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Cotidiano
SAÚDE PÚBLICA

Vacinação de crianças no AM contra várias doenças fica abaixo das metas do MS

Segundo a Susam, a faixa etária dos adultos é a que menos se imuniza e pais não costumam levar filhos para se vacinar 17/09/2018 às 02:05 - Atualizado em 17/09/2018 às 08:03
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Foto: Divulgação
Priscila Rosas Manaus (AM)

A baixa adesão a vacinas obrigatórias em crianças no Amazonas não é restrita aos casos de sarampo e poliomielite, que só alcançaram ou ficaram próximas de alcançar as metas após uma intensa campanha nacional de imunização. Até mesmo as vacinas que fazem parte do calendário regular e estão disponíveis a qualquer tempo na rede do Sistema Único de Saúde (SUS), sem precisar necessariamente de uma campanha, enfrentam essa baixa procura.

No Estado vacinas importantes, que previnem doenças graves e fatais em crianças, têm cobertura abaixo da indicada pelo Ministério da Saúde, que é de imunizar até 95% do público-alvo. É o caso da Pneumococica 10 (pneumocócica conjugada 10-valente- VPC10), destinada a crianças aos 2, 4 e 6 meses de vida e com reforço entre 12 e 15 meses. A vacina combate  doenças como meningite e pneumonia, entre outras, e no ano passado teve adesão 86,18% de crianças abaixo de 1 ano de idade no Amazonas. Neste ano, só foram vacinadas 54,3% crianças na mesma faixa etária. O problema se repete em outros casos, como na Pentavalente e a Hepatite A  (veja na tabela).

O programa de imunização é o único da rede pública que atende do nascimento até a velhice. A maior campanha atualmente é a da Influenza, com meta de pouco mais de 1 milhão de pessoas no Amazonas e, mesmo assim, existe uma dificuldade de alcançá-las. Segundo a coordenadora de imunização do Estado, Izabel Nascimento, não existe uma única explicação para que tal situação aconteça. “O que falta é exatamente a população ter o cuidado com a sua saúde e buscar essas vacinas. Saberem o que é. A Internet tornou mais fácil essa busca do que na minha época. É só uma questão de querer”, comenta.

O adequado seria...

Seguindo de forma correta o calendário, a necessidade de vacinas, já na idade adulta, caem. “Se você for uma criança que tomou sua vacina no primeiro ano de vida e depois tomou os reforços aos quatro e dez anos, as vacinas que você tomará posteriormente são poucas. Porque as primeiras já estarão ali. Você já tomou a hepatite, a tríplice viral”, explica a coordenadora.

Se a cobertura vacinal dos amazonenses fosse adequada, a população não viveria o surto do sarampo que está vivendo e não estaria propensa a surtos de outras doenças. “Estamos com cobertura baixíssimas de 70%, 80% há mais de dois anos e ninguém consegue chegar até 95%. Então, é falha nossa? Eu até acredito que sim, mas não com tanta responsabilidade. Cabe ao Poder Público ter a vacina, comprar a seringa e oferecer para a população. E a população tem o dever de cuidar da sua saúde. Assim, ela protege a sua saúde e a dos outros. Todos nós compomos o quadro para evitar essas doenças”, reitera.

Negligência e logística são fatores

A coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) lista  dois problemas principais para o quadro atual. O primeiro reside em Manaus, onde a faixa etária dos adultos é a que menos se vacina. “Eles não costumam se vacinar e nem tampouco levam os seus filhos para tomarem a vacina porque acham que não existem mais doença como o sarampo e a pólio, por exemplo. Manaus levou três meses para bater a meta e é a capital”, ressalta Izabel Nascimento.

Já no interior do Estado, a cobertura ainda é mais difícil de alcançar a meta por causa da logística. Principalmente em cidades como Envira, Eirunepé, Itamarati. A situação estende-se por todo o Estado e não somente no Alto Rio Negro. “Nós temos municípios tem mais de 50% da população na área rural. Se eles não têm como chegar lá, essa população não é vacinada”, acrescenta.

Blog: Marcelo Cordeiro, infectologista - Sabin 

A vacina é uma substância injetada que contém parte ou o organismo todo desativado, assim, o sistema imunológico é estimulado. É um resultado prático para pessoa ficar protegida. A baixa cobertura vacinal é resultado de dois fatores: a fake news, com números excessivos de boatos e até grupo antivacinas e o fato de que muitas doenças ficaram raras, assim sendo, a pessoa não sabe dos sintomas e nem conhece alguém que teve a doença. À medida que foi diminuindo a procura, as pessoas ficaram mais suscetíveis às doenças.  A baixa cobertura pode acontecer em qualquer estado e está relacionada onde o vírus circula. Se os pais não se preocuparem em atualizarem as vacinas, os adolescentes não estarão protegidos. A principal medida para se evitar uma doença é a vacinação.

Quarenta dias de campanha

A Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite e Sarampo terminou na última sexta-feira. Ela começou no dia 8 de agosto e iria até o dia 31 do mesmo mês, porém o índice de cobertura baixo em todo o País levou o Ministério da Saúde a prorrogar até o dia 14 de setembro nos municípios que não tinham atingido a meta.

No Amazonas, de acordo com a Susam, a meta foi atingida quinta-feira para sarampo. Foram imunizadas 305,3 mil crianças (95,14%). Já a meta da pólio não foi atingida.  Aproximadamente 292,5 mil crianças menores de cinco anos foram vacinadas, o equivalente a 91,14%. Vinte e oito municípios já bateram e até ultrapassaram as metas como é o caso de Uarini (136,4% para sarampo e131% para a poliomielite).

Apesar dos números gerais serem bons, os municípios de Santa Isabel do Rio Negro, Anori, Tapauá, Canutama e Japurá estão com menos de 50% de cobertura para sarampo e pólio. Maués também está com menos de 50% de cobertura contra a poliomielite.  As vacinas estarão disponíveis nos municípios que não alcançaram a meta mesmo após o término da campanha de vacinação, ressaltou a Susam.

Pela campanha, todas as crianças na faixa etária de 1 ano até 5 anos (4 anos, 11 meses e 29 dias) deveriam se vacinar contra as duas doenças independentemente da situação vacinal. No Estado, há um surto de sarampo, com 1.326  casos confirmados  e 7.738 em investigação do início do ano até agora. A capital, que concentra a maioria dos casos, ultrapassou a meta de imunização da doença, tendo alcançado  106,9%. do público-alvo.

Mobilização contra HPV

Outra vacina que está com baixa cobertura é a contra o Papilomavírus Humano (HPV), destinada a meninas 9 a 14 anos (44,1%) e meninos de 11 a 14 anos (17,3%). O HPV é dos principais causadores de câncer de colo do útero. No Amazonas, a meta é vacinar 90% do público-avo ou 438,5 mil adolescentes.

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