Segunda-feira, 06 de Abril de 2020
INOVAÇÃO

Mercado de ensino mira no potencial de educação dos 'nativos digitais'

Espaços em Manaus agregaram crianças que entram em contato com smartphones e tablets desde muito pequenas, e que manuseam aparelhos antes mesmo de aprender a ler e escrever



zCID0302-100_p01_1D1D15BF-1CB0-4F95-9C9C-C531F0D0EE49.jpg Foto: Divulgação
02/01/2020 às 06:47

É cada vez mais frequente encontrar crianças que aprendem a mexer com dispositivos digitais, como smartphones e tablets, desde muito pequenas. Elas são chamadas de “nativos digitais”. São crianças que nasceram em um mundo dinâmico, cercado por todo tipo de tecnologia e que, na maioria das vezes, aprendem a manusear plataformas digitais antes mesmo de aprender a ler e escrever.

Especialistas afirmam que é um erro ignorar ou mesmo deixar a tecnologia de fora da relação: ensino–aprendizado, já que essa interação deve ser saudável e funcional, além de aproveitar todos os benefícios dessa experiência.



Para Glauco Aguiar, diretor da Escola de Robótica Manaós Tech for Kids, a educação infantil deve aproveitar as habilidades que as crianças têm com as tecnologias para despertar a criatividade e raciocínio, entre outros. “Uma das novidades para a nossa escola em 2020 é que vamos abrir turmas para crianças a partir de cinco anos de idade. A nossa forma de aprendizagem não requer leitura alguma delas porque o nosso material de ensino é bem lúdico”, explicou.

Há três anos atuando na educação voltada para tecnologias, Aguiar acredita que um dos principais benefícios de introduzir mais cedo as crianças na mecânica para robôs, por exemplo, está no desenvolvimento da coordenação motora.


Foto: Divulgação

“As crianças começam com o material de introdução à mecânica para robôs, onde usarão uma ferramenta chamada Gears and Gears (uma espécie de robótica de encaixe). Com as estruturas e engrenagens, os pequenos vão montando e criando formas e, com isso, aprendem conceitos de mecânica, Scratch Jr, entre outras tecnologias”, afirmou o diretor da Escola de Robótica.

O administrador, Moisés Branco, pai da pequena Ana Alice, de 9 anos e que estuda robótica desde os 7, afirmou que a função dos pais é dar oportunidades para que os filhos desenvolvam as suas habilidades.

“Como saberemos quais são as habilidades das crianças se elas nunca tiverem a oportunidade de usar? Então, quem tiver condições financeiras deve por os filhos na robótica, natação, balé, culinária, equitação, tudo o que for possível. Hoje, pode não fazer sentido para essa criança, mas no futuro esse conhecimento aprendido vai se encaixar. Além disso, dar oportunidades de aprender tecnologia desde pequeno é a mesma coisa que ensinar a ler e escrever. Basta olhar em volta: portarias, caixas eletrônicos, celulares, câmeras de segurança, prontuário eletrônico, carros, geladeira, tudo é tecnologia”, analisou Moisés.

Oportunidade

De olho nos talentos e nas habilidades dos nativos digitais, o diretor da Escola de Robótica Manaós Tech for Kids, Glauco Aguia informou que, em 2020, as novas turmas contarão com o curso “Jedi Coder”, onde adolescentes de 12 a 16 anos, que têm afinidade com algum tipo de linguagens de programação, poderão aprender a desenvolver seus próprios aplicativos e interfaces de Inteligência Artificial, entre outros dispositivos tecnológicos.

“A turma de Jedi Coder é totalmente voltada para programação. Os adolescentes começam desenvolvendo aplicativos (APP), depois vão para linguagem Python, Inteligência Artificial (A.I), desenvolvimento de Android Studio e aplicativos profissionais. Depois eles passam para a fase de desenvolvimento web produção de sites, API e outras aplicações online. Ao fim do curso, os alunos apresentarão um projeto de programação onde usarão uma dessas plataformas que aprenderam. Isso tudo é muito legal porque eles vão ver a parte de mobile, web e desktop – as três áreas principais de programação, fazendo com que eles já possam estar aptos para escolher uma carreira relacionada”, explicou Aguiar.

Letramento digital

Apesar de vivermos na era digital, existem ainda educadores que são contra a inclusão das tecnologias na educação infantil, como revelou a pedagoga e especialista em Tecnologias na Educação, Nivia Maria Cruz Carvalho.

“Estamos numa geração que temos alunos do século XXI, professores do século XX e pais do século XIX, ainda. Eles acreditam que aprender a ler e escrever é só decorar as palavras, decorar as letrinhas, escrever o nome e sabemos que não é só isso! Mas quando a escola se propõe a fazer o uso da tecnologia sem ter um isolamento, sem anular ou excluir a educação tradicional, aí ela só acrescenta. E então, essa escola é bem vista e essa educação é aceita pelos pais”, explicou.

Nivia Maria reforça que a educação infantil é onde a criança tem o primeiro contato com outras linguagens que não se resume a apenas alfabetizar. Para a educadora, atualmente, essas linguagens que estão tomando conta do cenário são as linguagens tecnológicas, como a lógica, o raciocínio, a robótica e tudo que não é a linguagem tradicional.


Foto: Divulgação

Para a advogada e especialista em Gestão Educacional, Fabíola Rebelo, a questão do uso das tecnologias na educação nos dias de hoje é quase que necessária. Mas, conforme a especialista, existe uma grande necessidade de um melhor preparo dos professores e das escolas para ensinar de uma forma mais criativa e inovadora.

“Nos dias de hoje, aprender sobre robótica e programação é essencial para as crianças e adolescentes. As pessoas precisam aprender um mínimo de tecnologia porque já vivemos num mundo que é preciso saber o mínimo de letramento digital para votar, para ir ao banco, entre outros serviços. Imagina quando essas crianças crescerem?

Percebemos que hoje em dia, a pessoa só consegue se enquadrar no mercado de trabalho se tiver um mínimo de letramento digital”, comentou a advogada. 

E outro gargalo apontado por Fabíola é a facilidade em que os alunos têm todo tipo de conteúdo na internet. Uma variante que acaba exigindo ainda mais a criatividade e preparo dos professores para trabalhar o aprendizado de forma mais interessante nas salas de aula.

News portal1 841523c7 f273 4620 9850 2a115840b1c3
Jornalismo com credibilidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.