Sábado, 04 de Dezembro de 2021
SUSTENTABILIDADE

Slow fashion: loja colaborativa em Manaus investe na moda sustentável

A “moda lenta”, em tradução literal, é uma alternativa ao fast fashion, e inclui na filosofia comprar roupas vintage, redesenhar roupas velhas, comprar de pequenos produtores, fazer roupas e acessórios em casa e comprar roupas que duram mais



Slow_Capa_02713E3A-84FC-4B5F-9CAD-6EAAFFE271A3.jpg Foto: Aguilar Abecassis
09/06/2020 às 13:49

O Brasil é o país que conta com uma das maiores redes varejistas de roupas e acessórios do mundo. De acordo com dados do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil), o setor deve crescer cerca de 13,6% (2,6% ao ano) até 2023. 

Em contrapartida à este ritmo acelerado de venda de roupas, um movimento tem ganhado espaço: o slow fashion. A “moda lenta”, em tradução literal, é uma alternativa ao fast fashion, e inclui em sua filosofia comprar roupas vintage, redesenhar roupas velhas, comprar de pequenos produtores, fazer roupas e acessórios em casa e comprar roupas que duram mais. O objetivo é prolongar a vida útil da peça de vestuário. 



No mês de março, surgiu em Manaus a primeira loja colaborativa da região Norte exclusivamente voltada para brechós. O Espaço Colab Slow Fashion Manaus é fruto da união de quatro empreendedoras e fica situado na Rua Saldanha Marinho, 731, Edifício Anderson Tower, sala 4 - Centro.

Por conta da pandemia, o espaço ainda aguarda uma data melhor para fazer a inauguração oficial. Neste período de reabertura de comércio, o grupo está trabalhando de maneira intercalada, com agendamento de no máximo duas pessoas dentro do espaço, às segundas, quartas e sextas, das 10h às 18h. 

A produtora Lylle Abreu, 44 anos, é idealizadora e coordenadora do movimento independente Slow Fashion Manaus. Ela conta que além do espaço colaborativo, o coletivo promove eventos para informar e conscientizar sobre o consumo de moda sustentável. A  idealizadora do The Ladies Brechó, relata que, só fazem parte da loja colaborativa, brechós que cumprem o conceito real de slow fashion. “Nosso foco é vender sustentabilidade, é fazer da moda um agente transformador na vida das pessoas”, conta. 

Novo normal

O tão discutido “novo normal”, deverá ser oportuno para que as pessoas repensem hábitos estruturais da sociedade, como a forma de consumir e o jeito de trabalhar, por exemplo. 

“Mais do que nunca faz todo o sentido o slow fashion atuar como um agente transformador de mente, de hábito e de pensamento”, pondera Lylle Abreu. 

A produtora de moda acredita que, nesta nova era, a população olhará com mais responsabilidade a questão do consumo. Especialmente, porque os recursos estarão mais escassos. “O planeta e o bolso agradecem”, comenta.

Colaboração

Trabalhar com o conceito de loja colaborativa traz muitas vantagens. “Estamos entre amigas, compartilhamos clientes, ideias e sonhos. É uma ajudando a outra, uma levantando a outra - que é um dos pilares do empreendedorismo feminino”, compartilha Lauren Mellissa, 39, proprietária do brechó Mellissices Club. 

As empreendedoras se alternam no atendimento da loja e vendem umas para as outras, quando não estão todas presentes. 

Consumo

Repensar o guarda-roupa significa também repensar o consumo. Kesia Cordeiro, 39, criou a Merkatus há 3 anos.  O brechó e outlet tem como seus maiores fornecedores os guarda-roupas da família. “Eu aprendi a não comprar mais e a reutilizar o que eu tenho”, compartilha. Kesia se considerava uma pessoa altamente consumista, neste novo estilo de vida, economiza 60% do que gastava em roupas. 

“Eu era uma compradora louca que comprava um par de sapato por semana, usava todo o limite do cartão de crédito. Foi uma reeducação financeira também, hoje só tenho um cartão de crédito com limite mínimo para emergência”, conta. 

Kesia acredita que o período de pandemia foi essencial para que as pessoas que já se identificavam com a pauta se enraizasse neste estilo de vida, assim como ela. “Muita coisa ainda vai mudar. Ganhamos novos adeptos, pessoas que estão querendo viver sustentavelmente”, afirma. 

Curadoria

Se engana quem pensa que brechó vende apenas peças velhas. Elen Castro, 39, dona da 1983 Company conta que cada peça é cuidadosamente selecionada. Ela é especialista em curadoria - processo de procura por peças que já existem e que estejam em perfeito estado. “Na minha curadoria, procuro peças que tenham histórias, com no mínimo 20 anos de existência”, conta. 

Para ela, a grande vantagem de se comprar em brechó é comprar uma peça com história, que ninguém mais vai ter. “Peças de brechó não são uma compra, são um investimento”, pontua.

Apelo ambiental

O custo ambiental do mercado acelerado da moda é muito alto. De acordo com a ONU Meio Ambiente, as indústrias globais de vestimentas e calçados respondem por 8% das emissões de gases do efeito estufa.

Além disso,  o ato de lavar roupa libera microfibras de plástico e outros poluentes no meio ambiente, contaminando os oceanos e fontes de água potável. No mundo, em torno de 20% da poluição da água está associada à atividade industrial que vem do tingimento e tratamento de produtos têxteis.

Do total de insumos de fibras usados em roupas, 87% são incinerados ou acabam em aterros sanitários. Em média, um caminhão de lixo de têxteis é, por segundo, incinerado ou despejado em aterros.

Glossário

Fast Fashion:  padrão de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados de forma rápida.

Slow Fashion: alternativa sustentável ao frenético mercado da moda. 

Upcycling: reaproveitar a peça, fazer redesign. 

Vintage: corrente da moda que busca recuperar modos de vestir de períodos passados.

CGC: peças com no mínimo 20 anos de existência, vintage autêntico.

Repórter de A Crítica

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