse tipo de geração de lixo. O rádio é o meio pelo qual ela se mantém informada e as facilidades na cozinha são proporcionadas por eletromésticos movidos à manivela, a exemplo de um liquidificador que processa alimentos quando o cabo é girado, promovendo a rotação do triturador.

Aprendizado

O modo sustentável de vida adotado por ela e pelo esposo foi o que atraiu o grupo de estudantes do terceiro período de Arquitetura e Urbanismo da faculdade DeVry|Martha Falcão, que conheceram métodos simples, porém eficazes, de moradia sustentável, explicou a professora da disciplina de Bioclimatologia e Sustentabilidade, Iris Vargas Barros. “Os alunos aprendem a preparar o projeto levando em consideração práticas sustentáveis”, explicou.

Reaproveitamento

Com pó de serragem, por exemplo, Olga consegue eliminar o cheiro das fezes e manter o banheiro limpo. Os resíduos são armazenados e levados para uma central de compostagem no meio da comunidade, uma vez na semana, e viram adubo para as plantas. “Antigos povos indianos e chineses utilizavam técnica semelhante”, diz ela.

“Perceber esses hábitos e costumes, de moradia e de modo de vida menos agressivos ao meio ambiente são fundamentais para os estudos da arquitetura ao mesmo tempo em que nos alerta: não deixa de ser um choque cultural”, afirmou Emanuela Saraiva, aluna da faculdade DeVry|Martha Falcão.

A prova de que o cuidado com o ambiente e entorno dá resultado é a resposta da natureza, manifestada na proliferação de cardumes de peixe. “Aqui não me falta comida: meu esposo adora pescar”, afirma Olga.

Mudança de vida

Natural do Rio de Janeiro, Olga é servidora da Fiocruz e pediu transferência para o Amazonas porque queria mudar de vida, há 14 anos. Nos últimos dez, ela passou a se dedicar ao flutuante em que vive e de onde ajuda a comunidade com aulas de reforço para as crianças e trabalho com as comunidades indígenas.

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