Quarta-feira, 25 de Novembro de 2020
Mercado

Interesse pelo cultivo de plantas na pandemia impulsionou novos negócios

Com a grande procura desse nicho, foram criadas lojas online para suprir as demandas desses novos clientes.



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14/10/2020 às 14:41

A pandemia trouxe grandes mudanças na vida de todos desde o início de março. Por conta do distanciamento social, muitas pessoas tiveram que ficar em casa a maior parte do tempo. Sem poder sair, começaram a criar novos hábitos, costumes e até hobbies diferentes. Um deles é o cultivo de plantas, cujo interesse aumentou significativamente durante a quarentena.

Assim como foram registradas quedas em diversos setores do mercado como turismo, bares, restaurantes e shoppings, outros segmentos continuaram em alta, mesmo em crise. Supermercados, lojas online, farmácias e serviços de delivery sobreviveram. Outros empreendimentos surgiram a partir dessa mudança de hábitos dos consumidores: o mercado de plantas é um deles.



Com a grande procura desse nicho, foram criadas lojas online para suprir as demandas desses novos clientes. Uma delas é a ‘Selva no Apê’, loja de plantas selecionadas, que já são entregues no vaso ou cachepô, com drenagem e substrato fertilizado. Suzy Braga, profissional de marketing, foi quem começou a empreender nesse ramo e que criou a página.

Ela já compartilhava informações sobre jardinagem em suas redes sociais e notou que a procura por informações sobre o assunto se tornou mais frequente no decorrer da pandemia. “Além das informações que eu passava, as pessoas espontaneamente começaram a pedir para comprar as plantas da minha coleção pessoal. Foi nessa hora que percebi que era uma boa oportunidade de negócio”.

terapiaSuzy conta que cultivar plantas, além de levar uma estética bonita ao ambiente, é uma forma de terapia e amor à natureza. “As pessoas estavam em suas casas e viram a necessidade de levar um pouco da natureza para seus lares. Além de ser um período difícil em vários aspectos, as plantas foram grandes aliadas para o bem estar e a sanidade mental de muitas pessoas”.

A página da loja ‘Selva no Apê’ no Instagram conta com mais de dois mil seguidores e suas publicações possuem diversas orientações de cuidados sobre o cultivo das diferentes espécies de plantas.

Além de empreender, Suzy comenta que seus principais clientes são ávidos por informações de qualidade: “Como em nosso atendimento sempre orientamos sobre os produtos que vendemos, nossos clientes, que em sua maioria são bem diversos e com consciência ambiental, se sentem mais confiantes em praticar a jardinagem e ainda mais interessados em pesquisar sobre o tema”.

Cuidar de plantas pode ser um escape
Segundo o psicólogo Renato Gomes, que trabalha na área de terapia cognitivo-comportamental, muitas pessoas buscaram um escape para distrair a mente em suas casas, já que estamos em momento em que as mídias sociais se tornaram muito presentes na vida das pessoas e que criar ou aprender algo novo é essencial para sair da rotina. “Nós somos seres que gostamos de ter prazer, por estar em contato com prazer o tempo todo, nas redes sociais por exemplo, a gente vai procurar algo novo para dá prazer. Então vamos querer fazer as coisas de forma diferente e também uma maneira de distrair nossa emoção. E esses novos hobbies, como cuidar de plantinhas por exemplo, são fundamentais para continuarmos tendo prazer de uma maneira mais confortante e que traz mais tranquilidade”.

Ele conta que também virou pai de planta durante a pandemia. “Isso vem muito das redes sociais, muitas pessoas do círculo social e até influencers postam alguma coisa sobre plantas, e como uma pessoa vai influenciando a outra, a gente acaba se interessando e realmente é um hobby muito interessante porque podemos aprender mais sobre o cultivo, as funcionalidades, os cuidados e a sua importância”.

Dentista cria hospital e hotel de plantinhas
Dentro do mercado de plantas existem outros serviços além da venda do produto. Há pessoas que criaram lojas virtuais para cuidar de uma planta quando está precisando de cuidados, como por exemplo troca de vasos, de substrato e até mesmo caso o cliente viaje, a opção de deixar para que cuidem dela. A ‘SOS Boas Plantas’, perfil criado pela dentista e professora Fabíola Chui, 43, diz que muitos clientes estão procurando pelos seus serviços. “O ‘SOS Boas Plantas’ foi muito procurado, até porque muitas pessoas começaram a comprar várias plantas e não sabe os cuidados que ela precisa ter, mas estamos aqui pra ajudar”.

Fabíola comenta que sua relação com as plantas é antiga e que vem muito antes da pandemia: “A relação que tenho com elas foi aprendida de forma muito natural. Pelo que via através dos cuidados da minha avó com o seu quintal”. Ela conta que possui várias espécies, tanto no quintal, nos quartos, na sala, mas que tem um carinho especial por plantas amazônicas.

Outra ‘mãe de planta’ é a dentista e fotógrafa Carol Pedrosa, que sempre gostou de ambientes com muito verde, mas nunca tinha tempo para aprender a cuidar.. Com o isolamento social, veio a vontade de deixar a casa mais viva e aconchegante. Já no primeiro dia de quarentena, comprou cinco plantas e em menos de três meses, ela já contabilizavam mais de 40. Carol diz que a planta mais difícil que cuidou foi a begônia: “Eu a ganhei de presente, mas infelizmente ela não resistiu. Meu sonho de consumo era ter uma árvore frutífera, mas só vai rolar quando morar em um espaço maior”.

Carol explica que, com o tempo, cuidar das plantas se torna mais fácil: “Observe elas. As plantas falam com a gente. Com o passar do tempo você vai percebendo se está muito quente pra elas, se estão com sede, se tem muita água, se falta luz. Com a experiência e a vivência, vamos aprendendo. E não desistam! Ter uma casa cheia de vida faz toda a diferença”.


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