Sexta-feira, 15 de Outubro de 2021
Venda de Refinaria

Venda da Reman trará benefícios para o mercado brasileiro, afirma Petrobrás

A venda, de acordo com o diretor da empresa, é parte do reposicionamento da Petrobrás no mercado petrolífero



show_Reman-e1556324964283_37BEBC27-FBF5-4696-8FC8-2396A91FC092.jpg Foto: Divulgação
26/08/2021 às 11:53

A venda da Refinaria de Isaac Sabbá (Reman), em Manaus, nesta quarta-feira (25) pela Petrobrás é o marco do reposicionamento da empresa na região, para concentrar as atividades somente na exploração e produção de petróleo, como explicou o diretor Roberto Ardenghy.

"Não estamos saindo do Amazonas. Estamos realizando atividades de exploração de petróleo no Foz do Amazonas com grande energia. Vamos investir alguns milhões de dólares na região para ver se nós conseguimos descobrir uma nova província petrolífera na região da Foz do Amazonas, bacia de Barreirnha", declara o diretor.

A refinaria e seus ativos logísticos associados foram vendidas ao Grupo Atem pelo valor de R$ 994,15 milhões, no valor atual do dólar. A Reman é a segunda dentre as oito refinarias que estão em processo de venda a ter o contrato assinado.

O novo foco, de acordo com o diretor coloca a empresa no curso natural das petrolíferas internacionais que se especializam em determinadas áreas. Desde 2019, quando o processo de desestatização da empresa ganhou força, a Petrobrás tem direcionado os seus investimentos para exploração de petróleo em águas profundas, o que tem privilegiado a região sudeste.

"Estamos fazendo um rearranjo do nosso portfólio. Estamos deixando de investir em atividades mais tradicionais onde tenha muita sinergia. A refinaria de Isaac Sabbá é pequena para o tamanho da Petrobrás e a gente acha que podemos gerar mais valor para o Brasil e para os nossos acionistas se a gente se dedicar a uma atividade exploratória descobrindo quem sabe uma nova área petrolífera no Brasil", esclarece Roberto.

A venda das refinarias no Amazonas e na Bahia, a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), já vinha sendo uma preocupação pela devido a desassistência fornecimento de derivados de petróleo nas regiões Norte e Nordeste, o que na avaliação de especialista e do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindispetro-AM), pode encarecer o valor dos combustíveis nessas localidades.

Em nota divulgada ontem, o Sindispetro levanta ainda o fato de que a venda da Reman para a Atem, diferente do que propõem o governo com as privatizações para abrir o mercado para gerar concorrência, formará um monopólio, porém por uma empresa privada.

"A venda irá gerar impactos negativos economicamente e socialmente para o Amazonas. Entre eles, a entrega ao capital privado gerando o monopólio regional privado no Estado, aumentando as oscilações de preços dos combustíveis, já aplicados de forma abusiva devido ao PPI, e prejudicando principalmente municípios mais distantes da capital, tendo em vista que a Reman pode deixar de fazer parte de um sistema integrado como é o Sistema Petrobrás (do poço ao poste), sem risco de desabastecimento", declarou o Sindicato em nota.

Tese questionada por Ardenghy, que indica que principalmente a região Norte é privilegiada pela proximidade com outros mercados fornecedores de combustíveis.

“A gente vê esse movimento positivo especialmente para economia do Amazonas porque como a Petrobras não estava investindo muito nesse ativo de refino acabava sendo uma atividade que não estava na lista de prioridades da Petrobras e para o novo adquirente sem dividas vai ser a joia da coroa deles. As pessoas precisam entender que esse movimento é positivo porque nós vamos ter uma nova empresa refinadora e agora inclusive uma nova empresa da região amazônica”, afirma Ardenghy.

"Você vai ter mais empresas fazendo atividades e comercialização na Amazônia, quer dizer, a Petrobras vai continuar fazendo a venda de produtos na região, a Atem também, nada impede que alguém bote a venda de produtos no mercado do Amazonas. Vocês estão mais próximos do golfo do México e refinarias da região do Caribe", justifica.

Sobre o aumento dos preços o diretor da Petrobrás diz que haverá controle das boas práticas de mercado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) "para tomar os remédios necessários caso isso aconteça".

A Reman possui capacidade de processamento de 46 mil barris/dia e seus ativos incluem um terminal de armazenamento. Entre os principais produtos da refinaria estão o GLP, nafta petroquímica, gasolina, querosene de aviação, óleo diesel, óleos combustíveis, óleo leve para turbina elétrica, óleo para geração de energia e asfalto.



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