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Vaticano requer nova acolhida para que a comunidade homoafetiva frequente a igreja

Representante do movimento LGBTT no Amazonas, Bruna La Close avalia que realmente a igreja está tentando aceitar a presença dos homossexuais nos encontros religiosos, mas que ainda há um impasse pela tradição que rege a instituição 19/10/2014 às 12:31
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Dom Sérgio afirma que igreja trabalha para reduzir o preconceito e ainda entender o universo diverso dos homossexuais
Perla soares ---

Representantes do movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais Travestis e Transexuais (LGBTT) avaliam que, apesar dos esforços do papa Francisco para aproximá-los da igreja, a comunidade ainda batalha para se sentir totalmente acolhida.

O posicionamento vem numa resposta às ações do Vaticano, empreendidas por Francisco, e a divulgação de um texto-base emitido por cardeais do mundo todo reunidos em Roma no Sínodo Extraordinário para as Famílias Difíceis, em que é proposto à igreja que se desafie a si mesma no sentido de encontrar “um espaço fraternal” para os homossexuais e divorciados sem comprometer a doutrina católica sobre família e o casamento. Numa das versões do texto, os cardeais escreveram: “Homossexuais têm talentos e qualidades a oferecer à comunidade cristã: somos capazes de receber essas pessoas, garantindo a elas mais espaço em nossas comunidades? Com que frequência essas pessoas desejam encontrar na igreja um lar em que se sintam bem”, questiona o documento, conhecido pelo nome latino “relatio”.

Representante do movimento LGBTT no Amazonas, Bruna La Close avalia que realmente a igreja está tentando aceitar a presença dos homossexuais nos encontros religiosos, os olhares de censura mudaram, mas ainda não é aceito totalmente pela tradição que rege a instituição. “A questão da igreja Católica é meio complicada, o papa assumiu, deu declarações (positivas) e depois disso observo que a comunidade começou a frequentar mais a igreja “, disse Bruna.

Para o casal Geraldo Filho Guerra, 34, e Sergio Trindade, 40, ainda é constrangedor frequentar a missa aos domingos sem se sentirem observados por alguém. “Há uma significativa mudança de tom dos padres, porém as senhoras que estão com o terço na mão não nos deixam à vontade”, comentou Sérgio.

Geraldo disse que estar envolvido na igreja não quer dizer que as irmãs e o padre convidem os homossexuais para jantares e cafés, mas sim basta um tratamento de igual para igual, um respeitar verdadeiro. “Trabalho, estudo, tenho meu companheiro e um filho do meu primeiro casamento que mora conosco. Essa é minha família, frequento a igreja porque tenho fé em Deus, e ele é bom”, disse.

Texto-base será mais discutido

O documento “relatio”, divulgado no início da segunda semana do Sínodo Extraordinário para as Famílias Difíceis, é um reflexão preliminar dos cardeais convocados pelo papa Francisco para analisar a forma como a igreja lida com questões relacionadas à família formadas por divorciados e homossexuais. O Sínodo reúne aproximadamente 250 bispos de todo o mundo e também conta com a participação de 13 casais católicos.

O texto-base propõe que a igreja desafie a si mesma no sentido de encontrar “um espaço fraternal” para os homossexuais sem comprometer a doutrina católica sobre a família e o casamento. “Serão nossas comunidades capazes de provar que é possível aceitar e valorizar as orientações sexuais, sem comprometer a doutrina católica sobre a família e o matrimônio?", questionam os cardeais.

Arcebispo Metropolitanode Manaus

O arcebispo Metropolitano de Manaus, dom Sérgio Castriani, disse que o documento, divulgado no início da segunda semana do Sínodo, foi convocado por Francisco para refletir sobre a forma como a igreja lida com questões relacionadas à famílias difíceis. “Hoje a igreja esta trabalhando para que não haja preconceitos, pré-julgamento ao homossexualismo que também é uma condição humana, muito diversificada. Muitas vezes a gente classifica os homossexuais com muita facilidade, a realidade homossexual é muito diversa, muito plural, são pessoas de boa vontade, são pessoas sérias que querem levar uma vida digna”, finalizou.

 

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