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Cotidiano
para ficar na memória

Visando eleições, vices utilizam as redes para fortalecer imagem e atrair votos

Vice-prefeito Marcos Rotta e vice-governador Bosco Saraiva se desincompatibilizaram das funções de secretários para disputar cargos em 2018. Segundo especialistas, a estratégia é a melhor para o período 07/05/2018 às 09:13
Show vices
Foto: Reprodução
Náis Campos Manaus (AM)

Partindo do princípio de que “quem não é visto, não é lembrado”, as redes sociais têm sido a válvula de escape para o vice-governador Bosco Saraiva (SD) e o vice-prefeito Marcos Rotta (PSDB) se manterem na memória da população amazonense. Com pretensões eleitorais este ano, ambos tiveram que se desincompatibilizar das funções de secretários que os mantinham na “vitrine” política. Além disso, pelos próximos cinco meses não podem substituir os titulares do Executivo Municipal e Estadual, em virtude da vedação eleitoral.

Há exatos 30 dias, Rotta, Bosco e outros secretários do Município e do Estado deixaram os cargos a fim de concorrerem nas eleições gerais de 7 de outubro. De lá para cá, as mídias sociais têm sido a ligação entre esses políticos e a população. Especialistas ouvidos por A CRÍTICA afirmam que essa é a melhor estratégia para o período, mas é preciso estar atento aos limites impostos pela Lei Eleitoral.

Nos casos de Bosco e Rotta, os canais de alcance popular exercem uma influência ainda maior em razão dos pré-candidatos serem vice-chefes do Executivo estadual e municipal, respectivamente e, por força da legislação eleitoral estarem impedidos de assumirem a titularidade das cadeiras. Ou seja: as mídias sociais passam a ser a possibilidade de exposição de ideias e atividades diárias para agregar valor político a eles.

Bosco Saraiva deixou a secretaria de Segurança Pública do Estado e retornou ao cargo de vice-governador, e Marcos Rotta deixou a secretaria municipal de Obras para seguir apenas como vice-prefeito de Manaus.

Estratégia

“As redes sociais são um canal importante para prestar contas do trabalho que está sendo desenvolvido. É assim que eu enxergo. Coloca-nos em contato direto com a população, e com isso a gente consegue falar diretamente e ouvir, sentir como as pessoas estão avaliando e o que elas esperam”, disse Bosco Saraiva ao ponderar que esse recurso é um termômetro da avaliação de suas ações e um veículo de feedback para entender as dificuldades do povo.

Já para Marcos Rotta, as redes sociais estão presentes na sua vida pública como veículo de comunicação e interação com a população bem antes da desincompatibilização. “Minha vida pública sempre foi pautada em ouvir reclames e buscar soluções”, lembra Rotta.

A ex-secretária de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), Janaína Chagas, diz utilizar as redes sociais como palco de “debates de ideias” e de coleta de opiniões. “Tenho muitos contatos realizados pelas redes, inclusive com perguntas sobre a minha posição em determinados temas”, diz.

Quem também utiliza a ferramenta virtual para se manter próximo do seu público, o ex-secretário executivo da SSP-AM, coronel Amadeu Soares, afirmou que esse canal deve ser usado com critérios. “É uma ferramenta que deve ser utilizada com prudência. É uma forma de aproximação, não apenas do eleitor, mas de todo o público”.

Pascarelli e Wallace vivem dias de chefe do Executivo

O afastamento dos vices acabou tornando o vereador Wallace Oliveira (Podemos), quinto na linha sucessória de Arthur Neto (PSDB), no mais novo “vice-prefeito” da capital. O processo de substituição nos casos de ausência do titular se deu pelo fato das desincompatibilizações de Marcos Rotta; do presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Wilker Barreto (PHS); do primeiro-vice da CMM, Felipe Souza (PHS) e do segundo vice, Reizo Castelo Branco (PTB).

Wallace Oliveira assumiu, na semana passada, a chefia interina da prefeitura por seis dias e tratou de assuntos relacionados à execução de obras como um dos seus primeiros atos à frente do Executivo municipal. “Vi com satisfação o trabalho que está sendo feito de forma muito técnica e profissional e que irá trazer a solução para a situação complicada que existia aqui, nessa importante interligação da avenida Coronel Teixeira e a estrada do Turismo”, disse Wallace ao re referir às obras de recuperação da ponte da avenida Cecília Meireles, na Ponta Negra, Zona Oeste.

No Poder Executivo Estadual, diante da “temporada eleitoral”, nas eventuais ausências do governador Amazonino Mendes (PDT) agora quem assume a titularidade do governo é o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), desembargador Flávio Pascarelli, o sexto na linha sucessória.

Isso acontece em razão dos impedimentos eleitorais que, além do vice-governador, também tornaram inaptos a assumir a cadeira de governador o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), deputado estadual David Almeida (PSB), o primeiro-vice-presidente, Abdala Fraxe (PODE), o segundo-vice-presidente, Belarmino Lins (PP) e o terceiro-vice, o deputado Josué Neto (PSD). Todos serão candidatos nas eleições deste ano.

‘Se assumir o cargo, fica inelegível’

Na avaliação da advogada eleitoral, Maria Benigno, os ex-secretários Bosco Saraiva, Marcos Rotta e Amadeu Soares foram forçados a se desincompatibilizarem de seus antigos cargos para se tornarem aptos a uma eventual candidatura nas eleições deste ano.

A especialista explica que Bosco e Rotta embora tenham retornado às vice-chefias no governo do Estado e Prefeitura de Manaus não assumem a titularidade do Executivo para não ficarem inelegíveis, pois aqueles que exercem, ao menos por um dia ou transitoriamente, o cargo de governador ou prefeito, ficam impedidos de concorrer a qualquer outro cargo eletivo.

Após as eleições, os vices voltam a assumir seus papéis sem incorrerem em riscos aos seus cargos. “É por isso que eles não querem assumir na ausência dos titulares. A regra que existe na legislação é essa: a Constituição diz que os chefes do Executivo são inelegíveis para qualquer outro cargo. A Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar 64/90) declara que quem quiser concorrer a um cargo eletivo precisa se desincompatibilizar, por exemplo, no caso dos vices, eles evitam assumir as cadeiras do Executivo”, afirmou Benigno.

Marcel Valin, Especialista em marketing

“Nas últimas eleições, as redes sociais têm encorpado bastante as estratégias dos candidatos. Além de ser uma ferramenta de amplo alcance, onde é possível expor ideias e atividades diárias, ela agrega um fator importante nos dias atuais, com essa enorme exposição de gastos públicos indevidos: o custo é praticamente “zero”. Essa é a melhor forma deles se exporem nesse período entre a entrega do cargo e o início mais agudo da campanha. E as redes sociais englobam eleitores de todas as idades. Na última eleição tivemos cargos decididos no último suspiro, no último aporte financeiro. Acredito que nas eleições desse ano seja parecido. É uma estratégia para não saírem completamente da “boca do povo”. Essa exposição nas redes sociais permite que os políticos tenham um parâmetro de seguidores e quais informações e rotinas estão sendo mais visualizadas ou não”.

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