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Cotidiano
Entrevista

Vanessa Grazziotin diz que votos dos eleitores foram ‘jogados fora’ em 2014

Grazziotin esteve acompanhando o deputado estadual e candidato a prefeito de Manaus, José Ricardo Wendling, após o mesmo votar no CSU do Parque Dez de Novembro 02/10/2016 às 18:23
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(Foto: Winnetou Almeida)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) declarou que o voto dos eleitores no pleito de 2014, quando da eleição para a ex-presidente da República Dilma Rousseff (PT), que sofreu impeachment, foi “jogado fora” pelo atual governo do sucessor Michel Temer (PMDB). Grazziotin esteve acompanhando o deputado estadual e candidato a prefeito de Manaus, José Ricardo Wendling, após o mesmo votar no CSU do Parque Dez de Novembro.

“Claro que foi jogado fora. Na verdade, foi pior que isso: seu voto foi usurpado, rasgado, queimado, transformaram em pó o voto do eleitor. A partir do momento em que, sem  nenhuma razão técnica, jurídica legal, tiraram a presidente Dilma Rousseff. Transformaram o parlamento num colégio eleitoral”, disse a senadora pelo Amazonas.

Ela afirmou que a população ainda não teve noção que invalidaram seu voto sem razão. “Não podemos permitir que a democracia sofra esse tropeço. Nada justifica o rompimento democrático. Isso foi um golpe. O povo ainda não se ‘tocou’ de qual a verdadeira razão do golpe. A população não tem claro isso, e se lá no fundo ela pode até achar que isso tenha acontecido, ela pensa que isso seria necessário para tirar o Brasil da crise que, segundo as informações que recebe, e só recebe esse tipo de informação, a crise foi causada pela presidenta Dilma. E não foi. Nós sabemos que essa crise é cíclica do sistema capitalista e que acontece no mundo inteiro. Eles aproveitaram esse momento de dificuldade econômica e política no Brasil, numa operação de investigação de corrupção tão longeva que nunca antes nós assistimos, e numa tentativa de também jogar toda a culpa da corrupção num só partido político (PT), o que é um equívoco, pois ele é parte de um sistema, e se esse partido político da presidente Dilma está envolvido, da mesma forma e até mais está envolvido o partido do vice-presidente que hoje é o presidente usurpador Michel Temer. Eles utilizaram isso tudo pra colocar a população brasileira contra o governo.  Tomaram o poder de assalto.   O objetivo, o (senador do PMDB) Romero Jucá disse em poucas palavras naquela gravação que foi divulgada: é que o Brasil precisa de ter essa transição de um presidente não-votado porquê dificilmente alguém eleito pela população conseguirá fazer as reformas que o Brasil precisa. Ou seja, tirar direito de trabalhar, de mulheres, acabar com a saúde e a educação e encaminhar as privatizações”, analisa a senadora.

Críticas ao momento

Líder do PCdoB no Senado, e uma das maiores aliadas da ex-presidente Dilma Rousseff, a senadora criticou o atual momento político do País e que o mesmo não é realizado num momento democrático.

“Creio que essas eleições são peculiares porque não acontecem em um momento de vigência democrática no País. Pelo contrário: estão tentando utilizar essa eleição para dizer ao Brasil inteiro que está tudo normal. Mas não está. Nós tivemos recentemente a retirada de uma presidente, pelo parlamento brasileiro, sem que essa presidente tivesse cometido qualquer crime. Ou seja, tivemos um golpe, uma mudança de poder. Aqueles que entraram no poder, que assumiram a cadeira entrando pela porta dos fundos, esses aí têm o único objetivo que é promover as reformas estruturantes do País, mas são reformas não positivas nem para a Nação, nem para o povo brasileiro. Apesar de vivermos aqui um momento de ‘tranquilidade’, esse momento não é nem um pouco democrático. Só tenho a esperança de que a gente consiga, em boa parte do País, fazer com que o resultado das urnas, eles caminhem no sentido contrário desse golpe que nós estamos vivendo”, declara ela.

 Outro ponto abordado por ela, que ilustra esse pleito “atípico”, é que neste ano houve mudanças no financiamento de campanhas dos partidos. A partir destas eleições, pessoas jurídicas estão proibidas de realizarem doações para as campanhas eleitorais. A nova legislação estabelece que somente pessoas físicas doem dinheiro ou valores estimáveis em dinheiro para campanhas. O valor doado, por sua vez, está limitado a 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior à eleição.

Além disso, a campanha eleitoral foi reduzida à metade do tempo vigente até 2012, passando de 90 para 45 dias e tendo início em 16 de agosto.

“Aí a gente soma tudo isso. A mudança não veio só na proibição do financiamento privado de campanha, mas também veio no tempo do período eleitoral. Nós tínhamos em torno de 90 dias, 3 meses, e agora temos 45 dias. Não demos o tempo suficiente à população, sobretudo aos partidos e candidatos, para que eles pudessem se preparar na pré-campanha. Se você analisar os 45 dias em si, eu considero um tempo insuficiente para a campanha. Mas se formos analisar outras mudanças, como a discriminalização das pré-campanhas, aí a gente já poderia trabalhar com um tempo maior. Mas como é muito recente, nós mudamos a lei e imediatamente a mudança foi aplicada, a maior parte dos candidatos não se prepararam anteriormente. Agora, eu creio que nada pode ser justificativa para se mudar algumas regras, como por exemplo o financiamento empresarial de campanha. Precisamos evoluir para uma reforma política séria, e uma reforma política que aprofunde a democracia. Infelizmente, o que eu vejo pela frente, é uma reforma política que visa manter no cenário político nacional 3 ou 4 partidos somente. Isso não tem nada de democrático. Pretende também voltar com o financiamento empresarial de campanha. É um equívoco isso”, ressalta a líder.

Percentuais

“Nós poderíamos, dentro das regras que temos, e com mais algumas mudanças, repito: aprofunda r a democracia no sentido de garantir a não-intervenção do ente privado pessoa jurídica, e não física, porquê independente da pessoa ganhar um alto ou baixo salário, ser trabalhadora ou empresária, ela é eleitora, e pode sim interferir no processo eleitoral, contanto que haja um equilíbrio entre essa participação daquele que mais têm, para aquele que não mais têm. Ou seja, deveríamos definir um teto de doação muito mais plausível do que temos hoje, que é um percentual em cima do ganho. Pode ser um percentual, mas estabelecendo um teto, digamos, de R$ 20 mil, R$ 30 mil, algo assim, que pudesse dar um equilíbrio maior à campanha , inclusive dos candidatos, porquê a notícia que nós temos é que os candidatos mais abastados estão injetando milhões de reais nas campanhas eleitorais. Isso é desproporcional. Mas, enfim, eu espero que ao fim das eleições de hoje a gente possa, já a partir desta segunda-feira, se tudo der certo no decorrer do segundo turno, da atuação do nosso candidato número 13 José Ricardo, que o povo comece a perceber o que de fato está acontecendo no Brasil. Mais do que nunca nós vamos precisar da organização da população brasileira para não só debater, mas fazer frente a esse conjunto de medidas que estão querendo empurrar ‘goela abaixo’ em nosso País. Medidas, eu repito, nocivas ao trabalhadores, ao País como um todo. Nossa grande expectativa é promovermos um grande movimento de mobilização popular de reação a efetivação desse golpe no País”, declarou a senadora.

Ajuda possível

Vanessa Grazziotin comentou que, nesta campanha eleitoral, ajudou “no que foi possível” e crê que, fazendo um balanço, sua coligação (“Compromisso com o Povo”, que reuniu o Partido dos Trabalhadores e o PCdoB), realizou não só uma campanha limpa, mas sincera, próxima da população. “Creio que os resultados nós deveremos colher hoje. Não me impressiono e nunca me impressionei com pesquisa nenhuma porquê aqui no Amazonas, principalmente, já é histórico o fato dos resultados serem bem diferentes daquilo que apontavam as pesquisas. Então, estamos bem animados e já nos preparando para o segundo turno”, declarou a confiante cabo eleitoral do petista José Ricardo.

Pleito tranquilo

Ela comentou que esperava um pleito bem mais tranquilo em Manaus do que os distúrbios ocorridos no Maranhão, quando facções de internos de unidades prisionais, dizendo-se descontentes com a estrutura das cadeias, ordenaram que fossem incendiadas escolas e veículos do transporte coletivo de São Luiz.

“No Maranhão, essa onda de violência não está bem vinculada à questão eleitoral, mas é um Estado que tem uma história de desobediência civil e de violência. E agora eu creio que o governador Flávio Dino, que por acaso é um companheiro nosso e já foi deputado federal, é de nosso partido, tem tomado todas as medidas para conter não só a violência como também fazer com que a violência não interfira nesse processo eleitoral”, destaca ela.

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