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Vereador que avalia pedido de cassação de prefeito do Iranduba tem casa vasculhada

Presidente da comissão que avalia o pedido de cassação do prefeito Xinaik, Jarmison Azevedo, sofre ato de intimidação no dia 31 de dezembro. Para o parlamentar, o ato tem relação com o trabalho dele no caso  02/01/2016 às 09:49
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Depois que teve a casa vasculhada, vereador Jarmison Azevedo (PTB) deixou o imóvel e “escondeu” a família
Janaína Andrade ---

Aliado de Xinaik Medeiros (Pros), o presidente da comissão que analisa a cassação do mandato do prefeito de Iranduba, vereador Jarmison Azevedo (PTB), teve a casa invadida no dia 31 de dezembro. Para o parlamentar, o ato tem relação com o trabalho dele no caso.

A invasão ocorreu um dia depois dos vereadores da Câmara Municipal de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus) aprovarem, por unanimidade, durante sessão extraordinária, o prosseguimento do processo que pede a cassação do mandato de Xinaik, que está preso há 53 dias no Batalhão de Policiamento Especial (BPE), suspeito de fraudes em licitação, lavagem de dinheiro, pagamento de propina e desvio de dinheiro público.

Jarmison contou que, desde que assumiu a presidência da comissão processante – criada em 26 de novembro para analisar pedido apresentado pelo Conselho de Cidadãos do município –, vem sofrendo ameaças. “Recebo ligações diariamente me ameaçando, são pessoas que ligam e dizem “Cuidado!”, “A gente vai te pegar!” e desligam logo em seguida, sempre de números diferentes, e também já notei estar sendo seguido por outros carros”, relatou.

De acordo com o vereador, a residência, localizada na rua Coari, lote 5, n° 7, no Residencial Amazonas, onde mora há um ano, foi invadida entre 17h40 e 20h do dia 31. “Entraram pela porta dos fundos da casa, e saíram arrombando as outras, quebrando fechaduras, estavam atrás de documentos da comissão, mas não levo nada da Câmara Municipal para casa, tanto é que levaram outros papéis que acharam, mas são documentos pessoais”, disse Jarmison.

O relatório prévio da comissão processante, apresentado no dia 30 de dezembro, decidiu pelo prosseguimento do processo que pede a cassação do mandato de Xinaik. O parecer, seguido pelos demais parlamentares, era necessário para que fosse iniciada a segunda fase do trabalho da comissão – a instrução processual. Neste estágio, Xinaik deverá ser chamado a prestar explicações, além de outras testemunhas do caso.

“Essa ação criminosa não irá me amedrontar, pelo contrário, agora me sinto mais motivado neste trabalho e em continuar à frente da Comissão”, afirmou Jarmison que, apesar de se dizer motivado à frente da comissão, irá na segunda-feira (4) acionar o Ministério Público Estadual (MP-AM) e solicitar segurança para ele e a família.

Azevedo registrou boletim de ocorrência no 31° Distrito Integrado de Polícia (DIP) de Iranduba. A reportagem tentou ouvir o titular do DIP, delegado Paulo Mavignier, através do telefone 984xxxx66, mas não foi atendida.

Operação Cauxi levou 13 à prisão

O Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra 13 pessoas presas, no dia 13 de novembro, na Operação Cauxi, deflagrada para desarticular organização criminosa suspeita de cometer crimes de corrupção que causaram prejuízos de mais de R$ 56 milhões e deixou o município com serviços essenciais funcionando de forma precária. Caso seja recebida, pelo TJ-AM, os suspeitos passarão a ser réus. De acordo com o MPE, o prefeito afastado Xinaik Medeiros e o ex-secretário de Finanças David Queiroz são considerados chefes da organização suspeita de ter desviado recursos em benefícios próprios.

Xinaik foi denunciado pelos crimes de participação em organização criminosa, crime de responsabilidade, fraudes em licitações, e lavagem de dinheiro. Se for condenado por todos os crimes poderá pegar pena entre 19 a 55 anos de prisão.

David Queiroz foi denunciado pelos crimes de participação em organização criminosa, concussão, que é obter vantagem em função de cargo público, fraudes em licitação, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Se condenado poderá receber pena semelhante a do prefeito afastado.

A tesoureira do Fundo Municipal de Saúde, Nádia Medeiros, irmã do prefeito Xinaik, completa o primeiro escalão da organização criminosa. Nádia atua diretamente na organização criminosa, por meio das licitações.

Acusação

Em novembro, o MPE denunciou o prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros, e mais 12 pessoas à Justiça. Contra Xinaik pesa a acusação de participação em organização criminosa, crime de responsabilidade, fraudes em licitações, e lavagem de dinheiro. A maioria dos vereadores de Iranduba recebiam um ‘mensalinho’ do prefeito Xinaik Medeiros. O presidente da Casa, Paulo Bandeira (PSD) e os vereadores Antônio Gerlande (PTN) e Antônio Alves (PT) foram presos pela Polícia Federal na ‘operação Dízimo’.


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