Domingo, 15 de Setembro de 2019
SEM GASOLINA

Mercado automobilístico brasileiro entra na era dos veículos elétricos

Os veículos são menos poluentes por serem abastecidos com eletricidade, mas ainda bem mais caros que as versões convencionais



carro_eletrico_A64EF167-ACCA-4C69-B7A0-8ACE34FEE20F.jpg Foto: Divulgação
26/08/2019 às 15:40

Por tempos, a ideia de veículos elétricos era distante da mente do consumidor brasileiro em geral. Entretanto, 2019 se mostra como um prelúdio para o País entrar de vez na onda mundial da substituição dos modelos a combustão.

O anúncio que mais tem sido comentado ultimamente parte da japonesa Toyota, que marcou para o último trimestre a produção do primeiro híbrido flex do mundo no interior de São Paulo. Em tempo, o modelo abre a 12ª geração do sedã médio Corolla.

Com a imagem mais dinâmica, a aposta inclui a configuração sobre a plataforma modular TNGA, já usada pelo Prius. A potência adotada será a 1.8 de 122 cv. É esperada também uma evolução do atual 2.0, com injeção direta e cerca de 170 cv.

Renault

Outras marcas, como a Renault, celebram riscos mais altos. O Zoe, 100% elétrico e um dos mais vendidos da Europa, já é comercializado no Brasil desde o ano passado. O presidente da representante brasileira, Ricardo Gondo, disse que os modelos foram, inclusive, vendidos para empresas dentro de projetos de mobilidade zero emissão de poluentes.

“Ao todo, já são 200 veículos elétricos em circulação no País, contando os pertencentes à marca. São todos importados da Europa. Eles são extremamente silenciosos; não emitem ruídos. Eles oferecem torque total desde o início da aceleração, o que dá ao condutor uma direção mais agradável e de rápida resposta”, detalhou o executivo da Renault.

Ao custo de R$ 149.990,00, o Zoe é vendido somente em duas concessionárias nacionais – a Sinal, em São Paulo, e a Globo, em Curitiba. Os elétricos Twizy, Kangoo Z.E. e o Fluence também estão disponíveis. Todos possuem o test drive também aberto.

O executivo também frisou que quando comparado aos veículos convencionais o custo do quilômetro rodado fica mais baixo, assim como o custo de manutenção, considerando a durabilidade do motor elétrico contra os componentes movidos a álcool, diesel e gasolina.

Audi

Outro lançamento de produção para o fim do ano é o SUV, totalmente elétrico, da marca alemã Audi. Intitulado e-tron, o gerente sênior de gerenciamento do produto Gerold Pillekamp relatou que o carro está sendo produzido em série e comercializado para vários mercados, com testes já feitos em solo brasileiro para avaliação de compatibilidade de temperatura e infraestrutura.

“Existe uma oferta maior de carros que não são plugin, enquanto que os elétricos são restritos, embora haja trabalhos para reverter esse cenário. Existe um medo do consumidor de não encontrar facilmente pontos de recarga, e o nosso projeto é entrar em diversas frentes – restaurantes, postos de gasolina, shoppings – para garantir essa autonomia de recargas rápidas durante o dia para 200, 300 quilômetros”, exemplificou.

Falta de estímulos

 A questão por trás da evolução ao motor elétrico não passa somente por inovação, mas consciência. A Renault detém um projeto que disponibiliza100 Zoes e 20 Twizys para uso compartilhado, pelo preço de 0,39 euros por minuto de uso,na França. A ideia é fomentar, assim, a mobilidade sustentável. No Brasil, em São Paulo, os residentes do Cubo Itaú têm essa oportunidade, assim como moradores de um prédio em Belo Horizonte (MG), da construtora MRV.

Conforme especialistas e montadoras, o quadro de investimentos no País passa por obstáculos principalmente no âmbito legal, em que não há uma regulamentação definida ou estímulos do poder público para desenvolver o segmento. O consultor de mercado Ricardo Bacellar disse que o fato do híbrido usar o etanol é um aditivo à popularização, porém não se sabe como será a cobrança dos kilowatt.

“Há uma série de lacunas regulatórias para serem preenchidas, mas fato é que o plugin tecnológico é muito caro de produzir. Se levarem conta que a indústria automotiva tem capital intensivo e ciclo de inovação cada vez mais curto, a equação tem que fechar com uma produção e venda de volume grande para o valor de mercado cair mais. Isso envolve acordos internacionais com derrubada de barreiras tarifárias.Não sabemos se o custo de importação é maior do que a produção local”,comentou.

Motos elétricas aceleram forte

Em contraponto com os carros, o segmento de motocicletas elétricas e híbridas é ainda mais tímido. No início do ano, a fabricante de motos elétricas de alto desempenho Lightning Motorcycle Corporation lançou a LS- 218 na promessa da moto mais potente e rápida do mundo. Com motor que produz de 202 cv a 10.500 rpm e 23,2 kgfm, o câmbio é contínuo e não tem marchas para serem trocadas.

Em teste na pista de velocidade de Bonneville Speedway, nos Estados Unidos, ela chegou à marca de 351 km/h. Para lançamento no mercado americano, o preço foi o de US$ 12.998 ou de R$ 48.264, sem considerar impostos. Fora desses altos índices, as scooters, com nuances diferentes de motor e condução diferentes das motocicletas, são as populares,como a Honda PCX Electric e a BMW C evolution.

A Harley-Davidson foi uma das últimas a figurar entre os lançamentos com a LiveWire. Equipada com o motor H-D Revelation, de 105 cv, o modelo consegue chegar aos 100 km/h em três segundos. É quase o mesmo da BMWS 1000 RR, que cumpre a aceleração em 2,9 segundos.

Isso se dá pelo torque instantâneo de 11,83 kgfm entregue com um giro do acelerador, já que não há embreagem e, portanto, trocas de marchas. O marcante ronco dos motores a combustão da Harley vai ser substituído por um “som distinto desenvolvido especialmente para o modelo”, de acordo coma empresa, a medida em que a moto acelera e ganha velocidade.

A fabricante ainda informou que o item traz uma tela de TFT sensível ao toque colorida de 4,3 polegadas com velocímetro, faixa e status da bateria e informações configuráveis como medidor de energia, estado de carregamento e indicação do modo de pilotagem

Análise: Ricardo Bacellar - Líder do Setor Automotivo da KPMG No Brasil

 Aos poucos, vemos esses veículos mais perto de nós. Estamos acompanhando há bastante tempo uma onda grande da veiculação elétrica. Vários países europeus já determinaram prazos para os veículos a combustão pararem de serem produzidos.

De maneira geral, vemos esse movimento consistente globalmente que chega ao Brasil de forma tímida; na questão da diminuição de emissão de poluentes. Nos últimos meses, temos ouvido notícias recentes de lançamentos, e há de esperar para outros na sequência. É importante destacar que veículo elétrico não é só aquele plugin.

O híbrido certamente fará sucesso aqui pelo uso do etanol. Inclusive, há expectativa de o próximo Salão de Automóveis de 2020, em São Paulo, ser um marco para a entrada consistente desse segmento no País. Na pesquisa que fizemos, 90% dos entrevistados desejam comprar um veículo elétrico. Isso mostra um potencial de mercado muito grande.

Não colocamos preço para não enviezar o resultado, mas ele é um componente ofensor na popularização do setor. Com os novos modelos, o consumidor toma ciência aos poucos que eles vem com um nível de investimento consideravelmente alto.

Repórter de A Crítica

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