Sábado, 04 de Julho de 2020
E-commerce

Crescimento do e-commerce na pandemia transforma o varejo brasileiro

A parada dos negócios provocada pela crise do coronavírus acelerou o crescimento do e-commerce e a digitalização dos pequenos



Tiago_Dalvi__fundador_e_CEO_do_Olist._Cr_dito_cr_dito_Julia_Yazbek-Endeavor_Brazil_0B28A994-31D4-4A9D-BCD3-805E63D4A11A.jpg Tiago Dalvi, CEO da Olist - startup que ajuda varejistas a venderem pela internet (Divulgação)
18/05/2020 às 16:47

Comprar pela internet faz cada vez mais sentido no mundo de hoje. A pandemia do coronavírus que obrigou o comércio varejistas tradicional fechar as portas e amargar prejuízos sem precedentes para as empresas de diversos segmentos, também fez surgir oportunidades para que muitas empresas buscassem se digitalizar e criassem um novo canal de vendas com os consumidores.

Dentro deste cenário, a startup brasileira Olist, sediada em Curitiba, tem ajudado varejistas e grandes marcas a venderem mais pela internet, ao criar soluções como plataformas de e-commerce e inserção dos clientes em grandes marketplaces, como o Mercado Livre e Americanas.com.



O +Dinheiro bateu um papo sobre este cenário com Tiago Dalvi, fundador e CEO do Olist, entusiasta de tecnologia que já foi premiado como Melhor Executivo do E-commerce em 2017 pelo Ebit e Melhor Profissional de Vendas em 2018 pelo E-Commerce Brasil.

 

Quais são os desafios de vender pela internet neste momento?

A digitalização não é mais uma opção. Não deveria ser um bicho de sete cabeça, mas uma extensão natural de qualquer negócio. O consumidor que compra na loja e na internet busca: preço, conveniência e qualidade. Ninguém amanhece pensando: “hoje eu vou passar estresse”. O consumidor quer rapidez. Esse é o tripé da relação de consumo. A crise nos expôs a adoção de novas tecnologias que entreguem esse tripé e acelerou esse processo.

Como o lojista deve se organizar para isso?

A situação requer um esforço mínimo e não vai gerar o resultado do dia para a noite. Esse esforço digital é quase como uma nova operação, como se ele abrisse um novo negócio. Há desafios no mundo digital. Primeiro ponto: se a plataforma está de acordo com orçamento; se a margem está de acordo com sua categoria de produto e vai te dar uma margem para poder operar. Segundo: Como vai atrair o cliente? No mundo digital isso é diferente. Você não sai de uma lojinha física para o Brasil inteiro. Não é só atrair o cliente, tem que construiu um relacionamento. Terceiro: na loja física tem a experiência real, a logística é feita pelo próprio cliente. O cliente espera, no mínimo, igual da experiência física. Ou você trabalha com linhas diferentes. Tem que atentar à estrutura de custo e a margem de lucro para operar no e-commerce.

O que vai crescer daqui para frente?

O e-commerce vai crescer mais do que o esperado em setores como higiene, beleza, cosméticos, periféricos e gadgets para home office.

O varejo de supermercado é uma tendência?

Todo mundo entendeu que é uma realidade. Como estamos no meio da crise, temos mais demanda do que capacidade de oferta. Não tem mágica, leva tempo para montar isso. A Amazon, por exemplo, vem construindo isso por décadas. Nesse setor, a maior parte dos players menores não se preparou. Os maiores já se prepararam para isso. Acho que veremos experiências ótimas mais adiante. Em Curitiba, há redes locais que fazem bem isso. Carrefour, Pão de Açúcar também já são bons exemplos de e-commerce de supermercado.

Como esse setor tem volume muito grande, precisa trabalhar integrado. O estoque tem que ser dos 10 supermercados, quase como se tivesse abrindo uma nova loja. Então, é preciso uma estrutura adicional.

Quais são os bons exemplos no Brasil neste segmento de compras?

Quem tem se planejado a mais tempo e já estavam nos seus planos de construir essa operação na internet aceleraram isso com a crise. Mercado Livre, Amazon, Americanas.com, Via Varejo, Magazine Luiza, por exemplo. Esses já fazem bem em ternos de atendimento, logística, sortimento. Americana lançou agora a opção “compre e retire na loja”. O grupo Via Varejo lançou a ferramenta “Me chama no zap”.

Qual é o perfil de quem compra pela internet hoje?

O perfil se diversifica bastante. Não só os mais jovens como era no passado. O acesso aos meios de pagamentos e bancarizados diversificou o contexto.

Qual é o futuro do e-commerce?

O futuro é continuar essa tendência de ser relevante. Deve seguir esta linha de expansão, com algumas curvas de aceleração, de acordo com os desafias para a frente.

O lojistas vai buscar fontes adicionais pelo e-commerce. Não acho que a loja física vai acabar. Vai ser uma extensão natural. Se você não estiver disposto a abraçar essa realidade pode morrer.


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