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Cotidiano
CRIME

Viatura descaracterizada da Polícia Civil é incendiada no município de Manicoré

Delegado do município, Jardel Rodrigues de Oliveira, acredita que o incêndio criminoso tinha o objetivo de matá-lo 01/08/2017 às 18:25 - Atualizado em 01/08/2017 às 18:42
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Delegado contou que estava dormindo quando ouviu o barulho do carro pegando fogo (Foto: Divulgação)
Kelly Melo Manaus (AM)

Uma viatura descaracterizada da Polícia Civil foi incendiada no município de Manicoré (a 333 quilômetros ) na manhã de ontem. Para o delegado do município, Jardel Rodrigues de Oliveira, o incêndio criminoso tinha o objetivo de matá-lo.  Ainda segundo o delegado, policiais militares podem ter sido os mandantes do atentado. Em menos de um mês, este é o segundo caso de atentado à delegados no interior do Amazonas. 

Procurado por  A CRÍTICA, Jardel Oliveira contou que estava dormindo quando ouviu o barulho do carro, uma Voyage de placas PHF 5346, incendiando. Testemunhas também relataram que  viram dois rapazes armados nas proximidades no início da manhã. “Eles colocaram fogo no carro e aguardavam que eu descesse para me matar”, disse Oliveira. O veículo ficou totalmente destruído. 

O delegado está no município desde janeiro e acredita no envolvimento de policiais militares no atentado contra ele. Segundo Jardel, recentemente cinco PMs foram indiciados e outros quatro devem ser indiciados até o fim da semana. “A gente vem trabalhando e descobrimos o envolvimento dessas pessoas em crimes de tortura, corrupção, abuso de autoridade e outros crimes. Além disso, já cheguei a pedir a prisão preventiva de três policiais, mas a Judiciário não acatou”, contou ele. 

Jardel Oliveira também informou que nas duas últimas semanas recebeu bilhetes em tons de ameaças, o que preocupa ainda mais a estadia dele no município. “A gente fica preocupado porque estamos realizando apenas o nosso trabalho”, afirmou. 

De acordo com o delegado, os dois homens vistos nas proximidades o hotel onde ele mora ainda não foram identificados. Hoje, uma equipe formada por um delegado, investigadores e um perito desembarca  no município para investigar o caso. “Ainda não podemos adiantar nada porque a equipe ainda vai chegar no município para apurar os fatos”, informou o diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), Mariolino Brito. 

Sem viatura

Conforme o delegado Jardel Oliveira, com a perda da viatura que era utilizada por ele, a delegacia ficará apenas com um veículo para executar os trabalhos do Distrito Interativo de Polícia de Manicoré. “Nós tínhamos três viaturas, mas emprestamos uma à PM que foi devolvida sem condições de uso. A minha foi incendiada e agora ficamos só com uma outra viatuara”, lamentou ele. A equipe da Polícia Civil em Manicoré é formada apenas pelo delegado e por um investigador.  

Situação preocupante

Para o secretário de Segurança Pública, Sergio Fontes, a situação no interior do estado é preocupante. Mas, de acordo com ele, todos os casos de ataques e atentados à policiais no interior tem sido esclarecidos e os responsáveis pelos crimes, presos. 

“O aumento de  efetivo no interior seria medida recomendável nestes casos. Evitar a impunidade é o melhor remédio em qualquer caso”, afirmou o secretário Sérgio Fontes ao falar sobre a necessidade de realizar um novo concurso público. 

A Associação de Delegados de Polícia do Estado (Adepol-Am), estima a ausência de pelo menos 600 policiais para atender as delegacias do interior, dado este que não foi confirmado pela Polícia Civil.

Outros casos

No mês passado, o delegado de Guajará, Paulo Jorge Gadelha, também foi vítima de um atentado quando o veículo dele foi incendiado. Os criminosos ainda tentaram atear fogo na casa do policial civil, onde ele dormia com a esposa e filho, mas não conseguiram. 

Em menos de uma semana, quatro pessoas foram identificadas e presos por terem envolvido no atentado contra o delegado. O mandante do crime  foi identificado como José Vagner Silva de Souza, o “Pastor”, que contratou Francisco Silva Pinheiro, o “Nego”,  Antônio Laene Silva do Vale, o “Laene”, e Jonatha da Silva e Silva  para atear fogo no carro e na casa do delegado. 

Em junho, um homem foi preso e um adolescente foi apreendido em Tapauá (a 449 quilômetros de Manaus) por atearem fogo em uma viatura da Polícia Militar. A ação teria sido executada por bandidos como forma de represália à prisão de traficantes que atuam na cidade.  

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