Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
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670 empresas fecham as portas durante a pandemia no Amazonas

Os dados são da Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea) e são referentes aos meses de março, abril e maio deste ano



Foto__Jair_Ara_jo_C48E1F02-EE30-4186-864C-3CAD7F1F3796.jpg Foto: Jair Araújo
02/06/2020 às 18:22

Empresas de diversos segmentos sofrem os impactos do fechamento do comércio como medida para conter a pandemia do novo coronavírus. Somente neste ano, de janeiro a abril, foram 984 fechamentos, número 9,8% maior que o mesmo período do ano passado. Nos meses de fevereiro, março e abril, período de maior isolamento social, foram 670 fechamentos. Os dados são da Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea). 

A gerente de planejamento do Sebrae Amazonas, Socorro Correa, conta que o número de empresas fechadas temporariamente é alto. Segundo dados de pesquisa do Sebrae,  46,7% das empresas interromperam suas atividades. A mesma pesquisa identificou que 1,3% fecharam definitivamente. Isso representa algo em torno de 2,2 mil empresas no Amazonas. “Esses fechamentos  ainda não se concretizaram de fato junto aos órgãos responsáveis”, conta. 



“A economia está com freio de mão puxado. Todos aguardando informações mais precisas para que decisões importantes como abrir e fechar uma empresa sejam tomadas“, ressalta a especialista. 

Anúncios em redes sociais

Nos últimos dias, duas grandes academias da cidade usaram suas redes sociais para anunciar o fechamento definitivo. No dia 13 de maio, a Companhia Atala publicou comunicado no Instagram destinado aos clientes, amigos e colaboradores. 

“Contra todas as dificuldades dessa crise brasileira que já dura 5 anos, conseguimos sempre de forma incansável e arrojada dar o nosso melhor e prestar o melhor serviço possível, assim sendo, contribuindo para mudar essa realidade. Mas a vida é cheia de surpresas e nos trouxe o coronavírus, fomos obrigados a fechar por tempo indeterminado através de decreto governamental, com isso nossos clientes cancelaram seus pacotes de atividades em massa. Diante do exposto, percebemos que todo grande sonho um dia chega ao final, e hoje declaramos oficialmente que a Companhia Atala não conseguirá reabrir suas portas devido ao grande custo operacional, encerrando assim suas atividades comerciais”, diz trecho de post.

Empresários usaram suas contas comerciais para manifestar apoio. “Desejamos força! Esperamos de coração que voltem”, disse a conta do Ilustração e Café. “Fica aqui nossa solidariedade e força a todos”, ressaltou o Flutuante Arpoador. 

No dia 1º de maio, a academia Body Fitness já havia anunciado seu encerramento de atividades também. “Com muita dificuldade fomos capazes de suportar esse período de inatividade, com a criação de estratégias para manter o máximo de recursos e a criação de conteúdos online para uso dos nossos clientes. Infelizmente, os custos para manter uma estrutura do nosso porte são vultuosos e não puderam ser suspensos, o que inviabilizou nosso prosseguimento”, informa a publicação.

Processo digital

Atualmente, o fechamento de uma empresa pode ser feito de forma digital, mas é importante estar atento. “É sempre bom ter apoio de um contador ou especialista em finanças para verificar se a empresa tem dívidas para que sejam tomadas todas as medidas legais”, aconselha Socorro Correa, gerente de planejamento do Sebrae Amazonas. 

“Na linha de renegociar dívidas, busque ampliação de prazos e alternativas de vendas, foque em produtos e serviços com maior capacidade de saída e mantenha o relacionamento com clientes. O Sebrae também se coloca à disposição para ajudá- lo pelos nossos canais nas redes sociais, no portal, e pelo telefone 0809 570 0800”, acrescenta. 

A vice-presidente da Junta Comercial do Estado do Amazonas, Roberta Veras, explica que na Jucea o processo é 100% digital, o que permite que empresas nas modalidades Empresário Individual, Limitada e Eireli sejam extintas de forma automática e sem cobrança com prevê lei. Já nas outras modalidades existentes, que necessitam de análise técnica, o tempo estimado para a extinção de uma empresa é de até 3 dias. O processo todo é feito pelo site da Jucea.

Sem delivery

A empresária Silce Brasil, dona da Triunfos Sorvetes, localizada no Park Vieiralves, felizmente não precisou fechar definitivamente, mas enfrenta fortes consequências da pandemia. 

Por trabalhar com um produto feito na hora, ela não pode dar continuidade às suas atividades por meio do delivery. A principal dificuldade encontrada foi quanto à legislação de alimentação e estrutura para que o produto chegue ao cliente. 

“Ficou muito complicado. Prejudicou muito, quem vive nesse negócio está realmente vivendo dias difíceis. É complicado para mim e para outros”, compartilha. 

Os empresários do Park Vieiralves ainda estudam a possibilidade de voltar às atividades no dia 15 deste mês, conforme anunciou o Governo do Amazonas. “Até lá vamos ficar parados e aguardar liberação, que isso resolva logo, mas temos que resguardar a saúde de todos”, ressaltou Silce. 

Inaguração adiada

A empresária Telma Amendola, proprietária da Supreme Hamburgueria, precisou adiar alguns planos da empresa, por conta da pandemia. Há um ano ela trabalha na categoria de  ghost restaurant, termo que se refere aos restaurantes que atendem apenas delivery. 

“Muitos clientes gostam de ter ambiente para conhecer melhor, sabemos que existem muitas empresas que são  fundo de quintal”, conta. 

Por conta disso, ela estava prestes a inaugurar o espaço físico, mas precisou esperar por causa do coronavírus. “Quando eu iniciei a reforma do espaço onde ia abrir, começou a questão da pandemia. Agora, vou ter que dar continuidade na reforma para abrir em julho”, disse. 

Como já tinha experiência com entregas, ela não precisou parar as atividades. No entanto, teve que reforçar a questão da higienização, cuidado e proteção com a equipe.  “Eu tenho o cuidado de pegar e deixar meu chapeiro todos os dias. A gente tem esse cuidado com as pessoas que trabalham conosco”, disse. 

“Eu acredito que em julho, se Deus quiser, vou conseguir dar continuidade ao projeto. Logo no início eu fiquei estressada, fiquei chateada, mas tudo no tempo de Deus”, afirmou. 

Repórter de A Crítica

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