Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
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Vento soprando a favor

Há seis anos, Manaus tinha apenas duas lojas vendendo lanchas e jet-ski. Hoje são mais de seis delas. O aquecimento no setor tem se refletido na solicitação à Capitania dos Portos de carteiras de habilitação: este ano já foram expedidas 306



1.gif Lanchas de luxo em Manaus tem demanda alta. Esta Monterey 244 custa R$ 245 mil.
07/07/2013 às 13:38

As águas escuras do Rio Negro e a tranquilidade da floresta amazônica são um cenário “convidativo” para um passeio de barco, lancha ou jet-ski, principalmente aos finais de semana. O mercado náutico local que o diga. Afinal, vem registrando crescimento contínuo, a despeito de alguns percalços burocráticos que enfrenta.

O setor, claro, ainda é restrito a pessoas de alto poder aquisitivo. Explica-se: o custo com a com a compra das embarcações - sobretudo lanchas - , com a manutenção delas e com o armazenamento nas marinas é elevado. Mesmo assim, há mercado para todos os níveis de produtos encontrado na cidade. Desde um jet-ski de R$ 29.000 (preço de um carro popular), até uma pomposa lancha Monterey 340 SY, avaliada em cerca de R$ 1,2 milhão.

Para Marcelo Bandeira Moraes, supervisor de vendas da Braga Import (que atua há 6 anos no mercado náutico), o aquecimento do setor náutico pode ser medido pela quantidade de lojas do segmento que surgiram na cidade nos últimos anos. “Antes, Manaus possuia duas lojas que comercializavam lanchas e motos náuticas. Hoje, são umas sete, oito. A cidade tem mercado para tudo. Quando começamos aqui, trabalhávamos apenas com embarcações pequenas, de 16 pés. Mas a demanda cresceu. Existem muitos clientes que querem sofisticação. Há espaço para todos”, comentou. Há cerca de dois meses, a loja vendeu um modelo Monterey 340 SY à um cliente. “Lógico que não é todo dia que isso acontece (risos). Vendemos uns quatro modelos desses acima de 30 pés por ano”, revelou Marcelo.

Cautela

O proprietário da Jet Tech import, Tony Melo, adotou um tom mais cauteloso. Na visão do empresário, a carga tributária elevada e a alta do dólar estão afastando os novos clientes do setor náutico. “Em 2011 houve um aumento muito grande de impostos como o IPI por parte do Governo. Isso fez as vendas caírem muito. O brasileiro também está mais endividado e as linhas de crédito são mais restritas. Assim, hoje quase todo cliente que nos procura está querendo trocar de lancha. Aquele cliente que quer comprar sua primeira embarcação praticamente sumiu”, destacou o empresário que atua há 14 anos no setor.

Procedência

A maior parte das lanchas disponíveis em Manaus é importada. As procedências e marcas variam. Americanas, canadenses e japonesas como Bay Liner, Monterey, Regal, Sea Doo, Sea Ray e Yamaha. Montada em Santa Catarina, a Focker é a opção nacional no segmento. Ela conta com os preços mais em conta no mercado local, variando entre R$ 75 mil e R$ 105 mil. Em Manaus ainda existem náuticas que fabricam botes e lanchas em alumínio. Os preços iniciais são em torno de R$ 5 mil. Quanto aos Jet-skis, marcas como a japonesa e Kawasaki e a Sea Doo são as mais procuradas. O GTI 130 da Sea Doo, com motor de 130Hp e capacidade para três pessoas custa R$ 36 mil. Alguns modelos chegam a beirar R$ 80 mil.

Uma peculiaridade do mercado náutico na cidade são os índices quase zero de inadimplência, já que a maior parte dos consumidores compra à vista. O perfil de clientes varia entre profissionais liberais, empresários e funcionários públicos.

Marinas entupidas

O aquecimento no setor náutico, por tabela, também se refletiu nas marinas, onde quem compra lanchas e Jet-skis vaio parar, pois não convém deixar esse objetos expostos no rio Negro. O custo inicial para manter uma lancha de pequeno porte em uma marina é de um salário mínimo (R$ 678) por mês. Se o barco for maior, o preço de armazenamento também aumenta. Para Jet-skis, o custo cai pela metade. Na marina Tauá, a maior da cidade, existem 1000 vagas para lanchas. A grande maioria encontra-se ocupada atualmente. A Marina Tauá também possui uma escola náutica, onde são ministradas aulas teóricas e práticas de pilotagem. O curso tanto para lancha (arrais amador) quanto para jet-ski (motonauta) custam R$ 1.200 e podem ser parcelados em três vezes. “Ainda existe muita gente leiga no rio. Após os acidentes que aconteceram nos últimos anos, todos estão mais conscientes”, disse Raimundo Eloi Neto, instrutor e administrador da escola náutica.

Capitania pressionada

Os números do mercado náutico também podem ser medidos pela quantidade de habilitações expedidas pela Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC). Até o mês de junho deste ano, 306 carteiras de habilitação foram concedidas. No ano passado, foram 1195.

Para obtenção da CHA, o candidato primeiramente tem que se inscrever em uma das 3 Marinas/Escolas Náuticas (Marina Tauá, Escolas Náuticas Rio Mar e Vavatur) cadastradas na Capitania e cursar as aulas práticas. Este procedimento entrou em vigor em julho de 2012. A carga horária é de 6 horas práticas para arrais amador e 3 horas para motonauta. Após cumprimento das aulas práticas, o interessado receberá o atestado de embarque ou declaração de frequência de aulas práticas. Após esse processo, o candidato deverá comparecer ao Setor de Atendimento ao Público da Capitania dos Portos e apresentar documentos. Após a apresentação dessa documentação, o candidato estará apto para a realização da prova teórica, a qual é realizada todas as quintas-feiras na Capitania. Mais informações podem ser obtidas no Setor de Atendimento ao Público da Capitania, na Rua Frei José dos Inocentes, 36, Centro.

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