Sábado, 18 de Setembro de 2021
Guaraná Amazônico

Microempresário atravessou a crise mantendo a tradição e tendo as redes sociais como aliadas

Com 20 anos no mercado, Silvio Proença decidiu apostar na internet para vender produtos à base de guaraná e hoje metade de seu faturamento vem da web.



diegoperes_F1AB6221-C04B-4413-BD99-AB3F808C556A.JPG Fotos: Diego Peres/Divulgação
23/07/2021 às 19:13

A pandemia do novo Coronavírus mudou o funcionamento de 5,3 milhões de pequenas empresas no Brasil. Na contramão da crise, mesmo com a queda abrupta nas vendas, um microempresário de Maués, município do Amazonas, chamado Silvio Proença, 61, fez do limão uma limonada – ou melhor, do fruto do guaraná um delicioso xarope. Sem experiência em vendas on-line, ele decidiu apostar na internet  e hoje metade de seu faturamento vem dos clientes que conseguiu por meio da rede mundial de computadores.   

“A pandemia nos pegou de surpresa. Eu me considerava um analfabeto cibernético, mas comecei a usar mais a internet para divulgar meus produtos. Foi daí que comecei a ver esse lado do delivery. Passamos a entregar mais, principalmente para aqueles clientes que já frequentavam nosso bar mas não estavam saindo por conta das restrições. Hoje eu tenho certeza que se eu não tiver ativo na redes sociais, se não usar a internet, eu vou ficar pra trás”, conta Proença, proprietário do famoso Barão do Guaraná, um estiloso estabelecimento onde ele vende praticamente tudo feito a base do fruto.  



O gaúcho de Esteio, cidadezinha da região metropolitana de Porto Alegre, visitou Maués pela primeira vez há 23 anos como turista. Foi amor à primeira vista. Há pelo menos 20 ele trabalha com o beneficiamento do guaraná, produzindo o pó, bastão, xarope, pinga, licor, sabonete e até xampu. “Eu era usuário do guaraná, tomava como energético e aos poucos fui me envolvendo, conversando, conhecendo o caboclo plantador de guaraná e fui vendo que podia ser uma fonte de renda. Mesmo eu tendo trabalhado em uma grande construtora, vi a oportunidade de empreender justamente com o guaraná e essa foi a decisão mais acertada de minha vida”, relembra Proença. 

E tudo isso com um diferencial: os produtos desenvolvidos pelo ‘Barão’ são nacionalmente conhecidos pela qualidade, pois os frutos  orgânicos utilizados  nos derivados possuem selo de Indicação Geográfica (IG), conferido a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem. 

“Temos um carro-chefe que é a bebida conhecida na cidade como ‘Turbinado’. Até registramos no INPI  (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). Hoje tem gente grande produzindo com mais tecnologia aqui na cidade, mas nós fomos os primeiros e continuamos preservando a simplicidade e a mão de obra artesanal. Conseguimos  vender nossos produtos  para fora do país por conta da autenticidade. Nosso guaraná vem dos pequenos produtores, o guaraná está nas mãos da agricultura familiar e tudo isso agrega valor ao nosso produto”, ressalta Silvio.  

Fórmula desenvolvida na Europa

Empenhado, Silvio Proença contou com ajuda da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para participar de feiras, congressos e eventos mundo afora. Em um destes congressos de empreendedorismo realizado na Europa, o gaúcho teve a oportunidade de conhecer a Itália e levar, com autorização dos órgãos fiscalizadores, alguns grãos do guaraná. 

Foi nesta viagem que ele conseguiu produzir um de seus produtos mais inovadores: o licor de guaraná. “Todo mundo vem para comprar, as pessoas gostam muito”, comentou. 

Os colonizadores, quando chegaram ao Brasil, já bebiam licor. Em 1500, os capuchinhos já se embebedavam com seus licores artesanais. Inspirado pela história, Silvio teve a brilhante ideia de produzir um licor de guaraná. “Licor todo mundo faz. Mas o nosso é diferente. Numa dessas idas à Europa conheci um produtor que me ajudou a desenvolver um xarope especial. Eu já tinha na imaginação de fazer uma coisa amazônica,  com a tecnologia deles”, conta.  

Além do licor, o Barão do Guaraná também saboriza cachaças. “Costumo dizer que são receitas que foram doadas pelos duendes da floresta, pelas pessoas mais velhas, mais idosas. Eu sempre estou andando pelas comunidades, conversando, pegando receitas”, completa. 

Dentre tantas outras experiências, o guaraná possibilitou realizações de sonhos ao gaúcho e, após mais de meio século vivido,  ele diz que o sentimento é de gratidão. “Esse sentimento, após os 60, parece que vem com mais nitidez. A gente sente a pulsação maior. Trabalho com um produto do bem, que energiza as pessoas, que dá ânimo. Comigo não poderia ser diferente”.
 

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Editora da coluna Sim & Não.

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