Domingo, 31 de Maio de 2020
HOME OFFICE

Profissionais de diversas áreas conquistam mercado sem sair de casa

De arquiteto, nutricionista, psicólogo a professor de idiomas. Profissionais liberais trabalham via internet e oferecem serviços de forma mais cômoda e econômica



foto_home_office_E17E45FD-0410-4235-A315-27F4D7371F9F.JPG Junio Matos/Freelancer e divulgação
16/03/2020 às 15:07

Trabalhar no conforto de casa já é uma realidade para alguns amazonenses. Profissionais que antes dispunham de espaços de trabalho tradicionais, estão migrando para o home office, um modelo mais econômico, tanto para o empreendedor, quanto para o consumidor.

As arquitetas Najara Paixão e Thaís Dias, 26, criaram juntas a ‘Decora Já!’. A empresa surgiu a partir da ideia de trazer uma proposta de arquitetura mais rápida e prática para renovar um ambiente. A dupla atua em home office desde o começo.



“Funciona muito bem, porque conseguimos nos organizar quanto a horários de trabalho. Criamos vários pacotes de projetos e fomos expandindo para atender clientes de consultoria até reformas maiores, tanto pessoas de Manaus quanto clientes à distância”, conta Thaís.

A dupla se conheceu na faculdade de arquitetura, onde estudaram juntas nos cinco anos do curso. Para elas, o home office representa facilidade e praticidade de estar no trabalho sem precisar se locomover ou pegar trânsito.

Disciplina é indispensável para quem escolhe este modelo de trabalho. “É preciso ter um cronograma semanal para trabalho, o que será feito e como será feito. Também nos atentarmos para dividir acompanhamentos em obra de trabalhos de criação, estes últimos feito em escritório”, explica Thaís.

Psicóloga online

Aghata Campos Valentim, 26, é psicóloga clínica e especialista em terapia cognitivo-comportamental. Seu trabalho home office começou em 2018, com a criação de um site para atendimento online, o www.suapsicologaonline.com.br.

Foto: Arquivo Pessoal

“Como não tenho clínica e tinha custos com deslocamento e aluguel, vi na terapia online uma oportunidade de crescimento, abrangendo pacientes de todos os lugares”, conta Aghata.

Em sua residência ela organizou um espaço físico para atender seus pacientes online com segurança, comodidade e sigilo. Sua primeira paciente é da Austrália. Por causa desta paciente, Aghata passou a atender outras duas pessoas, uma de Belém (PA) e outra da Bélgica. “Recentemente atendi uma de Dublin, na Irlanda. Atendo muitos pacientes do sul e sudeste do país e até mesmo dos municípios daqui do Amazonas, fora os pacientes da capital”, relata a psicóloga.

Para que um psicólogo possa oferecer o atendimento online é preciso se cadastrar no portal e-psi.cfp.org.br, onde deverá informar recursos tecnológicos que irá utilizar, dará fundamentação sobre a abordagem teórica e todos os recursos metodológicos que usará. As informações serão analisadas por especialistas e só então o psicólogo terá autorização para fazer o atendimento online. O processo leva em média 60 dias. Após receber sua aprovação, o psicólogo poderá atuar online durante um ano. Após este período deverá fazer a renovação.

Nutricionista

A criadora do Método de Emagrecimento Mente Magra em 21 dias (MM21) também se rendeu ao home office. Luciana Santana é nutricionista e master coach, tem como missão ajudar mães e mulheres a emagrecerem.

Foto: Junio Matos

Após 10 anos em consultório físico, ela decidiu trabalhar em casa. Há dois anos ela atende exclusivamente online. O que a fez mudar foi a agenda lotada. Para dar conta de toda sua demanda, ela precisava trabalhar de 12 a 13 horas por dia.

Hoje, ela garante que possui o mesmo faturamento, trabalhando 90% menos. O serviço chega 80% mais barato para os clientes.

“Tenho mais tempo para a família, para os filhos e para o lazer”, conta a nutricionista.

De amiga de faculdade a sócias: Najara Paixão e Thaís Dias são criadoras do Decora Já! que desenvolve projetos de arquitetura e oferecem o serviço home office A psicóloga Aghata Campos Valentim oferece psicoterapia online desde 2018

Aulas pela internet

A educação online ganha cada vez mais adeptos. A facilidade de estudar sem sair de casa é hoje o grande diferencial que o professor César Pereira, 51, oferece.

Foto: Divulgação

Professor de língua inglesa há 34 anos, ele conta que desde o ano passado tem sentido uma alta procura pelos seus serviços. Tudo começou com um aluno de Miami, nos Estados Unidos. Um latino que estava morando na América do Norte e não sabia falar a língua. Assim ele iniciou seu atendimento online.

Hoje ele tem 50% do seu total de alunos tendo aulas online. Para facilitar, ele utiliza plataformas de videochamadas que possibilitam compartilhamento de links e slides. O aluno pode fechar pacotes de aulas, a partir de oito horas mensais. “A vantagem da aula individualizada é a flexibilidade”, conta.

Desde que iniciou no home office, reduziu pela metade os gastos com a profissão. O professor trabalha para a plataforma Global Amazon. Uma empresa idealizada por um amazonense que se mudou para os Estados Unidos e abriu uma escola para brasileiros morando na região.

O professor ainda tem 50% dos seus alunos com atendimento presencial, porém, tem como objetivo ser 100% online no futuro.

A professor Nilma Falcón, 55, também trabalha online. Em vez de dar aulas, ela presta consultoria em educação para um empresa de Curitiba (PR) que cria plataformas de ensino à distância (ead).

Os 27 anos de experiência em educação que a professora tem são utilizados para ajudar a equipe de elaboradores de sistemas a ter um ensino adequado para cada faixa etária. “Eu dou minha opinião, dou sugestões, de acordo com a faixa etária de cada criança”, explica a professora.

Para ela, esta oportunidade tem sido excelente e lhe despende apenas um turno por dia. “É uma experiência muito agradável continuar trabalhando na minha área. Esta é a função do professor, ajudar sempre”, compartilha.

Modalidade já é realidade

De acordo com a Sap Consultoria em Recursos Humanos, o home office já uma realidade no Brasil. Na Pesquisa Home Office Brasil 2018 foi constatado que 45% das empresas participantes já praticam home office e 15% estão avaliando a implantação.

Das empresas que têm a política, 25% implantou há menos de um ano, o que mostra uma nova visão de gestão para permitir maior flexibilização na jornada de trabalho, diminuir a mobilidade urbana e melhorar a qualidade de vida.

De acordo com a pesquisa os ramos mais interessados nestes modelos são o de TI/telecom e serviços.

As razões principais são: melhoria da qualidade de vida dos colaboradores e mobilidade urbana - Ex: rodízio de veículos, diminuição do tempo no trânsito.

Repórter de A Crítica

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