Domingo, 05 de Julho de 2020
ECONOMIA

Setor de alimentação prepara estratégias para reabertura de restaurantes em Manaus

Segundo empresários, o grande desafio para os restaurantes será oferecer segurança para os clientes



1755079_88B9672C-30BA-43BA-BAE0-8A4C2D19DAF3.jpg Foto: Divulgação
31/05/2020 às 15:15

A prorrogação das medidas restritivas à circulação de pessoas não impediu os restaurantes de dar início ao planejamento para a retomada das atividades. O grande desafio para os restaurantes será oferecer segurança para os clientes.

De acordo com o proprietário do restaurante Barollo, apesar pesar ter uma grande expectativa para a reabertura, retorno será modesto, pois os clientes ainda estarão receosos a respeito da proliferação da Covid-19.



Para isso, foi necessário traçar estratégias para manter o distanciamento necessário mesmo dentro do estabelecimento, provendo álcool gel para atender os clientes com toda a segurança.

“Estamos funcionando na modalidade de delivery e a higienização de tudo já era de grande importância, agora ficou mais rígida”, conta o proprietário.

Segurança para abrir

A criação de uma nova cultura para prover a devida segurança sanitária aos clientes e funcionários foi elaborada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) que disponibilizou para os associados uma cartilha com as medidas que deverão ser adotadas após a autorização de abertura dos estabelecimentos pelos estados e municípios.

Em dez páginas de relatório, a entidade estabelece protocolos para higienizações diárias, que vão desde os condicionadores de ar, até as lixeiras que, além da limpeza, devem ser preferencialmente com tampas e pedais para evitar o contato das mãos.

Além disso, as cadeiras devem ter o afastamento mínimo de 1 metro e as mesas devem ficar a 2 metros de distância umas das outras pra reduzir os contágios. Para evitar aglomerações, os funcionários devem ficar atentos à entrada e saída dos consumidores.

Nas áreas de manipulação de alimentos será proibido todo ato que possa contaminar os alimentos, como: comer, fumar, tossir, espirrar, se coçar, tocar o nariz, orelhas ou boca, falar desnecessariamente, usar o celular, dentre outros atos que podem oferecer contágio..

As readequações dos espaços irão gerar uma série de custos extras. A respeito do impacto destas medidas sobre preços dos pratos, o empresário esclarece que a princípio não há planejamento quanto ao repasse com a adaptação do espaço ao “novo normal”, por outro lado ele já estima que a diminuição de mesas pode reduzir o faturamento em cerca 40%.

Por outro lado, o Espetinho e Chopp que reduziu o quadro de funcionário em cerca 90% durante a pandemia e as expectativas para abertura das portas no próximo mês não são positivas, pois para obedecer os procedimentos de higienização e limpeza foi necessário demitir pessoal para balancear as contas, visto que o estabelecimento está com as portas fechadas desde março.

“Infelizmente tivemos que reduzir drasticamente o quadro. A demissão dos funcionários não foi uma questão de escolha, e sim de sobrevivência do negócio. O segmento de bares e restaurantes está esquecido e entregue à própria sorte”, lamenta Leocádio.

Até o momento os bares e restaurantes não tiveram acesso a linhas de crédito específicas para a categoria. O empresário alega que o financiamento de empréstimos foi dificultado pelas instituições bancárias.

Prejuízos dos buffets

Desde fevereiro deste ano, a casa de comidas Village mudou o seu formato de negócios saindo do restaurante, para o buffet e aluguel do espaço para festas e eventos. Porém, o gerente geral, Carlos Miguel Castro não contava com a chegada do novo coronavírus que afetou drasticamente os planos este ano.

A adequação à nova forma de funcionamento já havia rendido dívidas à empresa no início do ano. Porém, tornou-se inviável para a clientela realizar grandes eventos, então a casa precisou devolver parte dos valores negociados em contratos.

O gerente considera 2020 um ano perdido, pois a missão de manter os funcionários atendendo por meio de entrega não supre os gastos operacionais.

“Estamos aguentando porque pensamos muito nos nossos funcionários. Eu não sei até quando nós vamos aguentar, mas eu espero que os nossos governantes, de alguma forma, vejam a pandemia de modo social e não de forma política”, indica Carlos Miguel.

Higiene é prioridade

No seguimento das franquias de alimentação foi possível observar diversas realidades como no Detroit Steak House que possui 15% dos seus 28 pontos de venda no Brasil em funcionamento atualmente, de acordo com as medidas imposta em cada localidade.

De acordo com o diretor do grupo, Fábio Marques Júnior, o que tem ocorrido nos pontos que voltaram ao funcionamento é uma venda tímida, a princípio. Fatores como a ações do governo, números de casos e propagação de notícias tem determinado o comportamento dos clientes que, aos poucos, irão readaptando-se à rotina.

O caso destacado por Fábio é da cidade de Sinop, no estado de Mato Grosso, que aumentou rapidamente as vendas após a reestruturação do espaço para atender na pandemia. A cidade registrou poucos casos da doença, o que refletiu no comportamento dos moradores.

Para o retorno, o Detroit desenvolveu um novo manual de procedimentos que consiste desde a verificação da temperatura corporal na entrada, disponibilização de álcool gel em cada mesa, higienização nas mesas e cadeiras a cada uso, cardápio virtual com QR Code e o uso de máscaras para funcionários.

“São muitos detalhes que estamos fazendo para nos readaptarmos. De acordo com as pesquisas que nós estamos fazendo e recebendo hoje, a higiene é no fator preponderante no processo de escolha do cliente, mais importante que o preço”, ressalta.

Embora existisse a possibilidade de realizar entregas a domicílio, o diretor esclarece que a maior parte das franqueadas permaneceram com as portas fechado nos últimos meses devido o alto custo operacional. Cada unidade conta com pelo menos de 20 funcionários, além do aluguel de shoppings, gastos com energia elétrica e etc.

Para ajudar as franqueadas a reduzir as perdas no caixa das lojas, a matriz forneceu soluções como pedidos feitos por meio de robôs no WhatsApp e kits para entrega, como churrasco, aperitivos e opções vegetarianas.

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