Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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DUELO

Venezuela: Guaidó pressiona Maduro com anúncio de ajuda humanitária

Nicolás Maduro é contrário à medida pois considera que essa iniciativa abre caminho para uma intervenção militar dos Estados Unidos.


AFP
03/02/2019 às 12:02

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, o opositor Juan Guaidó, anunciará neste domingo (3) a data de chegada da ajuda humanitária ao país, desafiando o presidente Nicolás Maduro, que considera que essa iniciativa abre caminho para uma intervenção militar dos Estados Unidos.

Guaidó anunciou na véspera, em uma grande manifestação em Caracas, a instalação de centros de armazenamento de remédios e alimentos em Colômbia e Brasil, e em uma ilha do Caribe. 

"Iremos anunciar qual dia vamos receber essa ajuda" e "a abertura do corredor humanitário", para "aumentar a pressão" sobre Maduro e conseguir que "acabe a usurpação, um governo de transição e eleições livres", disse o chefe do Parlamento de maioria opositora.

A pedido seu, os Estados Unidos já estão "mobilizando e transportando ajuda humanitária" para a Venezuela, anunciou na noite se sábado no Twitter o conselheiro de Segurança Nacional americana, John Bolton.

Diante de uma multidão que comemorou o 20º aniversário da revolução chavista, Maduro chamou os opositores de "mendigos do imperialismo", pois os Estados Unidos ofereceram um montante inicial de 20 milhões de dólares em alimentos e remédios.

Guaidó, de 35 anos, disse que o próximo passo seria pedir formalmente à União Europeia (UE) ajuda humanitária e proteção de ativos para impedir que o governo de Maduro use recursos do Estado nos países do bloco. 

À meia-noite deste domingo vence um ultimato dado a Maduro por França, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Portugal e Holanda para aceitar "eleições livres" ou, do contrário, reconhecerão o opositor, como já fizeram Estados Unidos e uma dúzia de países.

Se neste domingo "Maduro não se comprometer a organizar uma eleição presidencial, consideraremos que Guaidó é legítimo para organizá-la em seu lugar, e o consideraremos presidente interino até as eleições legítimas", sustentou neste domingo a ministra francesa para Assuntos Europeus, Nathalie Loiseau. 

Em um comunicado conjunto, a União Europeia e o Uruguai, por sua vez, confirmaram neste domingo que o grupo de contato internacional sobre a Venezuela realizará sua primeira reunião em 7 de fevereiro em Montevidéu. 

O conflito político é vivido em meio a uma severa crise econômica, com a hiperinflação e escassez de alimentos e medicamentos, que levou ao êxodo cerca de 2,3 milhões de venezuelanos desde 2015, segundo a ONU. 

Para piorar, a petroleira Pdvsa está em moratória e sua produção, em queda livre, se vê agora estrangulada por sanções dos Estados Unidos que embargarão a compra de petróleo venezuelano a partir de 28 de abril.

- Fissuras na Força Armada -

Buscando frear a investida de Guaidó, Maduro disse no sábado garantir a proposta da governista Assembleia Constituinte de adiantar de 2020 para este ano as legislativas, apostando que a oposição perderá o único poder que controla.

Mas seu principal apoio, a Forças Armada, começa a mostrar fissuras. No sábado, o general Francisco Yánez, da Aviação Militar, não reconheceu Maduro, tornando-se o militar na ativa de mais alto escalão a reconhecer Guaidó. 

Bolton pediu aos militares que sigam "a liderança do general Yánez". No sábado à noite, outro general na reserva se manifestou.

Sem mencionar Yánez, Maduro disse que, sob seu comando, "a Força Armada está cada vez mais leal e comprometida", e reiterou que os Estados Unidos usam Guaidó como "fantoche" para executar um golpe de Estado.

Guaidó, que se autoproclamou presidente interino em 23 de janeiro, oferece anistia aos militares que tentarem virar a Força Armada a seu favor. "Tenho certeza de que muitos soldados vão repetir isso muito em breve", assegurou, referindo-se ao general. 

A especialista em assuntos militares Rocío San Miguel estimou que as declarações oficiais antecipam "o conflito que há dentro da Força Armada contra Maduro".

- 'Seguiremos nas ruas' -

Guaidó se autoproclamou após o Congresso declarar Maduro "usurpador", ao assumir em 10 de janeiro um segundo mandato considerado ilegítimo - também por parte da comunidade internacional - por resultar de eleições "fraudulentas". 

Maduro, de 56 anos, afirma ter o apoio da China e da Rússia, dois dos seus maiores credores.

Advertindo que este mês será "decisivo" para tirar Maduro do poder, Guaidó anunciou uma mobilização para 12 de fevereiro, no Dia da Juventude, e outra para pressionar pela entrada da ajuda humanitária. 

Em meio à polarização, a UE criará um Grupo de Contato de países europeus e latino-americanos durante "90 dias" para buscar uma saída à crise, enquanto México e Uruguai convocaram uma conferência com "países neutros" em 7 de fevereiro em Montevidéu.

Maduro pediu novamente uma negociação, mas Guaidó assegurou que não se prestará a diálogos "falsos" e que os venezuelanos "permanecerão nas ruas até que a usurpação cesse". 

Na semana passada, distúrbios deixaram 40 mortos e 850 detidos, segundo a ONU.

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