Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2020
Perigo em duas rodas

Em risco, motociclistas falam como lidam com os perigos das ruas de Manaus

Reportagem falou com condutores de motocicletas na “faixa de risco” das vias: a cada dez atendimentos por acidente de transporte realizados em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), oito são entre motociclistas



moto10_AABAA3C4-9901-43C3-BD99-6A8C932F6AA5.JPG Carro atravessa calçada de pedestre e quase atinge motociclista na avenida Autaz Mirim, na Zona Leste da capital: cena que mostra o perigo a que os condutores de moto passam / Foto: Jair Araújo
28/12/2019 às 08:10

O mototaxista Leandro Souza, 38, já sofreu quatro acidentes trafegando em várias ruas da capital amazonense. Já o motoboy Antônio Cláudio, 25, quase sofreu o pior numa via e não conduz na chuva por medo de um desastre. Ambos têm a característica de utilizar motocicletas como veículo para o trabalho e estão na “faixa de risco” das vias: a cada dez atendimentos por acidente de transporte realizados em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), oito são entre motociclistas.

Os dados integram a pesquisa Viva Inquérito 2017, realizada a cada três anos pelo Ministério da Saúde (MS).



De janeiro a novembro de 2019, foram registradas 69 mortes de motocicletas no trânsito no Estado. Sendo 54 em Manaus e 15 no interior, segundo informações fornecidas pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM).

Num geral, de acordo com o Ministério da Saúde, dados mostram que os homens representaram 67,1% dos atendimentos nas unidades de saúde e as mulheres 50,1%. A faixa etária mais acometida são os jovens entre 20 e 39 anos.

A pesquisa é realizada em unidades específicas que participam do levantamento, que tem como objetivo subsidiar políticas públicas com dados fidedignos, prevenir a ocorrência de casos, garantir cuidado em saúde e encaminhamento das vítimas para rede de atenção à saúde de todo o País.

Operação Rodovida

Com o objetivo de reduzir a violência no trânsito e os custos sociais decorrentes, o Governo Federal lançou, no último dia 20, a “Operação Rodovida 2019”.

A proposta é integrar e proteger vidas no trânsito, evitando acidentes num esforço integrado de órgãos federais como o Ministério da Saúde, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Ministério da Infraestrutura, em articulação com estados e municípios.

A ação também visa, além de frear os acidentes, conter gastos causados nas vias e estradas: em 2018, os acidentes de trânsito causaram 183,4 mil internações que custaram R$ 265 milhões ao SUS. Em 2017, o número de internações foi de 181,2 mil ao custo de R$ 259 milhões, sendo que mais de 50% das internações envolveram motociclistas.

Relatos

 Leandro Souza é mototaxista há oito anos, mas dirige motos há 14 anos. Já sofreu quatro acidentes ao ser atingidos por motoristas que avançam principalmente em semáforos fechados. Já foi arrastado por um veículo uma vez. “Só não quebrei ossos. Aqui na Zona Leste o fluxo é mais complicado”, disse ele, num local da avenida Autaz Mirim. “Pra acabar de completar o trânsito conta com o pessoal dos aplicativos de transporte. Nem todo mundo conhece sobre lei de trânsito, mas, sim, derrubar os outros”, diz o condutor, também criticando os motoristas de transporte alternativo e a falta de fluidez no trânsito. “Já me acostumei com esse trânsito, mas é perigoso”, ressalta. 

Para o motoboy Antônio Cláudio, dirigir na capital é um temor. “É ruim demais: enfrentamos engarrafamentos, motoristas bêbados, pessoas que acabaram de pegar a habilitação, mas não têm noção de trãnsito e causam acidentes, buzinam e que acertam o motoqueiro, etc”, diz ele, que trafega em todas as zonas da cidade, e que já sofreu acidentes, sendo um deles, grave, na Comunidade Parque São Pedro, Zona Oeste, quando um carro parou e atravessou a sua moto.

O motoboy Antônio Cláudio: acidentes e medo de dirigir em dias de chuva. Foto: Jair Araújo

“Passei por cima do carro e feri o joelho esquerdo. Isso faz um ano. O cuidado nas ruas tem que ser maior. Na chuva eu ando devagar”, conta ele, que já perdeu um primo motociclista num acidente na Ponta Negra.

Detran-AM ressalta o capacete

Ressaltando que  o número de motociclistas é cada vez mais crescente nos centros urbanos, o Detran-AM divulgou que o fato dos motociclistas terem o corpo exposto torna o percurso muito mais arriscado e aumenta a necessidade de redobrar a atenção.

Algumas dicas são importantes para preservação do bem estar do motociclista como o uso do capacete que além de ser obrigatório para o condutor e passageiro, tem, segundo estudos, eficácia na prevenção de cerca de 69% dos traumatismos crânio-encefálicos e 65% dos traumatismo de face.

Aqui, condutor sem capacete e criança se aventuram em meio ao trânsito. Foto: Jair Araújo

Porém, sua eficácia está ligada a utilização correta, ou seja, afivelado e com todos os seus acessórios e complementos. Outras medidas, destaca o órgão, são “respeitar sempre a sinalização, manter-se visível, realizar manobras e manter uma distância segura, além de manter a vistoria em dia”.

IMMU faz palestras conscientes

Independente da Operação Rodovida,  o departamento de Educação de Trânsito do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) informa que desenvolve o projeto “Cine Moto” com o objetivo de orientar motociclistas a adotar  comportamento seguro no trânsito. A ação é marcada por uma grande blitz educativa com a presença de educadores de trânsito do IMMU, agentes, técnicos do Centro de Educação de Trânsito da Moto Honda e  policiais do Batran da PM.

Os motociclistas flagrados com irregularidades são convidados a assistir a um filme com informações sobre obediência às leis de trânsito e a uma palestra de orientação sobre prevenção a acidentes de trânsito.

Neste ano foram realizadas sete blitz educativas que resultaram em 525 motociclistas abordados. O Cine Moto mais recente foi realizado no último dia 17 na avenida Autaz Mirim.

Onze mortes nas rodovias em 1 ano

A Polícia Rodoviária Federal no Amazonas (PRF-AM) vem desenvolvendo desde o último dia 2 uma série de ações no sentido da segurança ao motociclista e dentro da participação do órgão na Operação Rodovida.

De acordo com a PRF-AM, até o dia 1º de janeiro estão sendo realizados ao longo das rodovias federais BR-174 e BR-319 Comandos (blitz) de fiscalização de trânsito e combate a crime; Cinema Rodoviário com orientações relacionadas a segurança de trânsito e a segurança individual e; Comandos voltados ao combate ao consumo de bebidas alcoólicas e condução de veículos.

A estatística mais recente sobre os números nas rodovias do Estado do Amazonas mostra que, nos últimos 12 meses ocorreram um total de 81 acidentes nestas vias, sendo 20 deles considerados graves de acordo com a Polícia Rodoviária Federal no Amazonas. O levantamento, feito a pedido de A CRÍTICA junto à assessoria de comunicação da PRF-AM, mostra que um total de 72 pessoas ficaram feridas nessas ocorrências e 11 delas vieram a óbito.

Orientações

E qual a orientação que precisa ser dada tanto a motociclistas quanto aos demais condutores em geral nas rodovias? Segundo a comunicação da PRF-AM, é de se utilizar cinto de segurança (condutor e passageiros); não consumir bebida alcoólica ou qualquer substância alucinógena e conduzir veículos; verificar as condições dos pneus, sistema de arrefecimento, sistema de freios, combustível e o bom funcionamento do motor do veículo antes de iniciar o deslocamento para qualquer destino; verificar se a documentação do veículo está em dia; não transportar pessoas em compartimento de carga e nem carga no compartimento destinado para pessoas; respeitar o limite de lotação de passageiros e; observar com bastante atenção a sinalização viária de forma a não executar operações de retorno, ultrapassagem e excesso de velocidade.

Repórter de A Crítica

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