Terça-feira, 22 de Setembro de 2020
Amazônia

'Abufari' aposta no extrativismo sustentável da castanha

No município de Tapauá, fábrica de castanhas trabalha com os pilares da responsabilidade social, inovação e tecnologia



1808875_2BD29E1C-3D9C-4C2F-8D99-46F79ABED589.jpeg Foto: Arthur Castro/Secom
24/08/2020 às 20:39

Cansado da vida no escritório de uma multinacional de petróleo e gás, o advogado especialista em Direito internacional privado, Leonardo Baldissera, deixou a cidade de Curitiba apostar no sonho de promover o desenvolvimento econômico aliando preservação da floresta, por meio do beneficiamento da castanha do Brasil nas terras que pertenciam a família, no município de Tapauá, distante 760 quilômetros de Manaus.

Na propriedade já existia a extração das castanhas, porém, ainda era realizada de maneira rústica e o trabalho das mais de 90 famílias de coletores era explorado pelos atravessadores que levavam as amêndoas do município para beneficiamento no estado do Pará, pagando valores ínfimos para os castanheiros.



“A maioria dos atravessadores levam a castanha para ser beneficiada no Pará e isso acaba gerando emprego e renda lá naquele estado. Eles fidelizam e escravizam os castanheiros, pois, ao final da safra, quando não conseguem entregar eles continuam devendo para o atravessador”, explica o advogado.

Abufari

Foi observando isso e com apoio da Secretária de Produção Rural do Amazonas (Sepror) e do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), que o empresário criou a Abufari Produtos da Amazônia sob os pilares da responsabilidade social, inovação e tecnologia e qualidade.

A fábrica promove o cadastramento de parceiros coletores e paga 20% a mais do que eles recebiam. A expectativa é que somente até o fim deste ano sejam produzidas 80 toneladas da amêndoa. Leonardo projeta expandir a atuação da fábrica para outras comunidades que também sobrevivem da coleta e ainda diversificar a exploração sustentável dos produtos amazônicos, como o açaí, cupuaçu e a graviola.

Apesar de no primeiro momento o foco da Abafuri seja o mercado alimentício Sul e Sudeste do Brasil, a exportação dos recursos estão nos projetos das empresas. Além disso o anseio é que daqui há um tempo a agroindústria alcance os mercados de cosméticos, fármacos e perfumaria. “Meu sonho mesmo é colocar laboratórios itinerantes na dentro da Amazônia com botanicistas para fazerem pesquisas da flora”, revela.

Durante a pandemia foram investidos R$ 200 mil pela Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) para colaborar na superação da crise financeira pelos comunitários dependentes da extração da castanha. Desde a instalação da Abafuri na cidade já foram criados 40 empregos diretos e pelo menos mais 450 indiretos.

Resultados para todos

A parceria técnica entre a Abufari e o governo do estado, além de desburocratizar o processo para a criação da primeira indústria agroextrativista no município, disponibilizou técnicos para a formação de mão-de-obra qualificada no município, para que os castanheiros melhorassem o seu produto. Com pouco mais de um mês em operação e em Tapauá os benefícios da presença da indústria, como afirma o morador e gerente de produção, Mesaque Amaral.

“Estou muito satisfeito com essa evolução da nossa cidade porque foi uma empresa foi uma empresa que veio agregar valor para gente em questão de emprego e renda. Ela esta ajudando desde o castanheiro lá no meio do mato até os grandes empresários”, aponta Mesaque. O interior do estado possui várias riquezas a serem exploradas, mas falta a aposta dos empreendedores nesse potencial.

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