Dia das mães

Mães conciliam trabalho em casa com atenção aos filhos em Manaus

Conciliar as obrigações de mãe com o trabalho durante a quarentena tem sido um desafio para muitas mulheres, inclusive de Bruna Oliveira

Giovanna Marinho
11/05/2020 às 12:34.
Atualizado em 10/03/2022 às 08:52

(Aos 17 anos, Bruna tornou-se mãe de Tiago, hoje com 13 anos. Bruna é empreendedora e publicitária Foto: Arquivo pessoal)

Conciliar os trabalhos com a rotina do filho Tiago Gabriel, 13 anos, tem sido um desafio para a empresária Bruna Oliveira. Durante o isolamento social, ela e a cunhada que são sócias e mães, precisaram organizar novos horários para confeccionar os doces que vendem através de aplicativos de entrega.

“O home office é complicado porque quando eles nos veem em casa, eles querem atenção, mas possuímos as demandas diárias. Na Páscoa, chegamos a acordar de madrugada para produzir, porque assim as crianças não estariam acordadas”, relata a empresária.

Emocional abalado

Em um estudo realizado pela plataforma de recrutamento Catho com 7 mil respondentes, 60% das mulheres afirmaram que estão sentindo os impactos do isolamento social na sua saúde emocional, destacou-se no levantamento os relatos de ansiedade, apontada por 79% das participantes.

Mas cuidar do filho durante a quarentena é apenas mais uma das missões enfrentadas por Bruna desde os 17 anos de idade quando tornou-se mãe. Ela desde cedo conheceu as dificuldades acarretadas pela conciliação entre a maternidade e o mercado de trabalho.

A falta de participação delas na economia é uma preocupação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que em seu último levantamento revelou que apenas 48% delas estão no mercado de trabalho com 74% dos homens.

Sem oportunidades

Para cuidar do filho, ainda pequeno à época, Bruna abriu mão os estudos por um tempo, mas depois de concluir a sua segunda graduação, em publicidade, e conta que teve dificuldades para encontrar um emprego na área que permitisse acompanhar o crescimento do Tiago.

“Ouvi que o fato de ser mãe e precisar por exemplo levar o filho ao médico iria atrapalhar a minha rotina dentro da empresa”, conta ela sobre a dificuldade de adaptação aos perfis exigidos para os empregos.

Após várias tentativas, ela buscou o caminho que, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), cerca de 24 milhões de mulheres brasileiras também trilharam. Grande parte desses números refletem um quadro já conhecido no Brasil, o empreendedorismo por necessidade, já que 45% delas precisam manter a renda da casa.

Avanços e retrocessos

A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), possui uma série de dispositivos para amparar a maternidade. Essas obrigações constituem-se desde o direito ao acompanhamento do pré-natal, afastamento dos serviços que estabelecidos como insalubridade, sem prejuízo e com garantia de retorno ao trabalho, até a licença de após a gestação.

Essas normativas de acordo com a juíza do trabalho Sandra Maria Alves embora sejam grandes avanços nos direitos das mães ao trabalho, são uma forma de estabelecer uma igualdade entre homens e mulheres na medida das desigualdades impostas sobre elas. “Ainda recai muito fortemente sobre as mulheres uma cobrança social em relação aos cuidados com os filhos”, aponta a magistrada.

A respeito da sobrecarga ocasionada pelo teletrabalho, a juíza do trabalho lembra que a reforma trabalhista vetou o controle da carga horária o que pode ocasionar uma sobrecarga sobre as mulheres que desempenham também o trabalho doméstico.

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