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Vida de Marco Archer vai virar documentário

A vida do brasileiro, executado na Indonésia no último sábado (17), vai virar um documentário produzido pelo amigo de infância Marcos Prado 18/01/2015 às 22:54
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Marco foi o primeiro brasileiro executado no exterior
Camila Leonel Manaus (AM)

A vida do brasileiro Marco Archer vai virar um documentário, dirigido pelo cineasta Marcos Prado, que era amigo do brasileiro. Archer, que foi executado no último sábado (17) na Indonésia por tráfico de drogas, era carioca e neto de amazonenses. A história dele já foi contada no livro “Snowing in Bali”, da jornalista australiana Kathryn Bonella, ainda não publicado no Brasil.

A jornalista viajou para a Indonésia em 2004 e mudou-se para Bali para acompanhar o drama da australiana Schapelle Corby – presa no aeroporto de Denpasar com quatro quilos de maconha – e escrever um livro sobre o caso. O nome do livro, “Snowing in Bali” (Nevando em Bali, em tradução livre) é uma referência à gíria usada pelos traficantes para avisar de carregamentos de cocaína recém chegados na ilha de Bali. Muitas das histórias presentes no livro têm fatores em comum: surfistas apaixonados por ondas e aventuras que entram no tráfico para sustentar o estilo de vida extravagante que levam.

Uma dessas histórias é a de Marco Archer, apelidado de Curumim, preso em 2003 após a polícia indonésia achar, no aeroporto de Jacarta, com 13 quilos de cocaína escondidos nos canos da asa-delta. Ao revistar o equipamento, um agente da imigração percebeu que o cano da asa-delta, desmontado em sete bagagens, não estava oco. Quando notou que seria pego, Marco saiu correndo pelo aeroporto para fugir da polícia.  Fora do terminal, ele pulou na traseira de uma moto, foi até o terminal doméstico, tomou um táxi e, em seguida, desapareceu em Jacarta. No dia seguinte ele pegou um ônibus para Bali. Após duas semanas, ele foi preso na ilha de Subawa.

A droga era proveniente do Peru de onde Archer partiu com o carregamento e em seguida, tomou um barco ao longo do Rio Amazonas no Brasil. Ele ainda passou uns dias em Manaus, na casa de sua avó, para em seguida tomar um voo do Aeroporto de Guarulhos para Jacarta, rumo a Bali, seu derradeiro destino. Preso, Archer confessou o crime e foi condenado à morte um ano depois.

Veterano no tráfico internacional

Ser instrutor de asa-delta é mais um hobby, mas a principal atividade que financiou sua vida por anos foi o narcotráfico. Desde os 16 anos, quando o brasileiro conheceu Pablo Escobar, chefe do cartel de drogas colombiano, durante uma competição na Colômbia, o jovem alegre e esperto passou a usar suas habilidades para traficar substâncias ilegais para vários lugares do mundo.

Em um dos trechos do livro, Marco se gabava de ter ido para vários países levando droga e curtindo uma vida luxuosa às custas do narcotráfico. “Eu participo de competições em qualquer parte do mundo e sempre trago narcoba [drogas]“, diz ele. “Eu transporto cocaína para os Estados Unidos, a Itália, a Espanha, a Portugal, Suíça, Alemanha, Austrália e vários otros lugares. Eu sou um campeão brasileiro, então quando eu venho, eles verificam, mas eles realmente não verificam da forma correta”.

Na Indonésia, o tráfico de drogas é um crime punido com pena de morte e a resolução do governo é aprovada por cerca de 70% da população. Apesar dos riscos, muitas pessoas se aventuram a traficar drogas, principalmente para a ilha de Bali, reduto de surfistas em buscas de ondas perfeitas, drogas e mulheres. Pela dificuldade que é entrar com droga no País, a cocaína é negociada a altas quantias de dinheiro, que atrai traficantes para aquela região.


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