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Vizinhança perigosa: moradores de condomínios são ameaçados por invasores de terra na AM-010

Moradores reclamam de receberem ameaças diárias por parte dos ocupantes da invasão “Paraisópolis”, na av. Comendador José Clemente, bairro Santa Etelvina 01/09/2015 às 12:33
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Visão da janela de um apartamento de condomínio vizinho à invasão Paraisópolis
Isabelle Valois ---

Moradores dos condomínios localizados próximos à invasão “Paraisópolis”, na avenida Comendador José Clemente, bairro Santa Etelvina, Zona Norte, reclamam de estar diariamente convivendo com sérias ameaças por parte dos invasores, que os responsabilizam pela denúncia de ocupação ilegal da terra,  ainda no ano passado.

Um dos casos mais sérios ocorreu semana passada no momento em que uma babá tinha acabado de sair de um dos condomínios e estava a caminho da parada de ônibus. Ela foi abordada por dois homens em uma motocicleta, de modelo, placas e cor não identificada, e começaram a instigar se a vítima era moradora de um dos condomínios.

“Não satisfeitos, os invasores levaram tudo que a funcionária tinha de valor e, por fim, ameaçaram dizendo que iria dar um tiro na cara dela se ela fosse moradora de um dos condomínios e este era o recado para os demais”, contou o síndico de um condomínio vizinho da invasão, Dalter Cruz Gomes.

Moradora de um dos condomínios vizinho da Paraisópolis, Yvanna Formoso comentou que neste período de pouca chuva, entre o final da tarde e o início da noite, os invasores aproveitam para queimar e desmatar tudo o que estava na região. “Nossa cidade está cada vez mais perdendo a área verde, meus filhos ficam olhando pela janela com olhos cheio de lágrimas questionando se eles (os invasores) vão queimar tudo. Isso me dói, pois além de cometer este crime ambiental, a fumaça se espalha e entra no apartamento, sujando as roupas. Além de ocasionar o incômodo, pode nos trazer doenças”, afirmou.

A moradora contou ainda  que várias denúncias foram feitas aos órgãos competentes sobre a os crimes ambientais. O síndico, Dalter, informou que na esperança de tentar contornar a situação, uma “carta denúncia” e um relatório expondo a situação foi entregue, no início de agosto, à Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) para que os vereadores ficassem ciente dos crimes que ocorrem diariamente dentro dessa invasão.

“Nada é feito. E agora somos obrigados a receber esse tipo de ameaças e ter que conviver com isso. Parece que é necessário que o pior ocorra para as autoridades tomarem uma providência”, disse a moradora.

Em expansão

São mais de 300 famílias morando no  terreno, invadido desde março de 2014. O crime organizado da invasão tem nos últimos meses  visado as áreas verdes que são particulares para ocuparem, pois sabem dos trâmites necessários para a realização da reintegração.

Propriedade dificulta a ação da PMM

A mesma documentação entregue à Comissão da CMM foi protocolada no último dia 15 no Ministério Público do Estado (MPE-AM), para que o órgão tomasse ciência do que está acontecendo. No local invadido, há armações de casas de madeira e alvenaria sendo erguidas pelos invasores, enquanto outros utilizam roçadeiras para limpar a área.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas) informou que, por ser um terreno particular, a desocupação da área depende de uma decisão judicial reintegrando a posse do terreno aos proprietários originais do imóvel. Nesse caso, conforme a secretaria, os órgãos ficam na dependência de que seja expedido o mandato de reintegração pela Justiça para que possam dar apoio na retirada dos invasores, se isso for solicitado pelo proprietário.

Quanto às queimadas,  a secretaria informou que é necessário solicitar o apoio do Corpo de Bombeiros, responsável por apagar  as chamas sempre que iniciarem e no caso de identificar responsáveis da queimada denunciar à polícia e à Semmas.

Os moradores do condomínio afirmaram que o terreno pertence a uma incorporadora imobiliária .

 “A nossa vida aqui está muito complicada, temos que conviver diariamente com a fumaça provocada pelo fogo na mata. Todo final de tarde temos que ficar com as  portas e janelas trancadas para a fumaça não entrar nos apartamentos”, disse Dalter.

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