Domingo, 24 de Outubro de 2021
INTERNET DO FUTURO

Municípios do Amazonas podem viver revolução digital com chegada do 5G

Para que isso aconteça, órgãos como o TCU no Amazonas buscam exigir que as operadoras vencedoras do ‘Leilão do 5G’ sejam obrigadas a levar a infraestrutura necessária aos locais mais remotos do Estado



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23/05/2021 às 09:16

A tecnologia 5G é a quinta geração de redes para comunicações móveis. Entretanto, esta tecnologia tem uma importância muito maior do que o aumento na velocidade de comunicação ou download de conteúdos na internet.

Embora, a princípio o download de uma música em milésimos de segundos, ou a transmissão de algum filme sem interrupções, seja um dos benefícios mais aguardados por muitos usuários, a tecnologia 5G trará uma série de recursos que permitirá o alcance ainda maior em municípios do interior do Amazonas que ainda não são contempladas com uma internet de alta velocidade.

Segundo dados da Pesquisa TIP Domicílios, uma em cada quatro pessoas não possui o acesso à rede de internet no nosso país. Além disso, a pesquisa mostra que há uma maior predominância do uso de internet exclusivamente pelos aparelhos móveis e, cerca de 60% de todos os habitantes que utilizam a internet pelo celular são da Região Norte.

Municípios do interior do Amazonas, principalmente aqueles que estão localizados a quilômetros de distância da capital, são os que mais sofrem com as falhas e oscilações de internet, afirma o coordenador do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon), defensor público Christiano Pinheiro da Costa.

"Recebo constantemente reclamações a respeito destas falhas. Já vivi e já passei pelo interior do Estado, Tabatinga, Parintins, Careiro da Várzea, Careiro Castanho, então tenho ciência dessa problemática de ausência de sinal. Estou há 12 anos na defesa do consumidor, sem querer polemizar, mas acredito que está faltando investimento das operadoras. E também com relação da agência reguladora na fiscalização do serviço", descreveu o defensor público.


Chegada do 5G pode mudar a realidade tecnológica de municípios amazonenses. Foto: Gilson Mello

'Alfabetização digital'

Segundo o engenheiro de telecomunicações, Gustavo Candolo, é importante ressaltar também que em muitos casos, como o interior do Amazonas, grande parte da população ainda não é "alfabetizada digitalmente".

"Importante mencionarmos que a inclusão digital é fundamental. Ela não abrange apenas os aspectos de infraestrutura. Porque também é uma alfabetização digital e precisa ser analisada de uma forma mais ampla. Porque muitas vezes a pessoa tem o acesso, mas não tem condição de ter um aparelho celular. Ou de conseguir manusear assegurar aquele aplicativo. Abrange o conteúdo adequado. A gente vivencia que é uma necessidade. O ensino à distância", destacou o engenheiro.

Este é o caso do estudante Adriano Morais, que mora no município do Itacoatiara (distante 270 quilômetros de Manaus). Apesar da cidade fazer parte dos oito municípios que compõem a Região Metropolitana de Manaus (RMM), o estudante de Engenharia Florestal já teve prejuízos quando tentava acompanhar as aulas remotas durante a pandemia.

"Aqui em Itacoatiara nem todo lugar a internet funciona. Com a pandemia, o estudo que já era complicado, ficou ainda mais difícil no estudo remoto. Eu como não tenho um computador. Tenho que acompanhar as aulas pelo celular. E mesmo usando o Wi-fi, já cheguei a não conseguir assistir as aulas até o fim por conta da internet", declarou Morais.

Diálogo com os órgãos

O defensor público da Christiano Costa aproveitou para solicitar diálogo com a Anatel e o Ministério da Telecomunicações para que possam resolver as dificuldades que a população amazonense sofre.

“Eu rogo ao representante legal da Anatel e ao representante legal do Ministério da Telecomunicações, que possam abrir um canal de diálogo com a Defensoria. Ouvir o nosso núcleo da Decon, para que a gente possa ter subsídios na hora em que houver necessidade de judicialização e comprovação de ausência de sinal e nessas falhas da prestação de serviços de telefonia e internet. É preciso que a gente crie um diálogo com as operadoras para que possamos aparar as arestas e mitigar os danos que a nossa população vem sofrendo", destacou Costa.

Norte priorizado

O edital do Leilão do 5G está em fase de análise, a fim de verificar a precificação do direito de uso e das radiofrequências. Segundo a secretária do Tribunal de Contas da União no Amazonas (TCU-AM), Glenda Menezes, será exigido uma melhor infraestrutura, principalmente nas regiões que não oferecem lucratividade ou grande retorno financeiro para as empresas de telecomunicações.

"É uma deficiência que encontramos em nossa região. Verificamos que 48% dos domicílios possuem acesso à internet. É necessário que tenha um investimento maior nos municípios da Região Norte que não possuem internet. Esperamos tempos melhores após esse leilão, que possa haver uma melhoria da internet no nosso Estado", pontuou Menezes.

O edital de licitação para concessão às empresas de telecomunicações que queiram participar do Leilão do 5G está previsto para acontecer no mês de agosto deste ano.



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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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