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Cotidiano
Bastidores

'Vestidos para votar', eles capricham no momento único e importante: a eleição

Na hora do voto, as pessoas mais experientes usam geralmente as suas melhores roupas para exercer o direito cívico de forma o mais apresentável possível, primando vez por outra pela elegância 30/10/2016 às 18:19 - Atualizado em 30/10/2016 às 18:20
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Seu Elias Silva é do tempo que os pais e irmãos votavam com paletó e gravata / Fotos: Evandro Seixas
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Para pessoas como os nossos avós o dia da eleição é uma hora sagrada, digna de uma produção até para a hora de se vestir. Na hora de votar, essas pessoas mais experientes usam geralmente as suas melhores roupas para exercer o direito cívico de forma o mais apresentável possível, primando vez por outra pela elegância. Demonstrando consciência, eles guardam uma das essências fundamentais de cada eleitor: saber que são importantes dentro de uma coletividade.

Se produzir um pouco mais para o momento da eleição foi o que fizeram as irmãs Iêda, 62, e Tereza Miranda, 72, que foram votar na manhã de ontem no centenário Colégio Estadual Dom Pedro 2º, na avenida Sete de Setembro. Em um dos mais tradicionais redutos eleitorais da capital amazonense, elas se produziram um pouco mais para estarem mais belas para entrar na seção do Colégio Estadual.

Por sua vez, dona Tereza estava vestida com uma casaquinho e calça de seda preta, mais uma camiseta de listrado preta e dourada de algodão. A combinação estava impecável e agradava para um dia de temperatura amena, como o que fazia ontem em Manaus.

“Para nós a votação representa termos que prestar uma homenagem mesmo sem querer, mas querendo, para o País, pra ver se ele melhora mais”, comentou ela.

A irmã Iêda - que usava um vestido florido com um cinto de detalhes dourados, e batom na tonalidade rosa mate - disse que andar produzida, para ela, é uma coisa normal. “Eu só ando assim, pra mim é normal”, disse ela, ao passo que ambas são moradoras da avenida Eduardo Ribeiro, no Centro Histórico da cidade, mas que votam no Colégio Estadual Dom Pedro 2º há cerca de 6 anos.

De vermelho

O pedreiro Elias Peres da Silva, 74, é daquelas pessoas que a gente percebe ao longe. De andar calmo e compassado, ele foi votar ontem na Escola Estadual Eldah Bitton Teles Rocha, mais conhecida como “Quarentão”, na Compensa, Zona Oeste, uma das maiores zonas eleitorais da capital.

Seu Elias conta que é de um tempo onde os mais antigos iam votar de paletó e gravata. Neste domingo, ele estava todo estiloso com uma camisa vermelha de algodão, com calça creme, um cinturão preto e um confortável tênis branco.

“Quando eu era garoto meu pai e meus irmãos iam votar de paletó na eleição”, diz ele, que é natural do Município de Tefé (a 525 quilômetros de Manaus) e está há mais de 50 anos em Manaus.

“Votar é uma coisa importante para todos. Neste mundo em que vivemos hoje temos que votar. Eu, como já tenho essa idade, não preciso mais votar, mas creio que os mais os jovens, as moças e rapazes que estão chegando agora, e crescendo, eles precisam votar, ser documentados”, disse o estiloso eleitor, que é evangélico. “Eu tenho que ser diferente, e a Bíblia diz que temos que mostrar sermos diferentes em qualquer lugar, seja na conversa, na veste, etc.”, comenta o pai de 16 filhos, quase 40 netos e 5 bisnetos.

Pólo

O funcionário público José Pereira, 66, adotou o estilo de camisa pólo em listras horizontais vermelhas e azuis, calça preta e sapato preto bico fino (o calçado parecia ter saído daquela hora do engraxate de tão brilhoso que estava). Ontem, ele foi eleger o novo prefeito na Escola Estadual Antônio Encarnação, no Lírio do Vale, Zona Oeste.

“Pra mim a importância de votar é sempre buscar melhoras para a cidade de Manaus, melhorar a infra-estrutura das calçadas, que não existem, nem tampas de bueiro direito, etc. Tudo você deve ter disciplina, coisa que não existe mais hoje. As crianças não respeitam mais os mais velhos, pais, avós, e os Direitos Humanos dão razão para tudo isso. Estão criando cobras para morder a gente”, disse o manauense, que é filho de cearenses.

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