Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
Política

Vereadora Ana de’ Carli diz ter sido agredida por esposa de segurança do prefeito de Maués

Ana de’ Carli (SD) chegou a assumir o cargo de prefeita na quinta-feira (15), mas poucas horas depois foi notificada da liminar que determinou o retorno de Carlos Góes ao cargo de prefeito do município



16/12/2016 às 21:39

Uma grande multidão foi até a prefeitura de Maués, distante 259 quilômetros de Manaus, no início da tarde de quinta-feira (15), acompanhar e protestar a favor da saída da vereadora Ana de’ Carli (SD) do comando da gestão do município. À reportagem, ela disse ter sido agredida pela esposa de um dos seguranças do prefeito de Maués, Carlos Goés (PT), que foi afastado do cargo na última terça-feira (13) pela Câmara Municipal, acusado de desviar R$ 23 milhões do Sistema de Previdência Municipal.

Ana de’ Carli (SD) chegou a assumir o cargo de prefeita, mas poucas horas depois foi notificada da liminar da desembargadora Socorro Guedes, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), garantindo o retorno de Goés ao cargo. A representante do judiciário determinou que Ana deixasse a prefeitura com urgência e determinou o uso de força policial caso fosse necessário. Na decisão, alegou que a Câmara não deu direito ao prefeito de se defender da acusação.


Marca agressão que Ana de’ Carli afirma ter sofrido no braço. Foto: Arquivo pessoal

De acordo com a vereadora, as pessoas presentes em frente à prefeitura eram ligadas e simpatizantes da gestão de Carlos Goés. “Já tivemos a queima do cartório de Maués incitado por políticos, então a preocupação da Polícia Militar e da Polícia Civil era que isso pudesse acontecer novamente. Nessa preocupação, o comandante da PM formou uma equipe e colocou dois carros para fazer o contingenciamento, e eu pudesse sair. As pessoas estavam gritando e falando palavras de baixo calão”, contou.

“Eles [policiais] sabiam que as pessoas não iam aceitar a minha saída, então formaram um cordão de isolamento, mas, no momento da minha saída, a senhora Edilene [Pereira dos Santos], esposa do Wanderley [Viana Barroso], segurança do prefeito Carlos Goés, furou o cordão e partiu para cima de mim. Ela tentou me agredir no rosto, mas levantei o braço e ele foi atingido. Tive escoriações e meu braço ficou roxo. O médico não soube identificar no laudo se foi usada unha ou algum objeto cortante por ela”, acrescentou Ana, que também é presidente da Câmara Municipal, e está reunindo todos os materiais referentes ao ocorrido para entrar com uma ação civil por danos morais contra a agressora.

Segurança garantida

Procurado pela reportagem, Carlos Goés disse desconhecer a denúncia de agressão e informou que disponibilizou todos os seus seguranças para fazer a escolta da vereadora. “Quando percebi que a multidão estava revoltada, liguei e coloquei todos os meus seguranças para fazer a escolta dela, para que não fosse agredida. Estavam ali funcionários públicos revoltados”, declarou.

“De maneira ilegal [os vereadores] aprovaram um requerimento na calada da noite referente ao meu afastamento. [...] Isso provocou a ira tanto dos meus simpatizantes quanto dos simpatizantes deles, porque o que fizeram prejudicou o pagamento dos salários de todos. Por isso, a população foi para frente da prefeitura”, complementou, informando que após a saída de Ana de’ Carli solicitou o desbloqueio das contas da prefeitura e tomou a decisão de pagar o 13° salário e o ordenado do mês de dezembro de todos os servidores.

Ainda segundo Goés, todos os contratos, os transportadores e os operadores que prestam serviços à prefeitura serão pagos a partir de segunda-feira (19). Todas as pendências devem ser finalizadas até quarta-feira (21).

Desvio de recursos

Sobre a acusação de ter desviado R$ 23 milhões do Sistema de Previdência Municipal, ele disse que acredita ter causado a raiva do grupo político de oposição ao ter anunciado que pagaria todos os servidores e contratos até o término do seu mandato, marcado para o dia 31 de dezembro deste ano.

“O que ocorreu é que perdi as eleições para o grupo dela [Ana de’ Carli]. Uma vez perdendo, eu tenho que organizar toda a prefeitura para entregar ao próximo gestor. Imagino que eu tenha provocado a ira deles ao anunciar o pagamento do 13° salário e do ordenado dos servidores, aposentados, contratos, fornecedores, entre outros, do mês de dezembro. Isso causou uma certa preocupação para eles porque estou honrando com todos os compromissos da prefeitura”, finalizou Goés, que perdeu o pleito deste ano para Júnior Leite (Pros).

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