Sábado, 24 de Julho de 2021
ARQUITETO DA AMAZÔNIA

Vida e Obras do arquiteto Severiano Porto retornam ao Amazonas

Acervo pessoal do 'Arquiteto da Floresta', como era conhecido, foram doados por sua família e ficarão sob guarda da Universidade Federal do Amazonas (Ufam)



severiano-1-768x511_F6CF7036-A5DA-4D2C-8897-8DF79EA37346.jpg Foto: Divulgação
12/03/2021 às 15:02

Desenhos, projetos, documentos, fotografias originais bem como as premiações recebidas por Severiano Porto ficam agora sob a guarda do Núcleo Arquitetura Moderna na Amazônia (NAMA) da Faculdade de Tecnologia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Doados pelos familiares de Severiano a partir da assinatura de um termo, o acervo pessoal de aproximadamente 500kl do arquiteto chegou a Manaus no último dia 5/3.

A doação foi resultado de uma negociação junto a família do grande arquiteto Severiano Porto que residiu na cidade de Niterói/RJ e lá faleceu dia 20 de dezembro vítima de complicações causadas pela Covid 19.



Para o arquiteto e urbanista professor Dr. Marcos Cereto, um dos responsáveis pela assinatura do termo e pela busca do acervo, afirma que isto é uma enorme conquista história e cultural para as novas gerações de profissionais do Amazonas.

"Retornar o acervo a Manaus é proporcionar as novas gerações de arquitetos amazonenses a possibilidade de conhecer obras icônicas que foram demolidas recentemente. Com o acervo, permanecerão disponíveis os projetos, fotografias e documentos para que possamos olhar para o futuro com essa bagagem de valor inestimável para a nossa cultura", conta Cereto.

Vale lembrar que em 2016, por iniciativa da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) com envolvimento do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), diversas de suas obras foram tombadas, por ser de interesse arquitetônico, histórico e cultural. Entre elas: o Fórum Henoch Reis, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a Sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), o Banco da Amazônia e o Centro de Proteção Ambiental de Balbina, hoje em ruínas.

Segundo o presidente do CAU/AM arquiteto e urbanista Jean Faria, diz que além de ser uma aquisição importante para a comunidade cientifica do estado reforça a presença de Severiano Porto na história da região amazônica.

 “O Conselho de Arquitetura recebe essa notícia com muita satisfação. Severiano foi responsável por conceber um modelo único de arquitetura amazônica e sustentável, ele foi pioneiro em unir as técnicas desenvolvidas por ribeirinhos e caboclos com as mais modernas e inovadoras criações”, disse Faria.

Em 2017, o CAU/AM promoveu a 1ª Edição da Exposição Fotográfica ‘Severiano Mário Porto’, por iniciativa da Comissão de Política Profissional, Política Urbana e Ambiental (CEPUA), com o objetivo o resgate de seu importante legado. Os arquitetos e urbanistas Gonzalo Renato Nunez Melgar e Heraldo Costa dos Reis e a fotógrafa Iuçana Mouco assinaram a exposição, que reuniu as principais obras do arquiteto e urbanista na Amazônia. 

Outras homenagens foram prestadas pelo CAU/AM em 2018, 2019 e em fevereiro de 2020, na passagem dos 90 anos do arquiteto, com a realização de mostras e palestra sobre sua obra.

Além da participação do Professor Dr. Marcos Cereto a missão cientifica teve a presença do Diretor da Faculdade de Tecnologia Dr. João Caldas do Lago Neto e a viabilidade institucional e logística da Reitoria da (UFAM) com o Reitor Dr. Sylvio Puga.

Nos documentos, projetos (Campus da UFAM, Sesc no Pantanal, SUFRAMA, em Balbina, em Silves entre outros) e fotografias (construção do estádio Vivaldo Lima, construção do bairro da Compensa entre outros) estão registros de parte da história dos grandes feitos do arquiteto Severiano Porto no Amazonas, tendo em vista que muitas obras do próprio arquiteto já não existem mais. 

"Por isso, é uma oportunidade de mantermos viva a referência de uma arquitetura de qualidade que se distinguiu no Brasil e no Mundo. Severiano vai além de uma importância para a arquitetura, é importante para a cultura amazônica", conclui Cereto.

A segunda etapa é a catalogação de todo o acervo e após esse processo técnico se terá dimensão do quantitativo de objetos doados. Este processo dependerá da situação pandêmica do estado.  

O acesso para a consulta dos discentes, pesquisadores e arquitetos da Amazônia estará disponível em breve e a UFAM realizará um espaço expositivo e cultural para disponibilizar à sociedade parte da história do Estado do Amazonas pelo olhar do Arquiteto. "Este acervo foi mantido por Severiano Porto e acreditamos que será muito útil em Manaus no curso de Arquitetura da UFAM" contou Mário Porto, filho do arquiteto.

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