Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2021
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Covid-19 e o desafio de evitar a contaminação de quem trabalha exposto

Empresas de atendimento pré-hospitalar (APH) precisaram se capacitar para enfrentar a pandemia do novo Coronavírus



zDIN0301_03_p01__2__A01A6BF9-699B-4078-8222-96594E846188.jpg Foto: Yasmin Feitosa
01/11/2020 às 06:32

A alta nos casos de Covid-19 no Amazonas gera mudanças radicais no ambiente hospitalar. Protocolos de segurança e procedimentos de atendimento ganharam importância ainda maior neste momento, onde as empresas de atendimento pré-hospitalar (APH) possuem uma enorme responsabilidade, já que na maioria das vezes são seus profissionais que tem o primeiro contato com os pacientes infectados pela doença.

Diante deste cenário, é necessário ter extremo cuidado com a higienização e utilização dos equipamentos certos para que as ambulâncias e a equipe de enfermagem e a responsável pelo transporte não se tornem vetores da doença pela cidade, que enfrenta um considerável aumento no número de casos. Há um protocolo minucioso para a higienização das ambulâncias e dos materiais que são utilizados em seu interior, visando garantir maior segurança para quem o utiliza.



A Clasp da Amazônia, empresa privada que oferece serviços de urgência e emergência de atendimento pré-hospitalar, teve que enfrentar o problema de forma muito inesperada, sendo crucial a execução de um planejamento estratégico. “Nos antecipamos ao processo, ainda quando começamos a ouvir o que estava ocorrendo lá fora iniciamos o processo de capacitação de toda equipe para enfrentar esse problema que com certeza é um de nossos maiores desafio. Então, além de buscar informações sobre essa doença e capacitar a equipe, começamos também a estocar materiais. Assim o fizemos, e inclusive trouxemos macacões especiais para minimizar o máximo possível de riscos a equipe e os pacientes”, relata Caroline Álamo, proprietária do Grupo Clasp.

Cartilha de protocolos

Para lidar com uma doença totalmente desconhecida e altamente transmissível, a Clasp da Amazônia utilizou uma cartilha de protocolos elaborada pelo diretor-médico da empresa, Dr. Paulo Mendes. Na cartilha, estão presentes formas de como evitar a disseminação do vírus no ambiente pré-hospitalar e também os equipamentos essenciais que auxiliam nesse desafio.

Para alcançar a higienização adequada de forma que não haja circulação do vírus por outros ambientes fora do próprio hospital, além do protocolo no transporte do infectado, todo equipamento de proteção individual (EPI) da equipe da ambulância deverá ser descartado dentro do hospital destino em local apropriado. No caso de salas com pressão negativa, após deixar o paciente no leito, deverá ser removido o EPI dentro da antessala e descartado em lixo de material infectante, como ressalta o médico na cartilha utilizada pela empresa.

Sobrecarga no sistema

A primeira onda de contaminação da doença no Amazonas foi extremamente desgastante para quem trabalha no ambiente da saúde. Com o colapso do sistema na fase inicial do vírus no estado, a demanda por ambulâncias aumentou consideravelmente.

“Houve muita sobrecarga no serviço na época. Clientes entravam em contato querendo alugar 20 ambulâncias,  os profissionais estavam cansados, se dividiam entre seus outros empregos, mal dormiam e se alimentavam”, lembrou Caroline Álamo.

Uma justificativa para a sobrecarga desse sistema no estado também se relaciona com a falta de outros profissionais da área da saúde capazes de atender tantas vítimas da Covid-19.

No relatório intitulado “Demografia Médica do Brasil”, em 2018, a população total de 4,1 milhões de habitantes do Amazonas tinha 93,1% dos médicos do estado atuando somente na capital. O Amazonas possuía, até então, apenas 1,1% dos médicos do país.

Superfaturamento

Por conta da doença global, a procura por insumos e equipamentos hospitalares cresceu e por conta disso, os produtos ficaram muito mais caros

A proprietária da Clasp da Amazônia aponta a dificuldade da empresa para obter esses insumos. “Para trazer os materiais necessários para Manaus, foi uma loucura.  A logística normalmente já é difícil, na pandemia então, além das dificuldades normais, existiam os preços exorbitantes que estavam sendo cobrados”, ressalta.


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