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Vice-governador faz críticas a prefeitos do Amazonas

Em evento do PSL, Henrique Oliveira prometeu parceria e afirmou que entra e sai prefeito em Manaus e a cidade continua a mesma  14/08/2015 às 09:23
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O vice-governador Henrique Oliveira (à direita) participou ontem, na ALE-AM, da convenção estadual do PSL que reconduziu o ex-deputado estadual Tony Medeiros à direção da legenda no Amazonas
Natália Caplan ---

O ex-deputado estadual Tony Medeiros foi reconduzido por aclamação à presidência do Partido Social Liberal (PSL), ontem, durante convenção estadual realizada na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM). Na ocasião, ele ainda foi confirmado como pré-candidato à Prefeitura de Manaus, em 2016, pelo secretário geral nacional da sigla, Roberto Siqueira. Presente no evento, o vice-governador, Henrique Oliveira (SDD), acenou com a possibilidade de também concorrer ao cargo municipal, e fez críticas aos gestores que passaram pelo cargo.

Convidado a participar do encontro, o vice-governador teve a oportunidade de discursar aos cerca de 150 presentes. Além de exaltar a filiação partidária como uma demonstração de compromisso das pessoas com a política e enfatizar que “quem quiser enriquecer por meio do mandato” deve desistir da carreira, ele deu sinais de que deverá se candidatar novamente à Prefeitura da capital. Em 2012, conseguiu um total de 156.648 votos válidos, o equivalente a 16,46% e ao terceiro lugar da disputa.

“Do que depender do Solidariedade, estaremos juntos no futuro. Vamos estar juntos para dar as mãos e, passo a passo, ao caminho certo, para ter representação dos poderes Legislativo e Executivo. E, quem sabe, ano que vem, tenhamos uma surpresa muito grande e possamos estar juntos aí, em uma peleja, que é necessária para renovação e oxigenação de um município como Manaus, que enfrenta tantos problemas e que foi muito maltratada. São mais de 12 anos, que entra prefeito e sai prefeito e as coisas continuam do mesmo jeito”, declarou.

Estratégia

“Nesse momento, o PSL reúne para ter uma candidatura própria. A Estadual tem o aval da Executiva Nacional para isso. É um momento de articular, organizar o partido, de crescer”, declarou Tony Medeiros, ao ressaltar que a estratégia para fortalecer a legenda no Amazonas é conquistar novos membros atuantes. “Tudo começa pela filiação. Temos 5.337 filiados e nosso projeto é dobrar o número de filiados nos próximos dois meses. Vamos construir um alicerce na base, na eleição municipal, eleger maior quantidade de vereadores”, completou.

Representante nacional do PSL na convenção, Roberto Siqueira anunciou o “desafio” que o presidente estadual da legenda terá na briga pela candidatura para prefeito no próximo ano. Ele elogiou o ex-deputado, alertou os filiados para combater mentiras e conflitos internos; e enfatizou a importância de ouvir o povo e seguir os princípios da sigla. “A ideologia do partido é o social liberal. Respeitar, ouvir as pessoas. Ser, de fato, representantes, não fazer projetos sociais, mas pensando no bem estar da sociedade”, afirmou o secretário geral.

Blog: Massami Miki, vereador em Manaus pelo PSL

“O PSL tem os projetos maiores ‘a nível’ de Câmara dos Deputados. Se for aprovada a minirreforma política que está sendo feita — na verdade, minirreforma eleitoral; há uma diferença muito grande —, se passar justamente que o partido que não tenha nove deputados federais, não terá um fundo partidário e não terá o tempo na televisão. Isso vai dificultar a sobrevivência dos pequenos partidos. Então o PSL precisa buscar novos quadros, buscar novos entendimentos para que possamos fazer um projeto 2016 mais ousado. Eu que já fui deputado federal pelo PSL, o terceiro pelo partido a nível nacional — pouco tempo, mas fui —, ‘bati na trave’ e gostaria de poder ajudar o partido a crescer”.

Lista de pré-candidatos é grande

Até o momento, pelo menos oito nomes deram sinais de que entrarão na briga eleitoral pela Prefeitura de Manaus no próximo ano. O atual dono do cargo Artur Neto (PSDB), em busca da reeleição; a deputada estadual Alessandra Campelo (PCdoB), a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), o vice-governador Henrique Oliveira (SDD), o ex-deputado estadual Marcelo Ramos (sem partido), o deputado federal Marcos Rotta (PMDB), a ex-deputada federal Rebeca Garcia e o deputado federal Hissa Abrahão (PPS).

Derrotada em 2012, no segundo turno para o atual prefeito, Vanessa recebeu 311.607 votos (34,05%). Surpresa em 2014, com o terceiro lugar na disputa para administrar o Estado, Marcelo Ramos alcançou a preferência de um total de 179.758 eleitores (10.94%). Atualmente, procura um novo partido para se filiar.

Rebecca desistiu da candidatura para a gestão municipal na última hora, em 2012. No ano passado, foi vice na chapa do atual ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), derrotado no segundo turno das eleições para o governador por José Melo (Pros) — de quem Henrique Oliveira é vice-governador.

Henrique: ‘Gostaria de ter o poder’

Um dia antes de falar em “uma surpresa muito grande” em uma “peleja” no próximo ano de eleição, demonstrando a possibilidade real de se candidatar à Prefeitura de Manaus, o vice-governador, Henrique Oliveira (SDD), disse que não tem nenhuma dívida com o atual prefeito, Artur Neto (PSDB). Antes, declarou querer tal poder para efetuar as mudanças necessárias e atender às demandas da sociedade.

“Ele ainda tem um ano e meio para terminar o governo, para que possa resolver os problemas da cidade. Pode ser que ele me convença que, daqui a um ano, antes da convenção do meu partido para prefeito, consiga resolver as demandas. Se for resolvido, eu posso até chegar ao ponto de apoiá-lo. Se não forem resolvidas, acho que a gente precisa buscar novos nomes. Eu gostaria muito de ter o poder, de ter a caneta para resolver os problemas”, afirmou o vice-governador.

“Dizer para um ente político como eu — já fui vereador e deputado federal, sou vice-governador — se eu não gostaria de ter a possibilidade de ser prefeito, de ter o comando da caneta que resolve esses problemas, seria uma hipocrisia”, completou.


Regras

Os interessados em concorrer aos cargos de vereador e prefeito devem estar atentos aos prazos para viabilizar a candidatura. Para ser candidato, é necessário ser eleitor, com domicílio eleitoral na circunscrição há pelo menos um ano, ser filiado a um partido. As Eleições para os cargos de vereador, prefeito e vice-prefeito do próximo ano serão realizadas no dia 2 de outubro, primeiro domingo do mês. As exigências acima mencionadas devem ser atendidas até o mesmo dia de outubro deste ano.

Três perguntas para Roberto Siqueira, Secretário nacional do PSL

1 Qual é a prioridade do PSL no momento?

Estamos fazendo uma grande reformulação. Nosso objetivo maior é a Câmara Federal, em 2018. Nossa expectativa aqui, no Amazonas, não pode ser diferente. Espero que tenhamos bons resultados em 2016. Sob o comando do Tony, o partido está muito bem encaminhado e, seguramente, teremos alguns nomes para fazer deputados estadual e federal aqui, no Estado.

2 Os filiados estão atentos às bandeiras do partido?

Cada Estado tem a sua forma de ser. No caso do Amazonas, sabemos do potencial que é a Zona Franca de Manaus [ZFM]. Queremos que os nossos representantes estejam atentos a isso. Nós tivemos situações atípicas em alguns Estados, onde tivemos que trocar o comando, porque eles estavam indo contra aquilo que se prega no partido e o interesse do povo. A ideologia do partido é o social liberal. Respeitar, ouvir as pessoas. Ser, de fato, representantes.

3 Como o partido vê o atual cenário de crise?

A gente acompanha essa crise política com tristeza. Quem perde com isso é o País. Mas não vejo que o impeachment seja a solução. A grande realidade é que o País está estagnado. Acho que a solução é nós, do meio político, revermos alguns conceitos. Não se faz política na base da barganha. Esse é o maior problema do Brasil. ‘Eu faço isso e você me dá aquilo’. Não é essa a política que queremos para o nosso País. A solução é que os políticos, independentemente de sigla partidária, se unam em prol do nosso País.


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