Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
Saúde

Vacinar os bebês ajuda a proteger toda a família, explicam especialistas

Tema foi discutido no workshop da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em São Paulo



IMG-20190417-WA0002_3E073522-09B8-4499-9E92-8B2B75F1E781.jpg
Foto: Marcelo Vittorino/divulgação
17/04/2019 às 20:35

A informação correta, objetiva e com embasamento científico é a melhor aliada da saúde da população brasileira. Esse foi um dos principais temas discutidos durante o “IV Workshop SBIm para Jornalistas”, que reuniu, na manhã desta quarta-feira (17), profissionais da imprensa de várias partes do País em São Paulo. O evento teve como tema “Meningite: A informação vencendo o medo” e foi organizado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Uma das grandes preocupações dos especialistas tem sido o descenso da cobertura vacinal detectado pelo Ministério da Saúde desde 2006. Uma das explicações para isso, destacou a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PIN), Carla Domingues, é a falsa sensação de segurança provocada pelo controle de algumas doenças, que fez com que muitos pais deixassem de levar os filhos a algumas campanhas de vacinação.

“Isso foi um erro, pois possibilitou a volta do sarampo em território nacional, por exemplo. Não podemos esquecer que sempre será importante manter o cartão de vacinação atualizado no primeiro ano de vida para que assim asseguremos e aumentemos a imunização coletiva. Se o bebê da casa está vacinado contra o sarampo ou a meningite, por exemplo, consequentemente os pais e idosos que convivem na mesma casa também estarão protegidos. A isso chamamos de proteção de rebanho”, explicou Domingues.

Como complementou o presidente da SBIm, Juarez Cunha, essa “proteção de grupo” trata-se do efeito obtido quando algumas pessoas são indiretamente protegidas pela vacinação de outras, o que acaba beneficiando a saúde de toda a comunidade.

“Funciona da seguinte forma: a pessoa vacinada não transmitirá a doença para outros que não foram imunizados por razões como: são muito novos para tomar alguma vacina; têm algum problema que impede a vacinação; ou foram vacinados antes, porém não produziram níveis ideais de anticorpos, logo, não ficaram devidamente imunizados”, disse.

Mesmo que o movimento antivacina não tenha a mesma força no Brasil como tem nos Estados Unidos e na Europa (onde já há registro do retorno de doenças consideradas erradicadas), as notícias falsas difundidas pelas redes sociais ainda deixam muitas pessoas receosas em relação às vacinas.

“Depois que uma informação errada atinge muita gente é muito trabalhoso reverter. As vacinas são produzidas e distribuídas sob rigoroso controle de qualidade. Temos que levar isso em consideração. Felizmente, 90% da população considera a vacinação importante”, destacou a vice-presidente da Sbim, Isabella Ballalai.

Horário estendido

Uma das estratégias previstas pelo Ministério da Saúde para melhorar os índices de cobertura vacinal em algumas campanhas de vacinação – principalmente entre crianças menores de dois anos – será a expansão dos horários de funcionamento das salas de vacina nas unidades básicas de saúde dos municípios.

“Ainda no segundo semestre queremos implementar o terceiro turno nos postos de saúde. Facilitando a vida dos pais de bebês acreditamos que podemos conter o descenso das coberturas vacinais que tivemos nas campanhas dos últimos anos, que registraram imunizações abaixo da meta estabelecida”, disse a coordenadora do PIN, Carla Domingues, acrescentando que o terceiro turno também poderia desafogar a demanda de “casos simples” em policlínicas. “Por falta de opção os pais levam as crianças aos hospitais, às vezes por conta de um problema simples, e assim elas acabam sendo expostas a infecções piores”.

Vacinação antecipada no AM

Perguntada sobre a possibilidade da campanha de vacinação contra a gripe ser fixada em dezembro ou janeiro no Amazonas, em pleno inverno amazônico e quando aumentam os casos de gripes e infecções respiratórias, Domingues acredita não ser possível.

“A Organização Mundial da Saúde só define a produção das vacinas em setembro, quando é detectado os vírus que circularam no ano anterior. O processo de produção demora de quatro a seis meses. Por isso não há essa possibilidade de fixar a campanha em dezembro. O que podemos fazer é o que aconteceu esse ano [quando a campanha de vacinação contra a gripe foi antecipada por conta do surto de Influenza A no Estado] de antecipar essa campanha pra março. Contudo, isso depende muito da capacidade produtiva. Tem anos que a vacina é liberada mais cedo, outros anos demoram mais”, explanou.

*O repórter viajou a convite da SBIm.

News guilherme 1674 2977771b 6b49 41af 859a ef3c3b62eae8
Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.