Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
Educação

Mercado de trabalho tem carência de profissionais das áreas de exatas

Para o coordenador do Programa Prioritário da Fundação Muraki, Fernando Moreira, além de poucos, a qualidade dos egressos do Amazonas é baixa e as empresas precisam contratar profissionais de outras localidades



exatas_B98E4708-4833-4D5E-9E16-BB1799715C1A.JPG Foto: Pixabay
20/10/2019 às 10:42

Gostar ou não de matemática hoje parece não ser mais uma opção para quem busca uma vaga no mercado de trabalho. Com os rumos da industrialização e tecnologia caminhando lado a lado, se intensifica a necessidade de profissionais com habilidades nas ciências exatas.

Em contrapartida, os cursos do ensino superior menos procurados são nas áreas de ciências naturais, matemática e estatística (15%); e engenharia, fabricação e construção (14%), segundo o último levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado pelo Instituto de Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep).



Outro dado preocupante é a  taxa de desistência dos universitários que ingressam nas exatas, índice que chega da 69%  de acordo com um estudo feito pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), apresentado no mês passado.

Esses índices preocupantes são atribuídos pelo diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), Marcelo Viana, não apenas ao ensino da matemática, mas também às condições socioeconômicas do país.

“Há um processo de acumulação das carências dos alunos, que quando chegam ao ensino médio são praticamente irreversíveis. Segundo o Inep, nem 7% dos alunos que terminam o ensino básico aprenderam matemática, e é claro, que isso se reflete na hora em que eles vão escolher as suas carreiras”, revelou.

O levantamento feito pelo Inep no ano passado, aponta também que 71,67%  dos alunos têm nível insuficiente de aprendizado, e 23% possuem classificação igual a zero, a mais baixa na escala de proficiência da disciplina.

Outra situação a ser analisada é a falta de consciência do brasileiro das aplicações da matemática, se comparadas com outras profissões, segundo o professor, mais ‘glamourosas’.

O matemático conta ainda que esse problema afeta diretamente o futuro da industrialização no país, que encontra percalços na busca de profissionais qualificados.  Atualmente segundo dados Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) o Brasil tem pouco mais de 3% dos jovens aptos para assumir cargos no ramo tecnológico.

“Em um questionário eles perguntaram nos 70 países que participam do Pisa qual o grau de exposição que eles têm das ideias da matemática no dia a dia. E de todos os países o que está na pior posição é o Brasil”, revelou Viana.

“É como me disse um amigo: importar maquinário mais sofisticado que exija conhecimentos de tecnologia da informação para usar na indústria não vale a pena, porque, nós não vamos ter operários especializados para trabalhar neste maquinário”, completa.

Viana diz ainda que em relação a ciência na matemática, embora pouco divulgada, o Brasil possui bons resultados. Porém, ainda é necessária uma resposta concreta para que o brasileiro tenha simpatia com a disciplina.

“Nós estamos muito bem no que diz questão a pesquisa somos um dos 11 países mais desenvolvidos em matemática somos da  União Matemática Internacional. Temos um vencedor da medalha Philips. Então a pesquisa na semântica está bem, mas não é disso que se trata, mas sim, da contribuição que a matemática pode dar para o país”, finaliza o diretor-geral do IMPA.

Deficiência no Amazonas

Essa ineficiência prejudica o recrutamento para vagas para o Polo Industrial da Manaus (PIM), que avança para um formato mais tecnológico.

Para o coordenador do Programa Prioritário da Fundação Muraki, Fernando Moreira, além de poucos, a qualidade dos egressos da região é baixa e as empresas precisam contratar profissionais de outras localidades. 

“As instituições locais não conseguem atender a demanda. Em algumas situações por causa da qualidade que o mercado exige e uma parcela não consegue atender”, disse o coordenador.

Já de acordo com o diretor da empresa especializada em recursos humanos Paulo Pedrosa Hasdhunters & Associados, Amaro Junior, embora o problema da falta de profissionais seja uma realidade, o aumento da quantidade de cursos de graduação vem suprindo essa deficiência do mercado local.

“Há um grande crescimento de cursos tecnológicos geralmente são cursos voltado para o PIM com uma grande busca por áreas de engenharia, automação e hoje os profissionais estão buscando os cursos com menor duração que são cursos de dois anos, então devido a particularidade da região ainda tem uma busca um pouco maior”, analisou o diretor.

Cleto Leal, vice-reitor da UEA

Sobre os investimentos provenientes da Lei da Informática

“Nós possuímos vários projetos na área de Pesquisa Desenvolvimento e Inovação (PD&I), onde os alunos são envolvidos e fazem parte do processo. Isso tem melhorado significativamente a formação deles, porque são projetos realizados na  perspectiva do PDL, que é a aprendizagem  baseada em projetos e  em pesquisa. E com isso eles saem mais preparados para o mercado de trabalho, principalmente, porque com essas novas tecnologias como a Inteligência Artificial, a Realidade Aumentada e Virtual, Machine Learning, dentre outras,  requerem um profissional mais completo. E com isso, nós conseguimos suprir a formação dos  alunos que possuem essa  deficiência  do ensino básico, reforçando a sua formação profissional”.

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Repórter de A CRÍTICA. Sempre em busca de novos aprendizados que somente uma boa história pode trazer.

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