Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
sustentabilidade

De cosméticos a alimentos, marcas reinventam produtos pensando no público vegano

Segundo o último levantamento realizado pelo Ibope, cerca de 14% da população brasileira, o equivalente a 30 milhões de pessoas, é adepta a dietas que limitam ou excluem o consumo de proteína animal



capa_din_E8E0F685-A929-4675-8AD3-6562131FC2D9.JPG Foto: Junio Matos
11/02/2020 às 15:52

A preocupação com a saúde e o meio ambiente tem alterado o comportamento de muitos consumidores brasileiros. Segundo o último levantamento realizado pelo Ibope, no Brasil, cerca de 14% da população é adepta a dietas que limitam ou excluem o consumo de proteína animal, o equivalente a 30 milhões de pessoas.

Esse é o caso do advogado, Marco Tulio, que há 3 anos optou pelo não consumo de carne para controlar um problema de pressão alta, diagnosticado aos seus 17 anos.



Hoje, aos 31, ele conta que já fez ‘discípulos’ do vegetarianismo na sua casa e que, desde o início da nova dieta, tem notado o crescimento deste modelos de negócios na cidade de Manaus.

“Quando eu comecei só tinha uma, mas hoje não, você encontra vários restaurantes que são vegetarianos e vários que tem opções vegetarianas. A maioria [dos restaurantes] hoje em dia tem uma opção [vegetariana]”, contou.

Caça aos veganos

Para captar esse público que movimentou no país cerca de US$ 35 bilhões no ano passado, de acordo com a pesquisa da agência internacional Euromonitor, as redes de restaurantes e fast foods iniciam a ‘caça’ aos clientes, criando campanhas com produtos a base de planta ‘plant based’ e abrindo lojas especializadas.

Percebendo a necessidade desses consumidores, o restaurante Edi Sabor Vegetariano oferece um cardápio variado de pratos veganos. O lugar ainda estimula a campanha Segunda Sem Carne para os flexitarianos, oferecendo uma promoção de self-service sem balança a R$ 20, às segunda-feiras.

A proprietária do restaurante, Edinelza Araújo, que é vegetariana restrita, conta que percebeu a procura por este serviço quando cozinhava para os amigos, que ficavam surpresos com o sabor dos pratos.

“Eu comecei a conquistar pelo paladar, porque normalmente as pessoas acham que a comida vegetariana ou é sem sabor ou tem preconceito porque ainda não provaram e já acha que não é gostosa”, relata.

O restaurante localizado na avenida Mário Ypiranga, Adrianópolis, Zona Centro-Sul da cidade, e atende cerca de 100 pessoas por dia, no salão e no serviço de delivery.

Ciência para a mesa

O desafio de alimentar 7 bilhões de pessoas leva os cientistas a elaborar soluções viáveis, sem o abatimento de animais e com sabores e texturas semelhantes à carne bovina.

Recentemente, a doutora em Tecnologia de Alimentos e pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Janice Lima, desenvolveu o ‘New Burguer’, um hambúrguer que possui enriquecido com restos do caju.

“O bagaço, coproduto obtido no processamento do suco, representa 10 a 15% dos resíduos gerados. Esse produto, com grande potencial para uso na elaboração de novos alimentos foi beneficiado para uso na composição de formulações de hambúrguer de base vegetal”, conta a pesquisadora.

O projeto, que foi desenvolvido ao longo de 10 anos, iniciou na Embrapa Agroindústria Tropical, na cidade Fortaleza, e foi finalizado na cidade do Rio de Janeiro, com o apoio da Sottile Alimentos.

Além do bagaço da fruta, também foram adicionados à fórmula proteínas vegetais, fibra de caju, corantes e saborizantes naturais, amido, sal e condimentos. A ‘carne’ é rica em fibra e zero em gorduras.

Beleza consciente

O crescimento do ramo de beleza pode ressaltar também a preocupação dos brasileiros na compra de cosméticos mais naturais.

Um exemplo disso é a marca regional Simbiose Amazônica, que oferece produtos 100% naturais e veganos. A marca produz itens com a certificação internacional Halal, assegurando que o produto não utiliza em nenhuma etapa sofrimento de animais.

“No Halal não pode ter nenhum produtos de origem animal na formulação. E além disso nos não fazemos testes em animais”, explica o sócio e proprietário, Daniel Pinheiro.

Dentre os itens comercializados pela marca estão as argiloterapias de guaraná e cupuaçu, óleos amazônicos e aromaterapias com breu branco, copaíba e priprioca.

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