Sexta-feira, 07 de Maio de 2021
GAMES

De olho no mercado internacional, estúdios de criação de jogos do AM buscam incentivos

Apesar dos incentivos ao ambiente de inovação local, engenheiros e designers dizem que ainda faltam legislações que favoreçam o investimento nos novos talentos dos jogos



DIN_2806_PETITFABRIC_A8473A3B-0251-46BA-9C24-91D76457542C.jpeg Foto: Divulgação
29/06/2020 às 16:06

A necessidade de ficar em casa levou o mundo inteiro a buscar novas formas de entretenimento e um dos ramos mais beneficiados com essa mudança de comportamento foi o mercado de games. O grupo Nielsen, que avalia as principais tendências de consumo mundial, apontou que os gastos com jogos digitais, somente no mês de março, ultrapassaram a marca de US$ 10 bilhões.

No Amazonas, a produção ainda caminha a passos curtos para o fortalecimento da inovações no mundo dos jogos digitais. Para o CEO da empresa de entretenimento e tecnologia Petit Fabric, Olimpio Neto, apesar do Amazonas possuir profissionais de destaque na criação de ilustrações e desenvolvimento de games a nível internacional, os incentivos do governo local e nacional ainda são ínfimos perto das possibilidades que o setor oferece.



Recursos não chegam

Olímpio diz que apesar dos incentivos ao ambiente de inovação local com os recursos provenientes da Lei da Informática, ainda faltam legislações que favoreçam o investimento nos novos talentos dos jogos, e isso acaba dificultando o andamento de bons projetos desenvolvidos por estúdios menores e que não possuem forças para dar seguimento as suas criações.

“O Amazonas tem esse viés tecnológico que não é de hoje. Ele existe por conta da Lei de Informática no Amazonas, mas no aspecto de games as iniciativas são totalmente independentes”, ressalta.

A baixa qualidade da internet da região também é um fator que pode agravar o desenvolvimento dos softwares, pois com a internacionalização dos produtos é uma necessidade e uma boa transmissão de dados é um passo para disputa igualitária com a concorrência mundial.

Play para o sucesso

O CEO atribui o sucesso da Petit Fabric que hoje desenvolve o jogo Kukoo Monkeys: The Lost Pets, através da startup com o mesmo nome, a colaboração do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT) e da Fundação Paulo Feitosa (FPF Tech), por meio do Programa Prioritário de Economia Digital (PPED), que colaboram para a internacionalização e estrutura física para fomento do jogo. Além disso, ele destaca a persistência e maturação de ideias que vêm sendo desenvolvida ao longo de anos.

O estúdio que começou a sua história há 13 anos, no bairro Coroado, Zona Leste de Manaus, prevê a finalização do jogo Kukoo Monkeys até o mês de outubro. Após muitas validações internacionais, a criação esta sendo projetada para o Xbox, em uma parceria com a gigante da tecnologia mundial Microsoft.

Estúdio independente

Formada por um trio de vizinhos, a Ludic Studios teve início após os engenheiros da computação Joel Hamon, Lui Gama e o designer, Artur Gama, participarem de um desafio internacional de games e se posicionarem entre os 50 melhores projetos desenvolvidos em um final de semana.

Foi então que desde 2015 os amigos vislumbraram a possibilidade de viver para o mercado de entretenimento. O primeiro software pensado por eles teve dificuldade para adentrar o mercado devido a falta de recursos para manter-se na cidade de São Paulo, onde o jogo seria validado.

Joel Hamon, acredita que além da necessidade de investimentos no setor, o Amazonas precisa ainda criar um ecossistema através de eventos para promover a interação entre os atores. “Nós temos o Polo Industrial aqui e é estranho que eles não tenham percebido o poder do investimento em jogos”, enfatiza.

Devido essa dificuldade foi somente em 2017, que o estúdio independente lançou o AKANE, e conseguiu conquistar o público gamer no Nintendo Switch, e PC. É atráves desse lucro que são custeadas as contas de empresa e os novos projetos em desenvolvimento pela Ludic.

Profissionais requisitados

Assim como Olimpio, o produtor executivo do Black River Studios, Diego Andrade, destaca que a presença de grandes estruturas tecnológicas para o desenvolvimento de games, como a existente no Instituto Sidia de Ciência e Tecnologia, foram fundamentais para dar um ‘start’ na criação de um ciclo para o ambiente dos games, pois a necessidade de profissionais especializados despertou o interesse das universidades na formação acadêmica para a área.

Apesar dessa melhoria na formação para a criação de jogos, Diego relata que no Brasil há dificuldade para preencher vagas para determinadas especialidades. “Eu acredito que as vagas são as mais difíceis de encontrar aqui, mas honestamente é difícil de encontrar no Brasil vagas para artista técnico e artista de efeitos especiais”, diz.

O Black River Studios dedica-se desde 2015 ao desenvolvimento de jogos para smartphones, consoles e computadores. A sua primeira criação independente, o Finding Monsters Adventure, disponível em mobile e realidade virtual (VR) para Android, hoje possui uma avaliação 4,7 na Play Store. Ao longo do cinco anos de existência também se destacam as criações como o Ballona e o Conflit 0: Revolution.

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