Domingo, 09 de Maio de 2021
CULTIVANDO SONHOS

Jovens empreendedoras superam desafios para cultivar café em solo amazonense

Adriana de Oliveira, de 25 anos, e sua sócia Sara Dutra, de 28, arregaçaram as mangas para realizar o sonho de iniciar uma plantação de café em sistema agroflorestal a 80 km de Manaus



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17/04/2021 às 09:01

Em meio aos desafios de realizar o cultivo do café no Amazonas, ainda mais durante a pandemia do novo coronavírus, as engenheiras agrônomas Adriana de Oliveira Souza, 25 e Sara Seixas Dutra, 28, arregaçaram as mangas e decidiram investir no cultivo do grão em sistema agroflorestal na comunidade Paraná da Eva, localizada a 80 quilômetros de Manaus.

Adriana de Oliveira conta que a decisão de cultivar café surgiu por serem amantes da bebida, pelo aquecimento do mercado do café na região e por ambas carregarem a vontade de fortalecer a cadeia produtiva do grão que por si só conta a história do Brasil.



Conforme a jovem empreendedora, o incentivo para atuar em campo surgiu após ganharem o prêmio Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente, em 2019, com o projeto: “Café em Sistema Agroflorestal na Amazônia”. Antes disso, nenhuma das duas tinha recursos para iniciar o trabalho com o grão em terras amazônicas.

“Foi por conta desse prêmio que nos proporcionou fazer o primeiro implante de um hectare de café em Paraná da Eva”, destaca. “Nós estamos há um ano e um mês trabalhando com o café em campo e trabalhar com isso veio muito não somente pelo valor histórico que ele tem, mas também pela nossa enorme paixão pelo café. Então, a gente acredita que é possível fortalecer a cadeia produtiva de café na região”.

Os grãos foram plantados em março de 2020 e já está em seu primeiro ano de cultivo. Adriana de Oliveira ressalta que o ciclo da produção do café, geralmente, começa no terceiro ano, isso em boas condições, ou seja, dependendo da adubação, do manejo e da frequência de irrigação.

“Agora o que nós estamos aguardando é a produção. O café está em seu primeiro ano em solo. A gente está fazendo manejo de crescimento e estabelecimento da cultura. Esse ano de 2021, o foco é adubação e manejo para proporcionar as melhores condições para a planta”.

No entanto, antes de chegar ao trabalho atual, as duas percorreram e ainda enfrentam inúmeros desafios principalmente em termos de logística. “Nós fomos buscar de muito longe as mudas, elas vieram de balsa para a região onde nós trabalhamos, em Paraná da Eva. O problema da logística encarece as coisas como os insumos agrícolas”, destacou. “Como a gente plantou na época de pandemia, nós sofremos um pouco mais com os insumos encarecidos e também pela falta dele, sem falar da falta de mão de obra que nós sentimos bastante também”.

O início da plantação das mudas

Para cultivarem o café, elas passaram a estudar o clima do Amazonas, o solo, e ainda tiveram a oportunidade de serem voluntárias do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), órgão que atua com a produção do grão em estados como Amazonas e Rondônia.

“Nós descobrimos que uma empresa grande de café, no Brasil, havia comprado uma empresa menor aqui da região, então abriu-se o mercado, a possibilidade de plantar aqui e por conta disso, nós começamos a procurar professores, profissionais que já tinham experiência em campo para começarmos o trabalho, fomos reunindo informações”, explicou Adriana de Oliveira.

“Com a minha sócia, fomos procurar quem já sabia plantar café no Amazonas e nós tínhamos o Idesam como referencia. Com isso, a gente se voluntariou e, nesse voluntariado, viajamos para uma reserva deles, que fica no Uatumã, e nós tivemos um conhecimento muito maior sobre o sistema agroflorestal”.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o sistema agroflorestal pode ser definido como o plantio de espécies agrícolas e florestais em uma mesma área. Esse sistema torna possível a produção de grãos, frutos e fibras sem que a natureza seja prejudicada, uma vez que misturam-se espécies agrícolas, gramíneas, frutíferas e florestais em um mesmo espaço. “Em viagem ao Uatumã, nós vimos que trata-se de um sistema que existe há gerações na Amazônia, ele se auto se beneficia”, comentou ainda.

“O processo de aprendizagem vai muito pela vivência. Nessas viagens, nós conseguimos falar com agricultores rurais, conversar com quem lida no dia a dia no campo e isso vem nos ajudando bastante. A gente costuma dizer que metemos mesmo a cara para trabalharmos com café”.

Amor pela agricultura familiar

Adriana de Oliveira sintetiza que o amor pela produção rural não é de agora, as duas sócias, naturais de Manaus, tiveram vivência com agricultura desde a infância. “Nós somos descendentes de agricultores familiares, então isso só despertou uma coisa que nós já sabíamos, mas não tínhamos essa parte mais técnica, já que víamos muito pouco na faculdade. Essa experiência no Idesam, como voluntária, foi no intuito de saber como funcionava e saber como o café se adequaria ao solo”, ressaltou.

“Seguir essa profissão tem muito do histórico familiar, é algo que eu sempre me identifiquei, eu cresci no meio disso e isso sempre me cativou bastante. A história da minha sócia é um pouco parecida. E nós colocamos como meta: aprender, estudar e devolver o aprendizado com produção rural para onde nós viemos”, finalizou.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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