Domingo, 26 de Janeiro de 2020
PRIVATIZAÇÃO

Venda da Reman vai gerar mais empregos no AM, diz diretor da Petrobrás

A previsão de geração de postos de trabalho foi dada pelo diretor de Relacionamento da Petrobras, Roberto Ardenghy



roman_9ECC5C2C-8906-4C26-BF1D-2CDF029AAF92.JPG Foto: Antônio Lima
07/12/2019 às 08:02

O diretor de Relacionamento Institucional da Petrobras, Roberto Ardenghy, afirmou que o mercado de gás e petróleo brasileiro vai ficar mais competitivo após a privatização da refinaria Reman, situada no Distrito Industrial, Zona Sul de Manaus. Em entrevista ao jornal A CRÍTICA, o diretor afirmou que a venda da refinaria, prevista para ocorrer até 2022, vai trazer mais empregos para a região e também resultar na queda de preços dos combustíveis no país.

Segundo Roberto Ardenghy, a venda da refinaria Reman é resultado da recomendação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que determinou à Petrobras a venda de 50% das refinarias do Brasil. O diretor acrescentou que a venda de ativos da estatal tem como objetivo contribuir para a queda da dívida líquida externa da Petrobras.



“No início do ano, a dívida da empresa estava US$ 101 bilhões (R$ 418, 3 bilhões), fechamos o ano com US$ 86 bilhões (R$ 356.2 bilhões) e o nosso objetivo é chegar a US$ 60 bilhões (R$ 248, 5 bilhões). Ao atingirmos a meta, estaremos em uma relação dívida versus geração de caixa mais favorável de acordo com o padrão das outras empresas petrolíferas. A gente abate a dívida para facilitar os empréstimos”, frisou o diretor.

Roberto Ardenghy afirmou que o mercado de petróleo e gás brasileiro está passando por uma transformação e disse que a instalação de outras empresas, petrolíferas, no Brasil, por conta da competitividade, vai beneficiar os consumidores. Ele explicou que 98% no refino do Brasil é feito pela Petrobras e acrescentou que o CADE estabeleceu critérios às empresas compradoras das refinarias.  “A Reman é uma das oito refinarias oferecidas ao mercado privado. Até 2022 elas vão ser privatizadas.

O mercado vai ser mais competitivo, pois não vai ser somente a Petrobras que vai realizar o refino de petróleo. O CADE teve a preocupação de não deixar ninguém comprar todas as refinarias de uma região”, frisou o diretor, acrescentando que, por questões geográficas, as importações tendem a aumentar na Região Norte.

Ao ser questionado em relação às alterações nos preços de combustíveis, o diretor frisou que o aumento da quantidade de empresas fornecendo o mesmo produto gera oportunidade para a variedade de ofertas.

“Em países da Europa, e nos Estados Unidos, onde o mercado é competitivo, em que se tem uma concorrência muito grande de empresas, o preço está sempre se ajustando. Mercado aberto é muito melhor do que mercado fechado”, frisou.

Em relação à geração de empregos no Amazonas, o diretor afirmou que as possíveis empresas compradoras tem o perfis de alta geração de empregos porque são menores que a Petrobras.

AM tem potencial a ser explorado

Para o diretor de Relacionamento Institucional da Petrobras, Roberto Ardenghy, o Estado tem potencial a ser explorado e a vinda de outras petrolíferas vai gerar mais emprego, renda e impostos para a região.

“O óleo produzido em Urucu é considerado o mais leve que a Petrobras produz em todo o Brasil. Imaginem se a empresa que estiver prospectando em volta de Urucu tem uma descoberta importante. Isso vai trazer bons resultados naquela região”, disse Roberto.

Ardenghy esteve com o governador Wilson Lima. De acordo com o diretor, o encontro foi importante para falar sobre a visão estratégica da empresa e sobre as próximas ações que visam o impacto no mercado nacional e internacional. Ele acrescentou que a empresa, em conjunto com a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), tem grande contribuição sobre o fornecimento de gás natural utilizado na geração térmica industrial e residencial.

“O governo do Estado tem sido um parceiro importantíssimo. A Petrobras é a maior contribuinte de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado há muitos anos. Para nós, manter esse diálogo com os governadores e atualizá-los sobre os planos vindouros é muito importante”, disse o diretor.

Contraponto

Segundo Rodrigo Leão, que é economista Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), as vendas de campos produtores de petróleo no Amazonas podem aumentar a volatilidade dos combustíveis no Brasil. Ele acrescentou que, por questões logísticas, outra refinaria brasileira não tem condições de concorrer mercadologicamente com a Reman.

“Na prática, vai ocorrer a transferência de um monopólio público para um monopólio privado. Quando a gente acompanhava o histórico de preços de derivados do petróleo, com a política antiga da Petrobras, os valores eram mais estáveis e as mudanças mais espaçadas. Com as recentes mudanças, os preços parecem batimentos cardíacos, oscilando para cima e para baixo”, disse o economista.

O economista acrescentou, ainda, que após a venda dos campos no Amazonas, o mercado de combustíveis pode ficar mais dependente de importações. Além disso, o especialista afirma que a privatização vai resultar na diminuição da força de trabalho da refinaria e torná-la subutilizada.

“Essas diferenças vão alterar a estrutura da refinaria. Nem os preços e os custos de produção do petróleo são definidos pela empresa, mas pelo mercado internacional. De tudo o que a Petrobras poderia refinar, ela tem refinado 70%. E essa diferença que sobra é ocupada por importadores, que tem um comportamento ainda mais volátil”, explicou o economista.

 


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