Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2021
SONHOS ADIADOS

Afetados pela pandemia, estudantes decidem remarcar intercâmbios

Muitos manauaras que já tinham seus pacotes fechados e que já estavam com suas malas prontas, tiveram que aguardar um pouco mais para realizar o sonho de morar e estudar no exterior



aeeew_3639A7AB-4D5A-4398-A996-761A2C6DC2F9.jpg Felipe Viga, diretor da IE Intercâmbio, conta que os clientes foram compreensivos e que muitos optaram pelo não cancelamento dos programas. Foto: Yasmin Feitosa
01/11/2020 às 07:38

O distanciamento social causado pela pandemia do novo corona vírus afetou  os planos de muita gente. Entre o início do primeiro semestre até o começo do segundo, intercambistas que foram surpreendidos com a doença tiveram que remarcar suas viagens para 2021. Muitos manauaras que já tinham seus pacotes fechados e que já estavam com suas malas prontas, tiveram que aguardar um pouco mais para realizar o sonho de morar e estudar no exterior.

Segundo a Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), estimativas revelam que somente na primeira quinzena de março, foram registrados aproximadamente dois bilhões de reais de prejuízos no setor.



O turismo sofre perdas progressivas desde o início da pandemia, e por conta disso, muitas agências passaram a cancelar, mudar e até mesmo remarcar os pacotes de seus clientes em relação a incerteza do programa de intercâmbio com um mundo onde as fronteiras se encontravam totalmente fechadas.

De acordo com Felipe Viga, diretor da IE Intercâmbio em Manaus, agência que trabalha com mais de 30 países com programas para todas as idades, com a crise ocasionada pela pandemia, muitas pessoas tiveram suas viagens e intercâmbios cancelados, o que gerou reações negativas e transtornos emocionais e financeiros.

“As maiores dificuldades que enfrentamos foi a incerteza que nós tínhamos em relação ao mercado. Era um cenário muito incerto e não sabíamos quanto tempo isso iria durar. Não sabíamos também se nossos clientes que já estavam fechados iriam entender que seus programas poderiam ser remarcados. Foi então que adiamos as datas para 2021”, explica o empresário.

Alternativas

Felipe diz que deu alternativas para quem já estava com os pacotes fechados.

“Os intercâmbios que iriam iniciar entre março e junho, nós oferecemos algumas opções para nossos clientes, que era o adiamento da data para 2021. Foi o que a maioria optou. Também oferecemos uma carta de crédito, na qual todo dinheiro investido em real, poderia ser utilizada em até 24 meses em outro tipo de programa ou até no mesmo destino. E em último caso foi o cancelamento, em que poucos clientes fizeram isso”.

Crise

“Muitas pessoas perderam seus empregos e tiveram que cancelar de fato o programa e entendemos isso. Nós ficamos contentes porque as pessoas foram bastante compreensivas com o contexto em que estávamos vivendo. Estamos em uma pandemia e eles sabiam que não era algo que estava nas nossas mãos para resolver e que não dependia da gente eles viajarem ou não. Agora estamos mais tranquilos em relação a esse problema, o mês de setembro teve uma melhora nas vendas e as pessoas que nos procuram já estão animadas para realizar seu sonho no ano que vem” complementa Felipe.

Aéreo

Desde  agosto, quando a Lei 14.034 foi sancionada pelo Governo Federal, substituindo a MP-925, passageiros que tiveram o voo cancelado por conta da pandemia têm até 18 meses para usar os créditos da passagem perdida, sem multa, para serem usados em seu nome ou no de terceiros. Caso opte pelo reembolso, ele poderá acontecer em até 12 meses após a data original da viagem, com correção monetária. Com isso, a Lei também facilitou para que as agências conseguissem adiar as passagens.

Embora os casos estejam em queda em alguns países,  é importante ressaltar que viagens, em geral, ainda oferecem riscos reais de contaminação. Por isso, médicos recomendam que antes de planejar tudo, deve-se refletir  muito bem se não seria melhor esperar mais alguns meses antes de realizar uma viagem.

Sufoco e alívio pós-cancelamentos

Jaqueline Maia, de 20 anos, teve seu intercâmbio cancelado. Ela  iria estudar e trabalhar em Dublin, na Irlanda, por 8 meses, mas teve que remarcar para o ano que vem na sua agência. “Eu sempre ficava olhando as minhas passagens, se estava tudo certo, porque começou aquelas notícias dos casos nos outros países, aí foi o que me preocupou mais. Em maio desse ano, estava no auge da pandemia, abri o site e estava lá ‘viagem cancelada’, naquele momento eu fiquei muito triste, até porque a gente vai criando muita expectativa de viajar e foi tudo por ‘água abaixo’. Depois eu fiquei até aliviada porque eu vi que foi de certo modo bom a minha viagem ser cancelada, uma vez que eu estaria em outro país, que até então iria ser uma experiência nova, mas iria ser uma experiência ruim, onde eu não poderia fazer tudo o que eu gostaria de fazer com tudo fechado”, conta.

Jaqueline explica que agora está mais conformada e aliviada por ter tido o intercâmbio cancelado. “Agora já está tudo certo, me deu mais tempo para me preparar e remarquei tudo para o ano que vem”.

Outro intercambista que passou por uma situação parecida foi Pedro Gaioto, de 38 anos, que pretendia ir a Europa para estudar o idioma Francês e já estava tudo organizado para ir. “Eu planejei tudo no final de 2019. O intercâmbio seria em Paris para aprender francês básico. Seriam três semanas e após isso, iria para Florença estudar design de interiores, pois lá é um dos lugares da Europa que é referência nessa área. Depois disso, iria fazer um ‘mochilão’ em Berlim, onde iria fazer um curso de produção de remixes de house music”, conta.

Depois das primeiras mortes devido a pandemia, a Europa fechou as fronteiras e muitos intercambistas tiveram seus voos cancelados. “Quando eu já estava em São Paulo para ir pra Europa, vi na TV as notícias que a Espanha e Portugal estavam fechando os museus e os locais turísticos, pois a doença estava se espalhando muito rápido. Depois de desembarcar em Lisboa, todos os voos foram cancelados e os preços estavam custando 10 mil reais, foi então que as pessoas, inclusive eu, se desesperaram, e ficaram por lá mesmo. Foi triste, tive que dormir no aeroporto, no frio e do lado de fora. Fiquei 13 dias sem dormir direito num hostel, foi então que voltei para o Brasil”, contou.


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