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Vereadores avaliam movimento popular que quer reduzir salários em 86%

Após iniciativa do movimento popular 'Poder do Voto' coletar assinaturas visando a redução de despesas na Casa, alguns parlamentares já se posicionaram contra as ideias propostas, caso virem projetos de lei 05/04/2016 às 11:50
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Para Elias Emanuel, manter os salários altos contribui para que conspirações não aconteçam (Foto: Tiago Corrêa/CMM)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

A possibilidade de um corte salarial de 86% e a extinção de benefícios têm assustado os vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Após iniciativa do Movimento popular ‘Poder do Voto’ coletar assinaturas visando a redução de despesas na Casa, publicado em A CRÍTICA neste domingo (3), alguns parlamentares já se posicionaram contra as ideias propostas caso elas se transformem, de fato, em projetos de leis.

De volta às atividade parlamentares após 11 meses como titular da Secretaria Municipal de Administração, Planejamento e Gestão (Semad), o vereador Gilmar Nascimento (PDT) acredita que diminuir o salário dos vereadores de R$ 15 mil para R$ 2 mil é algo desproporcional.

“A questão é melhorar a qualidade do serviço dos parlamentares pra dar mais resultado. Com certeza muitos debates vão acontecer, mas a esfera competente de discussão desse projeto é o Congresso Nacional”, disse.

Para o vereador Sildomar Abtibol (Pros), a diminuição deve desestimular o interesse das pessoas pela política. “Vai diminuir e muito o interesse das pessoas em participar de eleições. Acha que servidor gostaria de trabalhar sem salário? Todos nós queremos sempre ganhar alguma coisa a mais. O funcionário todo ano busca ter um aumento de salário. Eu penso que nessa discussão de salário de vereador, é um momento complexo porque vai ter que mudar as leis existentes", disse.

'De cima para baixo'

Presidente da CMM, o vereador Wilker Barreto (PHS) acredita que a crise econômica que assola o País não possui relação com os gastos dos parlamentares. Segundo ele, a mudança precisa ocorrer “de cima pra baixo”. 

“O povo hoje questiona os serviços públicos. Se o problema do Brasil fosse só baixar o salário do vereador, estaria fácil de resolver. Precisamos tratar a política de uma forma pequena no meio disso tudo”, comentou.

Na avaliação do vereador Elias Emanuel (PSDB), a discussão sobre a redução salarial necessita envolver as funções de todos os poderes, como ministros, desembargadores, conselheiros, senadores e deputados.

Ele explica ainda que manter os salários altos contribui para que conspirações não aconteçam. “A discussão tem que ser ampla pra todos. Prefiro que o parlamentar e grandes cargos sejam bem remunerados e consigam estar cada vez mais distantes dos conchavos e dos acordos espúrios do que o contrário”, declarou Emanuel.

Favorável à ideia, o vereador Professor Bibiano (PT) disse que a proposta é um reflexo da falta de confiança da sociedade no parlamento. “O fato da sociedade não se ver representada nesse parlamento é que faz com que se organize para propor a redução de salários. Tudo que vier como propositura de iniciativa popular eu vou aprovar nessa casa”, afirmou o vereador Bibiano.

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